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Morreram os sonhos

José Luís Montero

O Desvario nacionalista em Espanha não só desacreditou a capacidade intelectual da classe política espanhola no seu conjunto como originou uma conclusão: os políticos nacionalistas sempre fazem duas coisas: a primeira diz-nos que inventam a História como todos, mas, conseguem sem piores que os piores nas invenções da História. A segunda confirma que as Pátrias só sabem pedir e exigir dinheiro a quem já pouco tem. Estes senhores procuram propaganda; horas nas televisões; interações massivas nas redes sociais. Procuram publicidade gratuita de primeira qualidade. Não estão com sorte; aparecem nas televisões e provocam uma reação tão contrária que sinto uma certa pena. Não estou a falar do que provocam em Espanha; refiro-me a países como França, Inglaterra ou Portugal.

É loucura pensar que Europa, depois do Brexit, iria colocar-se ao dispor do fracionamento de um País com a importância de Espanha. Estes inócuos do Pensamento levados pela cegueira ideológica nunca se pararam a pensar que acentuariam a debilidade que atravessa o Velho Continente. Mas, observemos só uma coisa: estão a viver-se mais mal que bem as negociações com Inglaterra; o movimento ou as opiniões contrárias ao Brexit acentuam-se e Europa marca um custo alto. A Libra deixou de ser essa Libra poderosa. E quando Inglaterra está a tremer pela loucura que provoca a sua pílula; surge o disparate de Catalunha. Abre-se outra frente; ataca-se, realmente, Europa. Os jogadores do tabuleiro político mexem as suas peças e Espanha tem no seu interior peões que lhes podem ser uteis.

Não existe desigualdade no sentido nacionalista, acontece o inverso. Saíram contas sobre o que recebe, por exemplo, o outro polo nacionalista: o País Basco e Navarra, comunidades forais, em relação, por exemplo, a uma região mais que histórica e ancestral: A Galiza. Abruma e espanta. Um cidadão que habite na Galiza recebe menos 2.372 euros que o cidadão que vive no País Basco. No entanto, existe outra região de Espanha que se chama Valencia onde o cidadão ainda é mais descriminado porque recebe menos 2.850 euros. E realço que são privilégios forais. São privilégios pelos quais os Carlistas (Absolutistas) fizeram guerra. Não existem pátrias no caso Espanhol; existem privilégios. E são estes peões que saltam quando Inglaterra treme perante a exigência europeia.

bandeira espanhol

Felizmente não gosto da política e dos políticos. E o mau e diabólico Madrid- o bicho das sete cabeças- recebe 1.883 euros per capita. É a terceira Comunidade a contar pelo fim da fila. Recebe menos 2.771 euros que a “vítima” Basca. Julguem. Pensem. Riam-se se quiserem, mas, aqui está a realidade dos números. E esta é a realidade dos desequilíbrios regionais que vive Espanha. A Culpa? A culpa está coxa; cega e manca. A culpa é irmã de todo o arco parlamentar que permite isto. Esquerda; direita, centro e galinheiro.

Mas Espanha tem algo belo para poder pensar nessa terra que viu chegar todas as invasões e é mestiça desde os Pirenéus até a Finisterra; desde Finisterra até Algeciras. Tem Salvador Dalí; tem Valle-Inclán; tem Goya; tem António Machado; tem Unamuno; tem Cervantes; tem Velasquez e tem Torrente Ballester autor, possivelmente, do romance cimeiro da Literatura espanhola do século XX chamado Don Juan. Curiosamente, parece que é um autor que está arquivado no baú dos especialistas e do furor das reedições. Pode ser que o litígio entre os herdeiros levara a esse beco; mas, para além dos herdeiros, está a Obra.

Dias passados, estava sentado numa esplanada da Baixa de Lisboa. Enquanto conversava foi surpreendido por uma voz feminina que falava Espanhol. Pedia informação. Entrei em diálogo. Acabamos a falar numa outra Língua que existe em Espanha: o Galego. Perguntou-me por uma edificação de prédios novos. Respondi-lhe que existira dinheiro público na sua construção, no entanto, que acabara em Leilão em malas chinesas. Admirou-se. Era uma mulher da minha geração. Respondi-lhe: a nossa geração sonhou muito, mas, fomos castrados…. Disse-me que era verdade e perguntou-me que podíamos fazer…. Respondi, sem forças e sem alegria, comer e beber… disse-me: “pois…”

Talvez possamos, além de beber e fumar, contemplar os rios das nossas aldeias se está deflorestação criminal que se vive nos permitir. A água está escassa. O dinheiro anda ainda mais escasso e a vegetação sofre os calafrios da seca. Os animais não pastam; os mares estão arrasados; o McDonald`s cresce e vende. Vende e ganha. Todos aqueles que são filhos, culturalmente, do Maio de 68 ou das revoltas de Berkeley sonharam o Mundo e viveram a Ideia; a Utopia, mas, não contaram com a máquina que sega a Natureza.

Foto: pesquisa Google

01dez17

 

 

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2 Comments

  1. josé luís montero

    “….se chama Valencia onde o cidadão ainda é mais descriminado porque recebe menos 2.850 euros. ”

    nesta frase está a palavra “descriminado” e a correcta neste caso é “discriminado”

    Desculpem a gralha. Obrigado.

    José Luís Montero

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