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Nicolau Nasoni

Embora Nicolau Nasoni tenha nascido em San Giovanni Valdarno, no Grão-Ducado da Toscânia (região de Florença), a 2 de Junho de 1691, viveu e trabalhou no Porto, durante grande parte da sua vida.

Na sua infância e juventude, Niccolò Nasoni (o seu nome em italiano), conviveu muito com o seu avô, um funcionário da casa Davanzati, onde desempenhava as funções de administrador dos bens desta família nobre, a qual se relacionava com fidalgos do Porto, havendo mesmo registo de que alguns desses portugueses eram padrinhos dos irmãos de Nicolau Nasoni, o filho mais velho de um casal, cuja prole era de nove filhos.

Chafariz do Anjo
Chafariz do Anjo

Nasoni estudou com grandes mestres, na cidade de Siena, desenvolvendo aí a sua actividade como pintor, decorador e criador de arte efémera, nomeadamente, construindo e decorando arcos de triunfo, carros alegóricos e outras decorações para cerimónias da corte, ou para festas religiosas e populares. Foi também em Siena que fez a aprendizagem a nível de arquitectura.

Depois de Siena trabalhou em Roma e em Malta onde, em 1724, pintou em La Valeta algumas dependências do Palácio da Ordem de Malta, cujo do Grão-Mestre, em 1723, era o português  Frei António Manuel de Vilhena.

Na cidade de La Valeta estabeleceu conhecimento com o religioso portuense, Frei Roque de Távora e Noronha, irmão do deão da Sé do Porto, Jerónimo de Távora e Noronha Leme Cernache, que terá sido o responsável pela sua vinda para o Porto, em 1725. Assim, a convite deste, Nasoni veio trabalhar para o Porto, encontrando-se a cidade em “sede vacante”, ou seja, estava sem o seu bispo, pois este tinha sido nomeado Patriarca de Lisboa e, quem dirigia a Igreja, era o deão da Sé do Porto, D. Jerónimo de Távora e Noronha.

No Porto, Nasoni iniciou uma fulgurante carreira artística, dedicando-se à pintura cenográfica, barroca e prenunciadora do rococó, vindo depois também a riscar arquitectura, tornando-se rapidamente na figura cimeira da arte do Porto e do Norte da País, da primeira metade do século XVIII.

Frontaria da Igreja dos Clérigos
Frontaria da Igreja dos Clérigos
Torre e Igreja dos Clérigos
Torre e Igreja dos Clérigos

Logo em Novembro de 1725, há notícia de que iniciou um trabalho de pinturas na Sé do Porto, edifício que, embora de matriz românica, se encontrava nessa época, em profunda remodelação, com a introdução de alterações em estilo barroco. Acompanhado por “arquitectos” portugueses, nomeadamente por Miguel Francisco da Silva e António Pereira, Nicolau Nasoni prosseguiu os trabalhos na Sé, que decorreram durante muitos anos, nos quais o italiano deixou uma marca inconfundível, nas obras que realizou: inovações na fachada Norte, concepção de uma nova fachada para a igreja, a galilé lateral e a idealização do gracioso Chafariz do Anjo São Miguel, adoçado à Casa do Despacho da Sé,… Apesar da sua influência e das tendências artísticas da época, os seus projectos mantém os tradicionais azulejos pintados, tão significativamente portugueses.

Palácio de Mateus
Palácio de Mateus
Igreja do Bom Jesus de Matosinhos
Igreja do Bom Jesus de Matosinhos

A sua estada na cidade levou-o a estabilizar aqui a sua vida, casando-se nesta terra, em 1729, com uma fidalga napolitana, D. Isabel Castriotto Riccardi, que viria a falecer um ano mais tarde, provavelmente na sequência de complicações do parto do seu único filho, de nome José, nascido alguns dias antes, a 8 de Junho. José teve como padrinho, um fidalgo portuense, da família Noronha e Meneses que, mais tarde, encomendou a Nasoni a obra da casa e do jardim da Quinta da Prelada. Foi exactamente por influência deste mesmo fidalgo que, em 1731, Nasoni foi convidado a fazer um projecto para aquela que é a actual Igreja dos Clérigos, trabalho que o ocupou durante três décadas e o imortalizou, embora com esta construção não tenha usufruído de qualquer rendimento, pois fê-la de forma gratuita.

No mesmo ano em que aceitou esta empreitada, voltou a casar-se, desta vez com a portuguesa Antónia Mascarenhas Malafaia, com a qual teve cinco filhos.

Igreja da Misericórdia
Igreja da Misericórdia
Palácio do Freixo
Palácio do Freixo
Palácio de Bonjóia
Palácio de Bonjóia

Para lá da obra máxima de Nasoni, a Igreja e a Torre dos Clérigos, este autor foi realizando inúmeros trabalhos no Porto e um pouco por todo o Norte de Portugal, embora muitas das obras que lhe são atribuídas suscitem algumas dúvidas aos historiadores de arte, quanto à sua verdadeira autoria. Contudo, destacamos aqui algumas edificações que têm a sua marca, como a fachada principal da Igreja do Senhor Bom Jesus (em Matosinhos), o corpo central do Palácio de Mateus (em Vila Real) e, no Porto, a fachada da Igreja da Misericórdia, o Palácio do Freixo, o retábulo na Igreja de Santo Ildefonso, o Palácio na Quinta da Bonjóia.

Nasoni deixou-nos um legado de incalculável beleza que diferencia o Porto como uma cidade marcada pelo barroco e o rococó, em toda a sua opulência, exibindo a riqueza da talha dourada, o fino recorte do granito trabalhado com perfeição, a imponência dos mármores, a beleza das cenas apresentadas nos azulejos.

Nicolau Nasoni faleceu no Porto, em 1773, no dia 30 de Agosto, com a idade de 82 anos, assistido pelos Irmãos da Irmandade dos Clérigos, ficando assim registado o seu óbito:

«Faleceu da vida presente com todos os Sacramentos o nosso Irmao D. Nicolau Nasoni, e foi sepultado nesta Igreja sendo asestido pela Irmandade como pobre e se lhe fiserão os tres oficios como tambem o da sepultura.»

Texto: Maximina Girão Ribeiro

Fotos: pesquisa Google

Nota: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

01set18

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