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Se não fosse assim, nada seria

Bruno Ivo Ribeiro (*)

 Perguntar o Ser, é negar o não ser que se é, e não é, simultaneamente.

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Passa o tempo, e morto sigo pela estrada recortada, até que por fim vou desaguar no leito do meu sangue.

Alheio a quem fui, desconhecido de quem sou, assim me arrasto pela vertente até ao afogamento de mim, para comigo, e em mim mesmo.

Assim segue todo o mundo, e assim vou eu também, desconcertado, desconcentrado e descontente.

Um dia fui estro de figueira, hoje só lume de oliveira, e em breve sobrará só escória, cinza e o indefinido indefinível.

Fecho o baquelite de minh’alma, e mergulho na umbra que meu esqueleto provoca quando lhe incide a vela do fado e da vida, que em breve, será morte que vive.

Assim taciturno navego, assim escondido mergulho, e assim desviado sigo. Só, nulo e atónito, por entre sombras e mares de gentes indiscreta e para mim em tudo desconhecidas. Bebem, folgam e gozam, e eu que nem bebo nem folgo, sorrio, não como quem inveja ou desdenha, mas coo quem ama ao longe, e porque receia aproximar-se, prefere ficar lá longe, onde tudo pode ver, sem de ninguém ser visto.

Aih… fosse minh’alma um alabastro, para que me pudesse enxergar além do horizonte. Mas bom, redundo na facticidade do existente e concordo, que se algo o é deste ou daquele modo, então esse algo assim o deve ser, caso contrário, e óbvio é, seria de um outro modo.

E pronto, estou sem estar, escrevo por estar afogado, e como se a única coisa que me faltasse dizer ou fazer, fosse morrer.

É…há dias assim, estou como o tempo neste trigésimo primeiro dia de julho, estou como nunca estive, e prostrado sobre o computador escrevo o que nunca direi a alguém ou ninguém

É…há momentos assim, momentos que não passam, horas que não voam, e minutos que choram os soluços embargados em todos os sessenta segundos que o compõem.

É…houve um momento assim.

Amar é não olhar a sinais, códigos ou leis. Amar é não olhar simplesmente.

Amar é estar louco, mas loucura é não amar.

Amar é produzir com o coração aquilo que faz mover melhor o coração dos outros.

(*)Texto e foto

01out18

 

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