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7… verdades!

José Gonçalves

(Diretor e fundador do “Etc e Tal Jornal”)

1.“Os jornalistas estão sob pressão, a democracia já viveu melhores dias nas redações e assiste-se no dia-a-dia ao pisar de incontáveis linhas vermelhas por diversos atores. O resultado é um permanente pôr em causa da liberdade de imprensa, com a profissão cada vez mais ameaçada”. As palavras escritas são da investigadora na área dos media da Universidade do Minho, Felisbela Lopes, no seu livro “Jornalista, profissão ameaçada”, e diz muito do que se passa nas redações de jornais, rádios e televisões nacionais.

O mundo da comunicação social é complexo, e mais complexo, na verdade, se torna, quando os interesses económico-financeiros e político-partidários condicionam a atividade jornalística e a sua liberdade de expressão. Se nos jornais regionais isso era – e, por certo, em alguns casos, ainda é – visível a molho nu, através de intervenção direta do cacique, ou caciques, da terra, hoje, o problema é mais abrangente (mais nacional?!) e, como tal, muito, mas muito mais, problemático.

Esta realidade tem sido, por diversas vezes, alertada no “Etc e Tal”, jornal que, este mês, comemora sete anos de existência. E tem sido alertada porque, quem vos escreve é jornalista há 32 anos e já passou, quando assumiu postos de chefia redatoriais em alguns órgãos de comunicação social, por essas pressões, incluindo mesmo, assédio psicológico.

Não é fácil ser-se jornalista em Portugal, e muito menos, quando se está ligado a um órgão de informação regional, onde mais facilmente nos batem à porta, nos chantageiam e fazem ameaças constantes de despedimento, isto se esta ou aquela reportagem for, ou não for, publicada, conforme as conveniências de determinado cacique, que pode ser o dono de uma importante empresa da terra, presidente de um clube desportivo, ou líder do executivo da Câmara lá do sítio.

Desse tipo de pressões cedo se livrou o nosso jornal, ainda que, no seu seio, algumas figuraças tentassem, com o passar do tempo e já inseridas na equipa, pressionar este ou aquele a promover a iniciativa daquela ou de aqueloutro, para sua autopromoção social. Foi uma efémera tentativa indireta de pressão, e que teve final feliz: acabou depressa!

Mas, esta triste realidade é mais gritante, quando, nos órgãos de comunicação social, são cada vez mais os jornalistas em situação precária sem que, ao que se saiba, o Sindicato tenha alguma vez de forma veemente condenado tal situação. Se o fez, a ação passou despercebida, o que é deveras lamentável. Sem contratos e sempre à espera de “migalhas”, esses “jornalistas” são pau para toda a colher, obedecendo a qualquer tipo de imposição, independentemente da mesma violar ou não o seu código deontológico. Alguns donos das empresas que gerem importantes órgãos de comunicação social estão pouco preocupados com esse facto, o que querem é que os seus objetivos sejam concretizados e o resto que se lixe. E, neste caso, quem sempre se lixa – diz o povo – é o “mexilhão”.

Atenção, contudo, que há exceções à regra, poucas, mas há, e ainda bem que as há, porque nesse reduzido grupo de exceções encontram-se alguns jornais de referência, um deles gerido por quem já foi jornalista e que sabe dar valor à profissão e aos seus profissionais. Mesmo assim, o que Felisbela Lopes escreve é a verdade, nua e crua, do mundo vivido por maior parte dos jornalistas em Portugal.

2. O “Etc e Tal” sempre foi, é e será um jornal credível. Pauta o seu trabalho pela independência, pluralidade e pelo registo da verdade dos factos. Não somos só nós a dize-lo, dizem-no as pessoas com responsabilidades na sociedade; dizem-no quem o lê e dizem-no também quem nele escreve.

Se nos envaidecem esses elogios? É claro que sim, mas não os estranhamos. E não estranhamos porque sabemos com que linhas nos cosemos; sabemos até onde podemos ir; sabemos respeitar quem nos lê e quem nos dá a notícia. Sabemos, no fundo, separar águas, sempre consagrando os valores da democracia, aos quais o jornalismo está intrinsecamente ligado, sendo um dos seus baluartes.

Quem vos escreve e é também fundador deste jornal, ao longo de 32 anos de profissão nunca foi chamado a tribunal por causa desta ou daquela reportagem, entrevista, notícia, ou artigo de opinião. Assim sendo, incute na equipa os valores jornalísticos que aprendeu naquela que foi uma verdadeira Faculdade do jornalismo (para mim foi!) “O Primeiro de Janeiro”, que, infelizmente vi definhar e depois morrer sem a mínima dignidade.

Em tudo há regras e as regras são para se cumprir! A liberdade de expressão – a Tribuna Livre – é fundamental num jornal, seja ele eletrónico ou em papel, para o caso isso até nem interessa. O que interessa é que a liberdade responsável de informação, ou de formação opinativa, seja consagrada dentro de limites de razoabilidade intelectual.

O “Etc e Tal Jornal”, ao longo destes sete anos de existência, nunca condicionou ou impediu, fosse a quem fosse, de explorar, com responsabilidade, essa liberdade. Nunca!

Sentimo-nos bem assim. E quando assim é, não temos medo daquilo que fazemos; da opinião que publicamos; das verdades que damos a conhecer ao mundo inteiro, porque escrevemos para o mundo inteiro. Fazemo-lo com responsabilidade, seriedade e competência. Somos respeitados porque sempre soubemos respeitar. Isso também é jornalismo!

3. Dizem que estamos vocacionados para destacar a informação que promove nichos. Não é bem assim. Damos, isso sim, relevo a informações que outros órgãos de comunicação social não destacam.

O trabalho efetuado por uma pequena coletividade ou instituição, tem, para nós, uma grande importância e nós relevamo-la. Tratamos, no fundo – e eis a razão do título deste jornal – do que para os outros é um tipo de “etc e tal…”

Esses “nichos” são constituídos por centenas, milhares, de almas. Elas também leem e também gostam de ver reconhecido, na comunicação social, tudo aquilo que fazem em prol da sua comunidade. Nós damos visibilidade a isso. É a nossa função.

Somos um jornal regional do Norte de Portugal, sediado no Porto. Temos uma estreita colaboração com diversas autarquias da região. O feedback é reciproco. Os leitores – principalmente os da diáspora (e são muitos) gostam – lá longe – de ler as notícias da sua terra; dos feitos e conquistas do clube ou da atleta que nasceu na sua aldeia. E leem-nos.

Por exemplo: entrevistamos gente que pouca gente conhece, mas que é nobre gente, ou pelos seus trabalhos artísticos; ou pelos seus resultados desportivos; ou pelas suas ações de caráter social. Damos, em boa verdade, o destaque que essas pessoas merecem, e que, por certo, não fosse em muitos casos o “Etc e Tal Jornal”, passariam despercebidas… morreriam no anonimato e com elas, tantas e valorosas obras para divulgar.

No fundo, tratamos de assuntos que os outros não tratam, porque os outros têm objetivos editoriais diferentes dos nossos; estão virados para outro tipo de informação. Nada há a condenar, muito pelo contrário. Nós temos a nossa linha, e eles… a deles. Uns complementam a informação dos outros, e isso é positivo!

4. Neste momento importante para a vida do “Etc e tal Jornal” é, com orgulho, que reitero, o facto termos uma equipa coesa e de respeito Uma equipa formada por colaboradores com provas dadas na vida profissional e comunitária, e outros a começar as suas carreiras, já com perspetivas de grande valor, provas das quais reveladas no nosso jornal.

É uma equipa unida esta que forma o nosso jornal. Independentemente de cada um trabalhar em sua casa, e de alguns estarem afastados por largos quilómetros (há quem viva e trabalhe em Lisboa, Coimbra, Ovar, Amarante, etc), a verdade é que nos une, no essencial, o projeto, a sua essência, e, assim sendo, a distância física desaparece.

Sei que as pessoas gostam do jornal – caso contrário já dele tinham saído – e que, pelo jornal, dão ideias inovadoras, sempre atentas ao evoluir dos novos desafios. Temos jovens promissores e menos jovens, estes com uma vida de sucesso ligada ao Ensino, à Medicina, à Psicologia, à Sociologia, ao Direito, à Informática, à Literatura e ao Jornalismo. Estamos bem servidos, obrigado.

E é com esta equipa – que queremos reforçada, já que, em termos de reportagem, já não chegamos para as “encomendas” – que caminhamos firmes rumo ao futuro. Não temos medo dos novos desafios tecnológicos, ou outro tipo de metas que, de um momento para o outro, nos possam aparecer. Tentaremos, como sempre, dar resposta cabal às exigências, sempre tendo em conta os princípios editoriais que nos norteiam.

5. Um jornal deve, ou não ter relações institucionais? Claro que sim, e o nosso tem-nas com orgulho. Ou seja, temos boas relações com todas as instituições que nos consideram. Até hoje, nenhuma nos fechou a porta, como nós sempre franqueamos as nossas, quanto mais não seja, para a divulgação das suas atividades.

Em 2016, e porque um jornal também faz parte da comunidade onde está inserido, e nela deve ser interventivo, integramos o Conselho Cultural da freguesia do Bonfim (Porto), onde estamos sediados. Foi um importante passo para o nosso jornal, como penso que seria para qualquer outro que saiba e goste de estar inserido na sociedade de forma presente.

Se com essas relações institucionais podemos estar mais permeáveis a este ou aquela forma mais direta ou indireta de “aliciamento”? Não. Mas, há quem pensa que sim. Quem pensa assim é porque, se estivesse no nosso lugar, faria isso: vendia-se. Nós, não! Mesmo com ótimas relações seja com quem for, quando tivermos que relatar, revelar revelando a verdade dos factos, fá-lo-emos sem qualquer tipo de problemas.

6. E o futuro está aí á porta. Está sempre! E, quando dele falamos – porque é hábito falar-se sobre o futuro, quando se faz uma pausa refletiva em altura de aniversários – normalmente traça-se um sem-número de linhas programáticas a atingir a curto, médio ou longo prazo.

Nós, por cá, temos as nossas linhas de ação, mas a curto prazo. Ou seja, vivemos o dia-a-dia e a ele respondemos, na medida dos possíveis.

O “Etc e Tal Jornal” tem, de momento, como primordial objetivo, consolidar estruturalmente o seu projeto, não só com a integração de mais elementos (repórteres e especialistas em diversas áreas), mas também com o alargar e fomentar da sua intervenção na diáspora e nos países de língua oficial portuguesa.

O número de leitores do nosso jornal espalhados pelo mundo, tem vindo a aumentar de forma significativa, pelo que queremos “dar corpo” a esse interesse, criando melhores condições para a sua participação na vida do jornal, passando isso, pela formação de algumas equipas em diversos pontos do globo que, diretamente, representem o jornal e, ao representarem o jornal, trabalhem na divulgação de tudo de importante que pensem publicável.

Digamos que queremos uma aproximação do nosso jornal à diáspora (temos cinco milhões de emigrantes), assim como aos países onde se fala português, hoje a quarta língua mais falada no mundo, tendo já ultrapassado o francês.

Vamos trabalhar nisso, e para isso, teremos uma importante colaboração dos consulados portugueses pelo planeta espalhados. Terá de ser um trabalho persistente, mas que, por certo, dará os seus bons frutos.

Um jornal tem de estar próximo das populações (leitores e potenciais leitores) e, neste caso, podendo ser um meio direto de contacto entre o país de origem e o país adotivo para milhares e milhares de lusos emigrantes.

7.Para finalizar. Uma palavra de agradecimento a todos quantos estão ao lado (direta ou indiretamente) deste jornal. Sem eles este projeto dificilmente poderia sobreviver. Mas tem sobrevivido. São muitos e muitas que ficam admirados quando ficam a saber há quantos anos existimos, e como é que – ao contrário de outras publicações – conseguimos superar dificuldades; concretizar objetivos e, acima de tudo, estar, ainda por cima, a crescer em qualidade e em quantidade (número de leitores).

Gostamos de trabalhar. Gostamos de escrever. Gostamos de fotografar. Gostamos de informática. Gostamos de jornalismo. Gostamos deste projeto. Gostamos das pessoas!

Admito (e até é bom) que nem todos gostem de nós. Estes também são importantes, porque, sem quererem, nos dão força para enfrentarmos o caminho (que se espera longo) que temos pela frente.

Por isso. A todos (mas a todos!) um muito obrigado.

 

01jan17

 

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