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Espanha vive e morre

José Luís Montero

Espanha vive um momento histórico. Vive com um governo caducado e a situação não piora; se era má, continua má sem chegar a pior que má. Mas, além da situação de desgoverno, viveu a situação histórica do PSOE a construir o seu próprio cemitério para enterrar todos os parentes e todos os familiares colaterais.

No dia vinte e três de Outubro de 2016 anunciou a festa do suicídio oficiada pelo histórico Felipe Gonzalez. Será outra das grandes data da História de Espanha. Equivalente, talvez, ao dia em que Cristóvão Colombo, um português de Cuba-Alentejo, descobriu as Índias para os Reis Católicos. Felipe Gonzalez fará do Colombo que não soube onde arribara e chamar-lhe-á suicídio ao que será, inevitavelmente, decapitação pública. O PSOE, como partido histórico e um dos grandes derrotados da Guerra Civil espanhola, conjuntamente com a CNT-FAI, merece um RIP por permanecer nos livros de História porque algumas das suas folhas do seu passado merecem não ser esquecidas.

Felipe Gonzales
Felipe Gonzales

Se a grande “cantaora” Lola Flores vivesse, talvez cantasse nesse autoenterro: Pena, Penita, Pena. Felipe Gonzalez entraria na sua tumba com uma peruca imitando a cabeleira da falecida Duquesa de Alba e o Rei reformado Dom Juan Carlos instalar-se-ia, para o resto dos seus dias, algures onde pudesse pescar todos os dias nas Berlengas. Espanha perderia e esqueceria, talvez, a sua Fiesta e seu grande símbolo seria um design pré-fabricado pelo ressuscitado Salvador Dalí. Ficaria certificada e desapareceria a Espanha como reserva espiritual de Ocidente para nascer um Paraíso Surreal onde as romarias se fariam ao Santuário de Dadá. E eu seria jogador de futebol.

Pena, Penita, Pena… que pena ainda que não simpatize com o PSOE ver um bocado da História decidir arrancar as flores do seu passado e plantar os espinhos que Felipe Gonzalez criou em Euskadi. Seguramente dirão que a culpa é do Faceboock. Erro. Engano; a culpa é da constância e vigor amador do Pinto da Costa. O PS como vive o enterro vizinho entre a gerigonça, os afetos presidenciais e as obras do caos lisboeta vai cantando um fadinho e bebendo um copito de vinho tinto diretamente do lavrador. Falando bem e como hoje: Região Demarcada de…

No entanto, deve reinar a paz; a beatitude; a caridade de porta de igreja; a esmola profissional ao pedinte de profissão; o embaúque misericordioso. A anemia intelectual e a esperança na visita do Papa Francisco a Fátima. Da visita papal depende a aparição de um novo Manuel de Oliveira. Sei que é uma heresia confessar tal coisa, mas, durante uma época da minha Vida escolhia para adormecer placidamente um filme do Manuel de Oliveira e para a acordar um filme do César Monteiro. Todo eu, nessa época era um filme e tanto assim era que nos guiões de cowboys que inventava os bandidos sempre exerciam de políticos. O seu grande assalto era ao dinheiro público.

Porto (Ribeira) nos inícios do séc. xx
Porto (Ribeira) nos inícios do séc. xx

Gostar-me-ia sentir-me neste momento Camilo Castelo Branco e inovar a própria inovação como no romance O que Fazem as Mulheres. Mas, sem dores. Sem penúrias. Sem tanta morte pela infelicidade. Sem cárcere ainda que me permitissem passear, todos dias, a cavalo pela cidade do Porto. Sem tantos amores porque prefiro amar. Mas, com aquele Porto onde floresciam Pasquins, Folhetins e Jornais. Com o Porto do Centro Republicano; da Poesia incessante que brotava de mulheres escondidas e infelizes no seu desespero de Amor. Com o Porto que viajava para o Mundo no barco da aventura e da curiosidade.

Talvez, algures, esses barcos da aventura e da curiosidade arribassem a uma ilha onde tivessem ido parar os ossos “del muerto PSOE” e crivassem das ossadas os espinhos de Felipe Gonzalez em Euskadi para sempre. Parece muita poesia…Mas, viver sem Poesia é o mesmo que viver sem sexo; a vida sem Poesia e sexo é como nadar em seco e quem nada em seco ou é um mimo ou está para além da consciência. Um poeta da música, Fausto, tem uma coisinha que diz: “Navegar, navegar…” Naveguemos, então, no barco da aventura e da curiosidade e vivamos com Poesia e sexo.

Fotos: Pesquisa Google

01nov16

 

 

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