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Ser Mulher…

Carla Ribeiro (*)

O Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres. Vamos tentar contextualizar, como e quando nasce esta data.

Temos então que recuar no tempo, e situarmo-nos no ano de 1857, em Nova Iorque. Por esta altura, as Mulheres ocuparam um importante papel na indústria fabril. Cansadas da exploração laboral, partem, já nesta altura para uma greve, reclamando a redução do seu horário de trabalho, e por melhores salários, do que saliento que nesta data, a mulher, era uma mão-de-obra, extremamente mal paga, se pensarmos que recebiam em média, menos de um terço do salário dos homens.

O Dia Internacional da Mulher surge, na passagem para o século XX, quando estávamos em plena Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial. Nesta altura, a indústria recorre massivamente há mão-de-obra feminina.

O primeiro Dia Internacional da Mulher, surge em 28 de Fevereiro de 1909, nos Estados Unidos, em memória dos protestos das operárias da indústria do vestuário, que em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram, a Women’s Trede Union League. Esta associação foi criada no sentido de ajudar todas as mulheres trabalhadoras, a exigirem melhores condições de trabalho.

Associamos ao 8 de Março, dia Internacional da Mulher, a Rosa Vermelha, mas muitos desconhecemos tal simbologia.

A Rosa Vermelha surge como um símbolo, quando em 1908, mais de 14 mil mulheres, marchavam nas ruas de Nova Iorque, reivindicando melhores condições de trabalho, há semelhança do que já tinha acontecido no ano de 1857. Nesta altura reivindicavam também já o direito de Voto.

Estas mulheres caminhavam com o slogan ”Pão e Rosas”, simbolizando o pão a estabilidade económica e as Rosas, a melhoria da qualidade de vida.

Finalmente em 1910, numa conferência internacional, realizada na Dinamarca, decidiu-se prestar homenagem àquelas mulheres, passando a comemorar-se a 8 de Março o “Dia Internacional da Mulher”.

Não se pretendeu, que ao longo destes anos, e depois de tantas batalhas e conquistas de todas as Mulheres, que esta fosse apenas uma data comemorativa, e nesse sentido tantos são os países em que nesta data organizam debates e reuniões, sempre com o objetivo de valorizar e avaliar o papel cada vez mais importante que por regra a Mulher ocupa na sociedade atual.

Sabemos mesmo assim que tanto ainda há para fazer, se pensarmos nas sociedades em que a Mulher ainda não tem voz ativa, e continua subjugada aos prazeres e interesses do homem.

Mesmo após todos estes anos, e com todas estas conquistas, temos ainda sociedades, nas quais esperamos um dia que o preconceito e desvalorização, bem como o sofrimento, a violência, as desvantagens sociais e profissionais da Mulher, tendam a acabar e a ser cada vez menores.

A nossa história tem um enorme peso e carga nas conquistas, mas temos que ter a noção que ainda temos em algumas civilizações um longo caminho a percorrer.

Na sua maioria, a Mulher deixou de ser vista apenas como a dona de casa, e o ser procriador. Ocupa hoje, cada vez mais papéis de relevo nas nossas sociedades, mas não devemos esquecer-nos que continuamos a ser seres maternais e esse papel, foi-nos atribuído pela inerência afetuosa e procriadora.

As nossas sociedades, em geral, reconheceram o valor e a importância da Mulher na mesma, mas não podemos esquecer-nos que ainda temos muitas sociedades em que a escravidão e subjugação da Mulher ainda é uma realidade aos nossos olhos.

Apesar das inúmeras batalhas, necessitamos de ainda muito “Pão e Rosas”, para que, por todo o mundo, a Mulher seja libertada dessa cruel escravidão e escuridão em que continua a viver.

Dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, elas que cada vez mais são o Futuro das nossas sociedades, pelas inúmeras conquistas que têm vindo a conseguir ao longo da nossa história.

“Pão e Rosas”… “Pão e Rosas”… “Pão e Rosas”

Um grito que tem que se continuar.

“Pão e Rosas”… “Pão e Rosas”… “Pão e Rosas”

(*) Subdiretora “Etc e Tal Jornal”

01mar17

 

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