Menu Fechar

A morte pintou as Ramblas

José Luís Montero

A tragédia abateu-se sobre as Ramblas. A razão da bestialidade pintou a Humanidade de dor. As palavras sobram. As descrições sobejam. Barcelona, a cidade símbolo histórico do sonho libertário, emudeceu e transformou-se num gemido universal. Espanha constrangeu o seu coração quixotesco; o Mundo calou e guardou o silêncio que diz tudo. A morte veio de longe e mora na rua ou na aldeia onde todos moramos. Os jornais espanhóis entraram em erupção e os dados entraram em contradição. Não se sabe como aconteceu; o Estado e as suas polícias falharam onde não podem, nem devem falhar. O cidadão nem é espia, nem é guru “antiterrorista.”

Investiga-se. A explosão de véspera existente não sei onde, nem sei em que lugar, primeiro foi considerada como uma explosão de gás; depois foi apelidada com outra palavra sábia e finalmente, diz-se que foi uma reunião dos vândalos que implodiu. A Polícia catalã foi tão perspicaz que adivinhou depois da tragédia escrever o seu auto da morte. Os serviços secretos que estão aqui e além e onde não devem estar escreveram a frase:” andamos às aranhas…” as competências entre tanta polícia e os políticos gestores de tanta polícia mostraram que nos seus escritórios está uma chapa: perigosos incompetentes.

A morte acarretou mais morte, mas, o tempo dirá se as mortes da perseguição são mortes verdadeiramente relacionadas com a tragédia das Ramblas. Só conheço uma palavra que transmite o que sinto: insegurança. Talvez, também, incerteza. E há mais uma que se aproxima às minhas emoções: revolta.

Espanha, entretanto, tem enviado e enviado desde o porto de Bilbao carradas de contentores com armamento caminho da Arábia Saudita. E também outras potências tais como os Estados Unidos de América, Inglaterra e a própria França. Como diria algum homem de negócios borralheiros: “negócio é negócio…” e a estas alturas pergunto-me pela data quando o Ísis começou a espalhar a morte e pergunto-me que guerrinha protagonizou Israel… E pergunto-me a razão porque Israel tem acesso aos satélites dos Estados Unidos e pergunto-me porque motivo Israel tem a bomba atómica e ninguém abre a boca ou ameaça o dito país. Pergunto-me porque o Médio Oriente é pasto de abutres e exportador compulsivo de petróleo e morte?

Não tenho respostas para nada. Não sou a dúvida metódica; sou a dúvida pânica. Mas, o deus Pan, neste caso, não assusta os transeuntes noturnos dos bosques, nem passa os dias a correr atrás das ninfas; assalta as vidas; come a felicidade; devora além do livre pensamento; a livre circulação. Onde estão os poderosos serviços secretos de Israel, Inglaterra ou Estado Unidos? Possivelmente, talvez se encontrem em terras desérticas do Iraque à procura de agulhas nos palheiros de areia. Nestes momentos e as estas alturas do baile só me salta, a cada palavra que escrevo, expressões escatológicas. Estou farto de ler História e farto de ler estórias de morte e crueldade com o manto das Religiões. E agora inventaram, por tudo e nada, o termo islamofobia… E dentro de pouco estamos no campo seco e árido onde não se pode duvidar – e muito menos negar – nem de Deus, nem da virgem do desconsolo.

europa - cartoon - terrorismo

Europa, velha, sábia e embrião, depois de beber nas enormes culturas do Egipto ou Mesopotâmia, entre outras vindas da outra margem do Mediterrâneo, da cultura e ciência que nos ajudou e ainda ajuda a conhecer-nos melhor, encontra-se submergida entre quezílias medievais sem ter o conceito do Templo onde todos confluiriam. Ser cosmopolita é não limitar, mas, não limitar não quer dizer que tribos, gentes ou religiões nos impeçam de falar ou pensar. E muito menos tentar circular por países onde uma mulher não possa levar roupa ligeira se lhe apetecer, conduzir um carro alugado ou beber um conhaque numa esplanada. As religiões estão cheias de formas e ritos e dizem-se ecuménicas… São, na verdade, teatrais e sectárias. E Europa não pode ser isso. Europa aboliu a pena de morte; Europa inventou revoluções libertadoras; revolucionou comportamentos e não é nesta altura do baile humano que deverá comer ossos como se fossem bifes malpassados. Esta sociedade precisa de petróleo? Os Estados Unidos têm reservas sem tocar; América do Sul tem isso e muito mais queiram ou não negociar o petróleo em dólares ou euros… (eis o grande crime da Venezuela e do Brasil. E eis o grande crime do Iraque).

Quero adormecer para não chorar, mas, também quero acordar para aprender e continuar a ter a dúvida como base intelectual. Mas, choro; mas, morro também eu quando a morte se expande através da mão bárbara dos pastores nada místicos que falam em nome de um Deus. A crença é um ato privado e intimo. Calem-se; deixem orar e meditar quem tem esse costume e convicção e não chateiem os descrentes, agnósticos e ateus.

Foto: Pesquisa Google

01set17

 

Partilhe:

2 Comments

  1. Fernanda Lança

    as políticas oportunistas apenas nos condenarão à morte. Se hpuvesse Justiça, os políticos europeus estavam todos a prestar contas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.