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HOSPITAL DE S. JOÃO: DOENTES DESESPERAM quando o calor aperta! Enfermarias NÃO TÊM AR CONDICIONADO

As elevadas temperaturas que se fizeram sentir, no início de julho, na região do Porto, assim como um pouco por todo o país (entre 35 e 40º C), além de incomodarem a população em geral, afetaram, sobremaneira (vejam só!) os doentes internados – neste caso concreto – na “Medicina 3” do Hospital de S. João, no Porto. Por lá, não há ar condicionado nas enfermarias e as raras ventoinhas que existem são doadas ou colocadas, temporariamente, por familiares e amigos dos pacientes. Algo de inacreditável, numa unidade hospitalar de referência. Os doentes queixam-se do calor; o pessoal médico e de enfermagem, que também sentem na pele a situação, tentam, como podem, minorar o problema. A Administração do Hospital, sobre a questão, dá-se ao “fresco” por frescos que devem estar os seus gabinetes.

Isto é uma vergonha!” reage desabafando, e de leque na mão, a filha de uma doente internada no terceiro piso do Hospital de S. João (Medicina 3). “Ninguém pode estar aqui com o calor. A minha mãe não suporta estas condições. Se nós não suportamos, quanto mais ela que está muito doente! Isto é inadmissível. Nem ventoinhas colocam aqui!”

Tanto nos corredores como nas salas (enfermarias) do terceiro piso do Hospital de S. João, tudo estava às escuras. Precianas corridas, janelas entreabertas. O calor era intenso. A nossa reportagem esteve lá naquele que foi considerado, até à altura, o dia mais quente do ano (06jul13), com as temperaturas a oscilarem entre os 30º e os 40º. Reportamo-nos a seis de julho de 2013, dois dias antes da mãe de quem vos escreve ter falecido nesse preciso local e de ter tempo ainda de se queixar do calor que fazia sentir na sua enfermaria.

hospital s. joao 01 - 01ago13

Número de mortes por calor nos hospitais aumentou 60 por cento

“Os médicos, os enfermeiros e todo o pessoal é extraordinário. É de um grande profissionalismo. Nisso, este hospital é exemplar. Agora, quanto a condições… Não tem condições!” disse à nossa reportagem um familiar de uma paciente.

Esta questão já foi, pouco tempo depois de efetuado o nosso trabalho, tratada pelo “Jornal de Notícias”, Diário de Notícias” e “Público”, mas até agora, não só a administração do “S. João” como de outros hospitais que não têm ar condicionado nas enfermarias (S. José, Lisboa; Centro Hospitalar de Trás-Os-Montes e Alto Douro, Amadora-Sintra, Hospital Júlio de Matos e Santa Maria, ambos em Lisboa) tentaram resolver o problema de alegadas avarias, insuficiência ou inexistência desse sistema.

Este problema originou – aquando da última vaga de calor -, um excesso de mortalidade tal como aconteceu em 2003. Segundo a Direção-Geral de Saúde tem “havido um esforço dos hospitais para equipar as áreas mais sensíveis para os doentes com sistemas de climatização, mas ainda há estabelecimentos, mais antigos, que não tem esse tipo de equipamento a funcionar”. Conclusão, com o calor o número de mortes teve um aumento de cerca de 60 por cento a nível nacional.

“Funerárias” agradecem…

No Hospital de S. João sabe-se que estão equipados com ar condicionado todos os blocos operatórios, unidades de cuidados intensivos e intermédios, a urgência, os serviços de pediatria, pneumologia e broncologia, ginecologia e obstetrícia, nefrologia e a unidade de hemodiálise, mas nas enfermarias do terceiro piso – chamado também como o piso dos AVC – morre-se de calor quando ele aperta.

O repórter sabe o quanto é insuportável estar no terceiro piso (foi o único andar onde esteve) quando se faz calor. Comparar, neste caso específico, o “S. João” a um hospital do terceiro mundo não é, de todo, um exagero. Para já as temperaturas estão amenas, mas se por aí vier uma onda de calor, por certo que as agências funerárias vão esfregar as mãos de contentamento. Fica o aviso.

Texto: Repórter X

Fotos:  “Público” e Pesquisa Google

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