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Não quero saber

José Luís Montero

Realmente perdi todo o interesse na questão catalã -falsa questão- porque quanto mais estudo ou me documento sobre a História dos territórios do Reino de Aragão encontro só uma questão: interesse pelo comércio. Nada os motivou que não tivesse o lucro como princípio e fim. Todos os reinos, durante a Idade Média, tinham como bandeira uma motivação: a Religião. Aragão, não usava essa motivação, nem essa máscara. Foram, o que lhe deveria pesar eternamente na Alma Histórica, invasores e perseguidores dos Cátaros. Não, não me interessa fazer memória de um Reino sovina.

O mito que tinha sobre a Corte de Aragão como um grande centro de reunião de Sabedoria, ficou-me, fica-me resumido a um grande centro de reunião de vaidades típicas, diríamos hoje, de novos-ricos adinheirados pela pilhagem e outros negócios. A identidade catalã, por muito que inventem e argumentem os nacionalistas, não estava formada. É uma falácia histórica para não dizer: é um produto da banha da cobra que estica e não dobra. Mas, quero ser fino, mesmo que esteja a falar de uma região da Península Ibérica que se caracterizou pela sua condição de sovina. Falar assim e disto, perante tanto indocumentado comentador e afins, é um sacrilégio; sei o que estou a dizer e a escrever, mas, também digo que o sacrilégio é um ato cheio de bem e virtude visto de destrói os falsos mitos.

Durante esta aventura medieval não faltaram os mais cruéis mercenários que se vendiam a quem mais pagava por esse Mediterrâneo fora. Ainda que tivessem o selo de Aragão em muitos destes feitos, eram dos territórios que hoje chamamos Catalunha. Todos sabemos como os Reinos formavam os seus exércitos e todos sabemos que eram formados por soldados de fortuna deste ou aquele nobre ou senhor. Não estou a inventar o Mundo, mas, se o escrevo é porque detesto que me inventem mundos como se fossem pedras milenárias.

E é deste resumo de origens; de feitos históricos que uns senhores resolvem içar bandeiras; inventar novas terreolas como se descendessem de Noé e armar um barafustada que coloca um País – Espanha- a falar e a barafustar. E com esta aventura de ilusionistas metem também Europa e inclusivamente, aquele senhor de penteado estrafalário e voz perturbada pela ignorância – Daniel Trump- a falar da questão… Mas, que curioso e estranho, é no mundo anglo-saxão que esta burrice derivada dos nacionalistas catalães tem mais simpatizantes. Esse mundo que pensa e está convencido que é o inventor da Vida e é o espelho do Mundo, falam da tal jovem Catalunha como se fosse, por exemplo, Escócia ou alguma coisa que por lá exista.

reino de aragao

E estamos – toda a Península Ibérica – em crise. E em toda a Península Ibérica há casos de corrupção aberrantes. Em Catalunha, nesta jovem e não antiga Região Ibérica, seria bom e muito útil que se fizesse um Referendo com uma pergunta: quant ens van am robar els politicos de la Generalitat de Catalunya? (quanto nos roubaram os políticos da Generalidade da Catalunha?). Não, não…é má pergunta; deforma a imaginação da Burguesia Catalã- a burguesia das pistolas contra o Movimento Operário -. E sabemos, se queremos, tudo isto ou mais e a esquerda catalã e espanhola andam a alimentar parvoíces como se fossem questões fundamentais para acabar com a barbárie neoliberal que destinou Portugal e Espanha para praias e tascas de turismo…as empresas de produtos congelados, certamente, estarão a saltar de alegria; nunca se vendeu tanto produto congelado como se fosse produto fresco.

Quando esta crónica veja a luz pública será o dia deste festim burguês e burla política. Não lerei jornais. Não verei televisão; não ouvirei Rádio, nem estarei disposto a que algum amigo me conte novidades sobre a questão. Habitarei a lua e estarei aluado. Virão como vítimas; virão como estão e estiveram com a lenda da vítima. Dirão que pagam impostos; dirão que comem perdizes estragadas e não podem ser felizes… Não me interessa. Esse dia, se puder, dormirei; comerei e sorrirei para os turistas como se estivesse alucinado. Mas, será a minha alucinação e não a que me pretendem impingir.

Foto: Pesquisa Google

01out17

 

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3 Comments

  1. Célia Abreu

    Confesso a minha completa ignorância sobre as origens da Catalunha- as guerras do começo, como diria o poeta – bem como a sua dissidência relativamente a Espanha.
    Gostei deste artigo pelo despojamento emocional e ainda por me oferecer uma perspetiva realista e que no final vai precisamente ao encontro da minha opinião sobre a Europa e os abutres que a sobrevoam.
    Bom texto, José Luís Monteiro.

  2. Maria Fernanda Lança

    já li que Israel tem todo o interesse neste referendo, o que condiz com os argumentos do texto e explica o apoio do anglo saxões. Dividir para reinar é uma estratégia que tem dado frutos ao longo dos milénios

  3. Excelente! Obrigada.

    Excelente reflexao sobre o que está a acontecer na Catalunha.
    Adoro Barcelona e toda a região.
    Independência Não!
    Carmo Dias

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