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Não brinquem com o “Alexandre”!

Escreve-vos um “alexandrino”, ou seja um antigo aluno da Escola (Liceu) Secundária Alexandre Herculano (ESAH). A tal escola que anda e ainda vai andar nas bocas do mundo. A tal Casa da Educação e do Ensino que, permitam-me a “deselegância”, alguns “sem-vergonha” deixaram cair na ruína.

Este é um “Editorial”, eu sei, e como tal é a opinião representativa do jornal. Eu sei. Como também sei que, se não fosse ter andado na Escola/Liceu Alexandre Herculano, dificilmente, estaria aqui, como jornalista, a escrever esta prosa e muito, provavelmente, existiria o nosso “Etc”.

Devo ao “Alex” – forma simpática como a malta tratava a sua Casa –, muito daquilo que sei, que aprendi e ajudo a aprender. Criei amizades para toda a vida, não só com colegas, mas também com professores e pessoal auxiliar. Tudo isto, para, trinta e tal anos depois de ter concluído os meus estudos na ESAH, surgirem estas notícias. Estas vergonhas!

Notícias que, diga-se em abono da verdade, não me surpreendem, Nem a mim, nem aos leitores deste jornal, porque, por diversas vezes, revelamos relevando a funesta situação em que se encontra(va) o edifício, o tal, ironicamente, classificado de “interesse nacional”.

Não terá esse senhor Nuno Crato, que foi ministro da Educação (?) no governo de Passos Coelho, vergonha na cara por ter travado, em 2011, o projeto de requalificação da Escola? E veio, na manhã da passada sexta-feira em sede da Casa da Democracia, no Debate Quinzenal, o ex-primeiro ministro acusar o atual, de ser o culpado pela situação que se verifica não só no “Alexandre”, mas também em outros estabelecimentos espalhados pelo país?! A falta de memória e de responsabilidade deveriam “matar” politicamente os seus autores. É preciso não ter vergonha na cara!

Sabemos que o senhor Passos Coelho anda perdido com as intrigas no interior do seu partido, com as constantes “negas” aos convites que faz a certas pessoas para encabeçarem a lista do seu partido à Câmara de Lisboa, e, ainda, com os “amores” não correspondidos de Belém.

Tenha paciência!

Meta umas miniférias e saiba reagir, quanto mais não seja, ao pós-mentira. Assuma o erro e as consequências do mesmo, e peça desculpa aos portugueses, aos pais e alunos da ESAJH, assim como aos “alexandrinos” em particular. Culpe-se por ser um dos que desprezou a Escola/Liceu Alexandre Herculano.

Assuma a mentira!

Seja humilde, e transmita essa humildade e capacidade de reação honesta, ao seu antigo colega de governo Nuno. Faça isso. Só lhe fica bem!

Já se sabe que o não fará. Os portugueses já sabem com quem contam. E sabem também que nunca foi “alexandrino”, porque se o fosse, a sua reação não seria essa, talvez – convenhamos – até nunca teria sido primeiro-ministro, nem tão pouco candidato à liderança do PSD, fundado por um verdadeiro social-democrata do Porto e que conheceu bem o Alexandre Herculano… Francisco Sá Carneiro.

A Escola/Liceu Alexandre Herculano é um símbolo do Porto que, tal como acontece com a Ponte Maria Pia, não pode ser desprezado. Tem, isso sim, de ser respeitado, tantos foram os ilustres alunos que por lá passaram e que hoje são figuras de topo na vida do País, como Siza Vieira, Pacheco Pereira, ou Manuel Alegre, entre muitos outros. Gente que lutou, intra e extramuros, contra a ditadura e, logo, com o “quartel-general” da PIDE ali a poucos metros.

A ESAH é uma Casa de Ensino e de Educação… de referência. Tem nome de ilustre homem de Letras do Porto. É uma Casa com dignidade, a tal dignidade que quase foi perdida, com o desleixo, laxismo e negligência das tutelas. Várias tutelas, até mesmo a atual, que de orelhas moucas, e cego que vê mas não quer ver se fez passar, depois dos múltiplos avisos do Sindicato da Construção quanto ao grave estado em que se encontra(va) o “Alexandre”.

Foi preciso (só os “alexandrinos” conseguem coisas do género) os estudantes – melhor: Estudantes – perderem a paciência com uns “pingos” de chuva, para que o País visse, pela primeira vez, em que condições se estuda em alguns estabelecimentos de ensino. Só depois dessa corajosa forma de bater o pé à situação e se recusarem a frequentar as aulas, é que o poder instalado abriu os olhos e chamou, para o local, todos os serviços do “recém-criado” Instituto Nacional de Emergência Política (INEP).

Não suporto mentirosos! Este não é um desabafo, é uma realidade. Tal como não suporto quem se faz passar por amigo para dizer mal dos outros nas suas costas. Tenho pena que na política esses “valores” sejam postos em prática por pessoas com responsabilidades no futuro do País. E por falar em futuro do País. Não é a Escola que nos prepara para o Futuro? Não é a Escola que nos Ensina a encará-lo? Então, o que fizeram ao “Alexandre” não foi um verdadeiro atentado à dignidade intelecta dos jovens que querem um novo amanhã? Foi. E há responsáveis que só o povo, em democracia, pode julgar. Os votos servem, ou não, para alguma coisa?

Não vos escrevo a quente. Escrevo-vos com paixão. Tenho respeito pelo meu passado e dele me orgulho, E o meu passado está indelevelmente ligado à Escola/Liceu Alexandre Herculano. Escrevo este Editorial como diretor e fundador deste jornal; escrevo-o como jornalista com 32 anos de “carreira”; escrevo-o como cidadão; democrata, e como alguém que sente e sente tristeza, revolta, quando vê (sentindo) alguém a brincar com a dignidade… com os valores de gente nobre que tanto (mas tanto!) fez para os “construir”.

Brincadeiras destas pagam-se caro! No “Alexandre” também brincava-se, mas até nisso, e naquela Casa, fomos ensinados. Ensinaram-nos a saber brincar.

José Gonçalves

01fev17

 

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