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Pela calada do Multibanco

Miguel Correia

Os vários serviços noticiosos, dos órgãos de comunicação de Terras Tugas, deram conta de um novo record no valor das despesas efetuadas a crédito. Segundo os analistas mais otimistas, a recuperação da economia e confiança dos consumidores levaram a que mais Tugas recorressem aos cartões de crédito e empréstimos para a compra de carro. Os analistas mais pessimistas alertam para o número de contratos realizados e pessoas que estão, atualmente, em incumprimento no pagamento dos cartões. O chamado “crédito mal parado”. Sempre achei esta expressão caricata! Então, se não o pagam… o crédito está bem parado! É corrigir isso.

O Banco de Portugal – como agente regulador – tem motivado alguns alertas e, inclusive, o Governo tem pedido vigilância perante a escalada vertiginosa destes financiamentos. Contudo, será legítimo culpar o consumidor?! Sabemos que se dá bastante relevância ao estatuto social e que, se o vizinho do 3.º andar compra um Mercedes, eu tenho de ter um melhor! Se a vizinha do 2.º andar – uma maltrapilha que até tem empregada doméstica – vai passar férias às Caraíbas, eu tenho de fazer um cruzeiro! É simples. E não faltam agentes de crédito, que me compreendem e se prontificam para dar uma lição nos pindéricos dos meus vizinhos! Viver como um pobretana?! Jamais! Afinal, é tudo tão simples! E tenho uma década completa para pagar…

Os bancos alimentam este espírito de grandeza e isso é facilmente comprovado junto das caixas multibanco. Numa ação aparentemente concertada – pois todas as agências o praticam – fizeram desaparecer as notas de cinco euros da rede multibanco. É raro conseguir encontrar uma maquineta que consiga entregar notas deste valor. Quem quiser, é obrigado a levantar dez euros da conta à ordem moribunda. E já encontrei algumas que apenas permitem o levantamento de vinte euros. Num rápido exercício matemático – ter vinte euros quando apenas se quer cinco – significa ter quatro vezes mais. Sabemos que o dinheiro é alérgico à carteira (não fica lá muito tempo) e, como tal, será gasto noutras coisas inúteis e dispensáveis. O maldito consumismo! Arre… Eu, na qualidade de homem casado, congratulo-me. Aliás, foi das poucas vezes que consegui sentir uma nota de vinte euros. Uma sensação única: porque já não tenho saldo para efetuar mais levantamentos até ao próximo vencimento.

A economia cresce e o consumismo atinge valores nunca vistos e as dívidas valores preocupantes. Um povo que sofreu na pele os efeitos da crise (resgate financeiro) vive para a loucura do momento, sem qualquer plano para o futuro. Se necessário, telefona-se para aqueles concursos dos programas matinais que dão carros e muito dinheiro. Nem que depois, se combine um plano de pagamentos com a operadora do serviço de telefone para liquidar o investimento… diga-se, as chamadas de valor acrescentado.

Foto: pesquisa Google

01mar19

 

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1 Comment

  1. Gabriela Sá

    O dinheiro é mesmo muito claustrofóbico. E na é só na tua carteira, na minha é uma consumição… Beijo

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