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Carta ao indefinido

Bruno Ivo Ribeiro (*)

Escrevi na areia molhada o teu nome e então apercebi-me de quanto sonho e céu tens nos teus olhos. E assim em carta escrevo os versos que nunca vivi.

Comungo nos teus olhos, o anoitecer que se faz sentir dentro do meu peito.

O sol que vejo onde se espelha a tua alma, é o sol que me sustem as brasas deste anoitecer no meu peito.

Tens o brilho das estrelas em cada fio de cabelo, e a areia da praia é como um mar que se espraia entre nós.

Rochas de passado, a desfazerem-se em areias da memória. E ficamos sós.

Sós ficamos, nulos e mudos, e assim seguimos.

Afundamos os pés na areia e o lençol de espuma salgada cobre-nos os dedos como se estivessem a jogar às escondidas, e de espreitadela em espreitadela, anoitece em mim o sol dos teus lindos olhos.

A noite virá, antes queria que tardasse. Mas na verdade, há apenas a luz e o teu brilho de estrela a fundirem-se com a espuma e a água deste mar que varre de nós o tempo, e o aparta para bem longe.

A areia foge, mas nós ficamos, e de cada vez que ficamos, afundamo-nos mais e mais.

A maré desce, e então sim anoitece.

Foi-se o sol, ficou a espuma, resta o brilho e a água que a ritmo de compasso quaternário vai, volta, torna e retorna sempre para devolver o que sempre lhe pertenceu…

A maré cai no oceano, e a praia principia em nós. Somos tão areia com a praia, como a água é oceano no mar largo e longínquo.

Como piano, a melodia da noite, vai-nos cingindo, impelindo ao aconchego que encontramos nos braços um do outro.

TROVOADA LITERÁRIA_BRUNO RIBEIRO_MARÇO 2018

Olho-te mais uma vez nos olhos, e vejo neles todo o universo que chora pelo que sonha, e sorrimos…

Vejo nos teus olhos as ondas que não encontro em mar algum, e amo no teu sorriso, o movimento ondulante que renova o sentimento com que ama o areal.

Estou inundado por dentro, sorrindo por fora. Estou tão inundado por fora, e por estar a sorrir tanto, que os meus olhos não aguentam o oceano aprisionado que se quer soltar de dentro, para fora…

Choro, e é só mais um pouco de água com sal, a pingar para toda a água salgada que nos salga os pés…

Pinga a pinga se enche assim o mar com mais três gotas minhas, de sorrisos meus por ti, com amor verdadeiro pelo nós.

Estamos de pé, persistimos frente a frente, como se a maré nos fosse derrubar de cada vez que nos alcança os tornozelos…

Os teus olhos sorriem, os meus só choram de alegria… valem mais os teus que sorriem como quem sorri, e que não juntam, como os meus, o choro triste ao fado alegre…

Já te disse que os teus cabelos são verdadeiramente lindos?

Se não o disse, então repito-o…em número dobrado ao das estrelas que és capaz de contar, tão só porque simplesmente, por cada ponta de cabelo teu, está um motivo de cada meu sorriso. E assim de sorriso em sorriso, tens esse brilho de alma que se espraia pelo oceano e que domina as intempéries.

Marte surge, e Vénus o acompanha no céu azul-marinho tão luzente como escuro.

Assim fica Marte, e assim suspende Vénus sua órbitra… estão imóveis para nós, como nós estamos um para o outro.

As mãos dadas, e os olhos amantes fitando-se em sorrisos loucos de loucas danças sonhadas… valsas verdadeiras de sonhos sinceros em corações de apaixonados…e assim se pinta a pauta desta sinfonia que escrevemos com os versos que somos, a tinta do que fomos, pela pena do que ansiamos ser…

Fazem-se as pautas, enchem-se os poemas de versos…e nota a nota se escreve este entardecer sonhado, nunca concebido na real realidade…apenas sentido e imaginado por quem ama, como quem ama, e para quem se ama…sempre amando de verdade, e nunca fingindo…

(*)texto e foto

01mar18

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1 Comment

  1. Carla Ribeiro

    Meu filho, Amar-te é uma palavra tão pequena para definir o que sente uma Mãe, quando te lê.
    Nunca desistas dos teus sonhos, por mais escarpados que sejam os caminhos, pois tens um mundo de portas abertas que esperam a tuas palavras e o teu caminhar.
    Sonha, sorri e caminha, sempre com esse amor que aprendeste desde o ventre.
    Namasté
    Beijinhos

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