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Um País vestido de Amarelo

Miguel Correia

Os Franceses libertaram-se da fraca imagem herdada durante a 2.ª Guerra Mundial. Enquanto a geração mais nova foi procurar a justificação ao Google, os mais velhos recordam que os gauleses assinaram um acordo de rendição, com as tropas nazis, para evitar a destruição do património. Sete décadas depois – motivados pelo constante aumento de impostos e medidas de austeridade – resolveram dar conta da sua revolta através de manifestações de rua. O mundo ficou a conhecer, desta forma, o movimento dos coletes amarelos. Nascido no Facebook e criado por automobilistas, operários e agricultores fartos de dar dinheiro ao Estado. Uma pesquisa mais aprofundada revela que um Tuga esteve na criação deste movimento. Leandro António Nogueira, natural da Póvoa Varzim, reside em Dordogne e conta com mais de 68.000 membros no seu grupo, com o propósito de mobilizar cidadãos contra as medidas governamentais. A onda de contestação alastrou-se aos países vizinhos. Itália e Bélgica registaram, tal como em França, confrontos violentos contra as autoridades. Contudo, a determinação dos cidadãos foi fundamental e várias medidas de austeridade foram revertidas. Motivados pela onda revolucionária francesa, os Tugas resolveram importar este movimento…

O evento foi criado no Facebook…. e foi lá que começou a definhar. É sabido que os utilizadores gostam de estar presentes virtualmente, mas sem sair da casa. Um simples click confirma a presença. E, em pouco tempo, havia mais de 50.000 pessoas com presença confirmada. Fruto das partilhas constantes, o “movimento dos coletes amarelos à francesa” começou a ficar importante e bastante visível. Mesmo desconhecendo os mentores de tal gesto de revolta. A indignação subiu de tom quando, subitamente, a página do Facebook foi eliminada (um ato de censura fica sempre bem numa manifestação).

A promessa de parar Portugal – em 25 locais escolhidos pela organização – ganhava uma força nunca vista! Todos estavam confiantes na fórmula francesa! O grande dia chegou! E trouxe o desânimo e frustração! O país não parou e, por volta das 10:00, a organização assumiu o fracasso com a cobardia dos Portugueses. Inclusive, uma das imagens que fica para a posteridade é o elevado número de agentes da autoridade (dobro ou triplo) a observar os poucos manifestantes com colete vestido! Os órgãos de comunicação social – que marcaram presença – conseguiram mostrar a falta de manifestantes nas ruas. Uns aproveitaram para passear e aliviar o cão, outros passaram por lá a caminho do trabalho e alguns por mera curiosidade. Afinal, nunca se tinha visto nada deste género por cá! Os poucos resistentes optaram por uma forma de luta inédita: irritar os condutores atravessando constantemente as passadeiras de peões, perante o olhar magnânimo dos polícias. Sempre em maior número…

Falhou a importação do movimento dos coletes amarelos. As lojas chinesas – à semelhança do que se passou com a bandeira nacional em 2004 – já se preparavam para faturar com a acentuada procura de coletes amarelos. Vão ter de esperar por Maio e tentar vender alguns aos peregrinos de Fátima. Mantivemos a nossa imagem inalterada (de povo que faz revoluções pacíficas). E continuamos a desembolsar dinheiro para pagar dívidas de oportunistas e trafulhas! Talvez, numa próxima oportunidade, resolvam envolver os taxistas! Porque têm experiência – e força mais que suficiente – para enfrentar as autoridades e bloquear, durante dias, as principais avenidas de Lisboa e Porto. E, se nos servir de consolação, também vestem coletes amarelos… dos chineses, pois claro!

Foto: pesquisa Google

01fev19

 

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