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E agora, o que faço? (II)

Carla Ribeiro

Há tantas portas para fechar, outras tantas para abrir, e o muito que temos para descobrir.

Mas eu nunca vou desistir, vou trilhar este caminho.

É urgente esta mudança em mim, para poder continuar a caminhar.

E foi assim que começou a minha caminhada, a minha nova caminhada.

Necessitei redescobrir-me, identificar-me, reconhecer-me, reencontra-me.

Já não sabia quem era, porque chorava, porque sorria, só um motivo me fazia continuar a caminhar, o amor do meu filho.

Era esta a pedra filosofal que me mantinha viva, como e a tona da água me sustentasse.

Para tudo na vida necessitamos de um motivo, e o meu aparentemente estava ali mesmo a minha frente, todos os dias.

Os seus abraços, a sua meiguice, o seu choro, o seu Amor eram o balsamo que todos os dias me dava força para continuar.

foto 1 - relatos

Dizem que Amor de Mãe é ouro, eu diria que são pedras preciosas, que necessitamos lapidar diariamente.

E neste momento eu sentia-me uma pedra perdida mesta imensa vida, com a certeza que era urgente mudar, mas que necessitava voltar a ser lapidada.

Tinha-me anulado como Pessoa, como se fosse um objeto sem vontades, pois era assim que me tratavam, como um Objeto, uma coisa que se move apenas de um lado para outro ao sabor e caprichos de alguém.

Trabalhar, sim eu continuei a trabalhar, eram esses uns dos momentos mais felizes da minha vida, tirando aqueles momentos, em que me sentia controlada e sufocada.

O meu filho era o meu Sol, a minha Luz que davam sentido a minha vida.

Sim, é preciso mais, muito mais para se ser feliz.

E foi por aí que caminhei, na busca incessante dessa felicidade.

Não me identificava comigo mesma, necessitei reencontra-me, e aí tantas as vezes que achei que ia desistir, pelo medo, o medo de falhar, de não conseguir fazer este confronto comigo mesma.

Sim, necessitamos confrontar-nos, dizer a nós mesmos o que temos que mudar, e mudar, mudar para caminhar.

Com o tempo vamos calando dentro de nós o nosso sentir, mudamos o nosso pensar e tornamo-nos no que esperam de nós e deixamos de ser nós mesma mas sim o reflexo do que de nós querem, pois achamos que isso nos fará felizes.

Vivemos de uma aparente felicidade, vivemos de uma mentira, outra e mais outra, pois já nem sabemos bem quem somos.

Caminhamos, deambulamos pela estrada da vida, consciente do inconsciente que nos mutila e nos faz cada dia mais sofrer.

Chegada ao fundo do “Poço”, percebo que não posso mais lá continuar.

É urgente mudar, é urgente Viver.

Tenho que mudar por mim, já não chega ser só pelo Amor do meu Filho.

Preciso mudar, por mim, para mim e pela minha Vida.

E agora, o que faço?

foto 2 - relatos

Tantas as vezes, que dentro de mim, não encontrei esta resposta, até que um dia, nasce em mim uma nova força, a força de viver.

As respostas surgem, pois sempre estiveram bem dentro de mim, eu apenas me ignorava.

Chega, para, eu quero mudar, eu vou mudar.

Isto vai acabar.

Não, não me apaixonei.

Não, não engravidei.

Não, ele não mudou…

Apenas eu que não posso mais continuar nesta amargura, nesta aparente felicidade.

E passo a passo, começo esta caminhada.

As forças, nem sei bem, onde as fui buscar, acho que essas me vêm da vontade de mudar, e sim claro que sim, do Amor pelo meu filho.

E um dia no meio de mais uma discussão, que sem motivo começou, ele diz: “… Tu já não choras? que se passa contigo?”.

E aí gritei, disse tudo o que de dor me sufocava, e vi nos olhos dele o medo, um medo que nunca tinha visto.

E uma nova faze se começa, com ainda muita dor com muito sofrimento, pois das palavras, agora vem a agressão física.

Momentos houve em que me senti violada, tantas vezes psicologicamente e outras fisicamente.

Tantas as agressões…

foto 3 - relatos

Mas agora eu já não choro, secaram-se-me as lágrimas, não porque já não doa, mas porque está na hora de mudar, de mostrar que eu já não vou mais calar-me.

Já não me agrides e coages psicologicamente, pois eu já não jogo mais o teu jogo.

Já não estou no “Poço”, já saí dele.

Passo a passo, perco o medo, até a vergonha, sim a vergonha de que saibam, pois, nada estou a fazer de mal, mas ele sim.

Pela primeira vez contei há minha Amiga a dor que tinha no meu peito, a vida, que já nem vida é, tudo, tudo, e sim eu chorei… eu chorei tanto…

Perdi o medo, até a vergonha, pois passo a passo recupero o meu Amor-próprio.

Uma caminhada dolorosa, mas, que só nós a podemos fazer.

Dia após dia, uma caminhada de luta interior, de fortalecer e reforçar as paredes da vida, que de tão frágeis, já quase nem existiam.

Finalmente a separação, mas o medo, esse perdurou mais algum tempo, pois as ameaças e o seu sentimento de posso continuou, e várias foram as tentativas de me destruir.

Sim, a minha vontade de continuar venceu o medo, esse enorme medo que nos paralisa.

E a vida não parou dia apos dia, tudo foi continuando.

Mas agora sim eu vou recuperando a minha identidade, até o brilho do meu olhar eu recupero.

Apesar do medo de recomeçar, apesar do medo de voltar a falhar, a vida segue um caminho, um novo caminhar.

Mas em cada caminhar, há barreiras para derrubar, há pedras para ultrapassar, há sentimentos para viver e um novo mundo para descobrir.

foto 4 - relatos

Seguiremos este caminho no próximo mês

Contínua em Junho.

Obrigada

Até breve com novos “sentir”, novos “amar”…

Fotos: Pesquisa Google

01mai15

 

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16 Comments

  1. Carla Ribeiro

    Olá meus amigos Antonio e Pedro
    Obrigada pelas vossas palavras, pelas lágrimas que no meu rosto rolaram de saudades.
    Bjnhs

  2. Pedro M

    Carlinha,
    Es das mulheres mais valiosas que conheço
    principalmente depois de teres seguido caminho sem olhar para tras.
    nunca desistas dos teus sonhos
    Tu és uma Grande MULHER
    Bjnhs com imenso carinho e aquele nosso abraço que se perpetua no tempo e na distância

  3. Antonio

    Amiga,
    estes teus relatos são apaixonantes, como acontece com toda a tua escrita.
    Já tenho saudades de alguns pioemas teus aqui na coluna do Jornal, pois tanmbém eles são Relatos e pedaços da tua essencia como Mulher.
    Um tema sem dúvida muito bem escolhido, para que tantas outras pessoas possam percebre que podemos vencer,
    Curiso fico com a continuidade do texto para o proximo mês, pois estás como sempre a ter a enorme capacidade de nos apaixonar e ficar a pensar no que será que vem a seguir, que mais sentiu e viveu…
    Amiga, Obrigada pela pessoa que és, pela Mulher que a cada dia Cresce.
    Parabens li hoje as duas colunas e estou sedento para ler a continuidade deste teu relato que não sendo extenso me apaixona e me deixa ávido de ler o que vem a seguir.
    Parabens Carla, parabens pelo teu crescente de esscrita e pela Amiga e Mulher maravilhosa que tenho o previlégio de conhecer pessoalmente.
    Beijinho minha Amiga e um mega abraço como sempre

  4. Carla Ribeiro

    Relatos, são caminhos que percorremos, historias que contamos,
    Umas acabadas, outras em movimento.
    Relatos são em cada caminhar, derrubar barreiras, colher pedra e cortar ervas daninhas.
    Relatos são sentimentos para viver e um novo mundo para descobrir.
    e como o texto assim o refere “Seguiremos este caminho no próximo mês, Contínua em Junho.”

  5. Carla Ribeiro

    Artur
    sem qualquer dúvida o “Amor move montanhas”, e sem Amor a vida perde o seu curso e a beleza.
    Obrigada por me leres,
    Bjnhs

  6. Carla Ribeiro

    Armando
    Corro atrás dos sonhos e pelas causas em que acredito.
    A felicidade somos nós mesmo que a construímos
    Obrigada pelas tuas palavras, não percas a continuidade deste Texto
    Bjnhs
    Paz e bem
    (Saudações Franciscanas)

  7. Celina

    um relato não deveria ser completo? … “esperem pelo pròximo capìtulo” enquadra-se mais numa novela.

  8. Artur

    Gostei de ler Carla!
    Apenas me apraz dizer que “o Amor move montanhas e ao Amor nada é impossível”.
    Beijinho e continua sempre com essa força que tens dentro de ti.

  9. Armando Bastos

    Depois de toda essa interessante luta e amor, há que saber que o futuro está numa qualquer porta aberta, deves ter esperança e lutar obviamente por esse novo Mundo… Acho que também o mereces.
    Parabéns pelo texto, continua.

  10. Rosário

    O seu caminho passou também pela entrega aos outros, nessas acções de ajuda aos necessitados da rua. Toda essa abnegação, essa vontade de ajudar vão trazer-lhe em troca a força e a coragem de continuar a lutar e a viver. Todos temos as nossas pedras no caminho, mas há sempre algo de positivo a que temos que nos agarrar para as podemos ultrapassar. E a Carla tem o amor pelo seu filho… continue sempre sendo essa mulher de genica que conheci, agarre-se ao que tem de bom e pise de vez as ervas daninhas do caminho| Um beijo grande

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