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Vidas de Rainhas ou Reis

José Luís Montero

O mês de Junho acalorou o ambiente, mas, certas forças ocultas e outras visíveis resolveram congelar as sensações. A rainha de Inglaterra continuará como tal, no entanto, o Brexit e os rumores afirmados e reafirmados pelos jornais ingleses, colocam-na na difícil posição de ter simpatias ou convicções a favor da saída da Europa.

A rainha é uma anciã e como tal tem as mesmas simpatias que os restantes anciãos que deram a vitória ao Brexit. A Inglaterra ou o Reino Unido inclinou-se pelo saudosismo de uma grandeza passada e como sociedade muito mais arcaica que imaginamos, plasmou em papel e cartão o anódino e o desprezo pelo velho continente.

Agora virá a ressaca. Agora verão que a esquizofrenia do ilhéu não é mais que a causa da decadência económica, social e politica que lhes cairá sobre a cabeça e talvez sobre essa Corte com ar Imperial que parece o Circo das Cerimónias.

brexit - jun16

O País dos lordes com polainas vive a importar e dos negócios que operam no seu parqué. A mão-de-obra é multirracional e multicultural oriunda de velhos países que tiveram filósofos, poetas e alquimistas. A mesa está cheia de sabores do mundo; o Reino Unido come o que os outros mundos inventaram; elaboraram.

O parque automóvel e outros produtos de selo industrial levam o carimbo de diferentes países continentais. Sim, eles consomem e comercializam os vinhos da Madeira, Porto ou Jerez, mas, são os portugueses ou espanhóis que trabalham as vinhas. Eles não trabalham; vivem da comercialização do exótico e – orgulhosamente – caçam raposas ou recordam ao Mundo que inventaram o futebol.

Os lordes instalaram o caos; nem a rainha do passado se salva. Os partidos estão em guerra civil. As situações de alarme relacionadas com os estrangeiros começam a sangrar. O populismo imperial encharcou-se. Europa não pode, nem deve servir de massagista da enorme ferida que se fez o Reino Unido. Possivelmente, a Escócia contrarie as vontades sonhadas pelas castas imperiais e enraizadas no mundo rural.

A Liberdade é para tudo incluído o suicídio. Por isso, Europa não tem o direito de entorpecer o suicídio rápido desse mundo onde os velhos corsários foram Sir e são orgulho estampado nos maravilhosos vitrais da catedral de Bristol. O pirata Drake rivaliza e ombreia com o almirante Nelson.

Em Inglaterra temos uma rainha sentada num trono instalado num charco e em Espanha temos um rei de nome Felipe instalado na ilha da incerteza.

rei filipe de espanha

O mês de Junho de 2016 é o mês das barracas reais. O rei Felipe de Espanha repetirá consultas e análises com todos os partidos sem que nenhum partido tenho capacidade para governar. O Podemos levou, eleitoralmente, na bagagem a Esquerda Unida, mas, ficaram onde estavam e o seu líder mostrou-se triste.

O PSOE resistiu (pareceu Portugal a resistir os ataques da Croácia) entre derrotas regionais e para cúmulo perdeu em Andaluzia. O PSOE para não ser menos que o Partido Trabalhista Inglês está flagelando-se.

As vacas sagradas do PSOE não comungam com alianças de governo com Unidos Podemos. Muitos destes históricos estavam no passado em diferentes correntes, mas, perante a ténue possibilidade de governo PSOE-Podemos saltam histericamente e ensaiam discursos iracundos e avisos com a chancela de vaca sagrada política. Felipe Gonzalez é o símbolo dessa casta socialista, no entanto, se soletreamos os nomes do passado não falha um, nem encontramos meia dúzia deles que estivessem enquadrados na mesma corrente histórica do socialismo espanhol.

A questão chama-se: temor a perder a condição de partido aglutinador do voto da esquerda e do centro-esquerda no panorama nacional. Neste caso, para além da dissonância programática, está como importante o que se estima como interesse do partido como instituição. Felipe VI de Espanha disporá de palácio para os acolher, mas, não terá capacidade palaciana para ultrapassar o impasse.

Desde a minha tenra idade fui lendo ditos associados ao povo espanhol que o catalogam como povo ingovernável. É um dito simpático. Faz-me sorrir e sonhar um futuro sem hierarquias. Inspiram-me pensamentos sobre sociedades horizontais; no entanto, com esta geringonça espanhola que se observa e vive não se pode concluir nada parecido ao sonho, mas, sim a tudo parecido a uma sociedade fraturada gravemente.

reis e rainhas

A casta formada por velhos e novos (personalidades ou partidos de velho ou novo cunho) está numa corrida egoísta para apoderar-se dos meios governativos na ambição de alcançar Poder.

Vivem e comportam-se como sentados à mesa da gula e cada um come e come sem ter outro desejo. O povo a quem pedem o voto é isso e só isso: dadores do voto da gula. Reis ou rainhas vivem um mês onde as suas coroas não são mais que joias de ourives. A realidade destrói-os, mas, entretanto, quem paga as faturas é o povo dador dos votos da gula.

 Fotos: Pesquisa Google

01jul16

 

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