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José Botelho de Carvalho Araújo

Desta vez, escrevemos sobre um herói da Grande Guerra (1.ª Guerra Mundial) José Botelho de Carvalho Araújo nascido, casualmente, no Porto, quando seus pais se encontravam de visita a familiares, numa altura em que a avó materna se encontrava gravemente doente. O seu nascimento ocorreu a 18 de Maio de 1881, na casa desses familiares que viviam na freguesia de São Nicolau.

José Botelho de Carvalho Araújo era filho de José de Carvalho Araújo e de D. Margarida Ferreira Botelho de Araújo, residentes em Vila Real, terra de onde eram oriundos os antepassados mais próximos. Tanto a família de seu pai (Araújo), como a de sua mãe (Botelho) tinham origem na nobreza portuguesa e galega. O pequeno José viveu os primeiros meses no Porto e depois cresceu em Vila Real, fazendo aí a instrução primária e os estudos liceais. Mas, entre 1897 e 1899, voltou ao Porto para frequentar a Academia Politécnica, onde efectuou os preparatórios para a Escola Naval, tendo ingressado na Marinha como Aspirante, em 1899.

Cumpriu uma carreira brilhante, na Marinha, tendo ascendido, sucessivamente, ao posto de Guarda Marinha, depois ao de Tenente e ao de 1º Tenente e, a título póstumo, foi nomeado Capitão Tenente.

Casou em 13 de Janeiro de 1906 com Dona Ester Ferreira de Abreu, sua parente afastada, com quem teve sete filhos.

A sua vida foi marcada por diversos focos de interesse e devoção, nomeadamente a família, a sua terra (Vila Real), o mar e os ideais republicanos…

Para além de militar da Marinha, Carvalho Araújo foi, também, jornalista, deputado da Assembleia Constituinte e governador em Inhambane, Moçambique, entre 1916 a 1918.

Das suas muitas viagens ficaram muitos postais ilustrados que ia adquirindo, não só para dar notícias mas, para reunir numa colecção, numa época em que este meio de comunicação, o postal ilustrado, era uma verdadeira novidade! Através desses postais podem-se recolher verdadeiras preciosidades, quer em imagens, quer em relatos de acontecimentos.

1918: Navio "Augusto de Castilho"
1918: Navio “Augusto de Castilho”

Na Marinha prestou serviço em vários navios e desempenhou missões relevantes, uma das quais no “Augusto de Castilho”, um antigo arrastão de pesca, transformado em navio-patrulha, em cuja ponte viria a morrer. Foi no comando desta embarcação, cuja missão era patrulhar as carreiras dos paquetes que transportavam passageiros, entre os arquipélagos da Madeira e dos Açores que, quando comboiava o navio “São Miguel”, entre o Funchal e Ponta Delgada, na madrugada de 14 de Outubro de 1918, surgiu o submarino alemão “U 139”, que atacou brutalmente o “São Miguel”. Foi um combate desigual entre o gigante alemão e o navio português. Carvalho Araújo sucumbiu ao comando do seu navio, ficando para sempre registada a sua heroicidade, pois pouco antes de falecer mandou içar a bandeira nacional, afirmando “Hei- -de morrer como português!”

"Ilustração Portuguesa" de 28 de Outubro de 1918, alusiva ao afundamento do "Augusto de Castilho"
“Ilustração Portuguesa” de 28 de Outubro de 1918, alusiva ao afundamento do “Augusto de Castilho”

Estava-se já na parte final da guerra, com a Alemanha praticamente derrotada e o armistício já negociado, o qual seria concretizado a 11 Novembro de 1918. Assim, a poucos dias antes do final da 1ª Guerra Mundial, morria Carvalho Araújo, atingido por estilhaços das granadas lançadas pelo submarino alemão. Com esta perigosa missão que lhe estava destinada e que não recusou, ele próprio parecia adivinhar o desfecho, pois sabia que ia para uma zona onde os submarinos inimigos actuavam e o navio que ele comandava era frágil e mal artilhado. Carvalho Araújo considerava que se tratava de uma comissão perigosa que lhe tinha sido atribuída, como perseguição política, ou não fosse ele considerado como inimigo de Sidónio Pais.

Combate do "Augusto Castilho". Quadro de Elisa Felismino, exposto no Museu da Marinha
Combate do “Augusto Castilho”. Quadro de Elisa Felismino, exposto no Museu da Marinha

O comandante José Botelho de Carvalho Araújo protagonizou um dos mais importantes combates da Marinha Portuguesa, combatendo com artilharia contra o submarino alemão, durante mais de duas horas, mas conseguindo garantir a fuga e a sobrevivência de todos os tripulantes e passageiros do “S. Miguel”, entre homens, mulheres e crianças.

Palavras do comandante do submarino alemão
Palavras do comandante do submarino alemão
Estátua de Carvalho Araújo, em Vila Real
Estátua de Carvalho Araújo, em Vila Real

Morreu em combate, com apenas 37 anos, no mesmo dia em que, bem longe daquele local de tragédia nascia a última das suas filhas.

Texto: Maximina Girão Ribeiro

Fotos: pesquisa Google

OBS: Por vontade da autora e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc e Tal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

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