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Sericaia

A Sericaia, também conhecida por Sericá ou Cericá, é um doce tipicamente alentejano, com marcas da doçaria conventual,  em que há uma abundante utilização de ovos e canela. e tem a sua origem no Convento das Clarissas, Foi fundado  em 1526 e onde merece destaque a igreja com os diversos tipos de azulejos do sec. XVII que revestem as suas paredes e que são dos melhores exemplares da cidade.

Convento das Clarissas

A Ordem das Clarissas, filhas espirituais de Santa Clara de Assis, chegou a Portugal via Coimbra. Mais tarde as religiosas fixaram-se em Lisboa e Lamego, antes de serem recebidas em Évora em 1452.

Os doces conventuais a partir do século XV, com a divulgação e a expansão do açúcar, atingiram notoriedade. Até que com a chegada em larga escala do açúcar das colónias Portuguesas, um novo destino foi dado para as gemas de sobra que até aí serviam para alimentar animais, a inspiração as mãos habilidosas das freiras do Convento de Elvas e de Vila Viçosa, juntaram as gemas ao açúcar e iniciaram aquilo que hoje se denomina de Doçaria Conventual.

Freiras Clarissas

Muitas das mulheres que viviam nos Conventos não eram Freiras, viviam lá por obrigação paternal e imposição social. Muitas delas como ocupação foram aprimorando estas preciosas receitas. Este excedente de gemas era derivado do fato de só usarem as claras que serviam para engomar as vestes de homens elegantes e ricos e das vestes de quem servia na igreja, eram também vendidas para purificar o vinho branco.

Quando da extinção das Ordens Religiosas em Portugal no século XVIII, as freiras e monges tiveram que arranjar maneira de angariar dinheiro para o seu sustento e assim pagar a quem as recolhia. Fazer os famosos Doces Conventuais foi uma forma encontrada, como gratidão, pelo acolhimento as receitas de Doces Conventuais portugueses foram passando para outras mulheres que as fizeram passar vivas de geração em geração até aos nossos dias.

A Sericaia  é um doce decorado com as famosas Ameixas d’Elvas confitadas e escorridas.

Ameixas de Elvas

O toque da canela e a textura fofa fazem deste doce uma verdadeira delícia. No entanto, o segredo deste doce conventual, mais do que os ingredientes utilizados, está na forma de o deitar, num prato de barro, ou faiança, às colheradas desencontradas.  Ao cozer a Sericaia, esta deverá abrir gretas à superfície, dando-lhe o seu aspeto característico.

Ingredientes

Grau de dificuldade      fácil

Custo                              médio

Tempo preparação    60 minutos

Tempo cozedura         30/40 minutos

Número de doses       0

Ingredientes

– casca de 1 limão

– ½ litro de leite

– 1 pau de canela (grande)

– sal q.b.

– 6 ovos (grandes)

– 75 g de farinha

– 250 g de açúcar

– canela em pó q.b.

– ameixas de Elvas em calda

Preparação:

– Num tacho, ferva o leite com a casca do limão, o pau de canela e um pouco de sal.

– Depois de ferver, retire do lume e deixe arrefecer.

– Entretanto separe as gemas das claras.

– Numa tigela, bata as gemas muito bem com o açúcar até ficar esbranquiçada e fofa.

– À parte, dissolva a farinha, pouco a pouco, no leite frio e adicione ao creme das gemas lentamente.

-Leve todo o preparado a engrossar, lentamente, em lume brando.

-Retire do calor, tire a casca do limão e o pau de canela. Deixe arrefecer.

­-De seguida, bata as claras em castelo e envolva delicadamente ao preparado dos ovos.

Dica: – Junte uma pitadinha de sal às claras, pois assim sobem mais firmes.

-Deite o creme num prato de barro fundo, às colheradas desencontradas, polvilhe com canela em pó e leve a cozer ao forno, previamente aquecido a 200º, cerca de 30-40 minutos.

A Sericaia deve ser acompanhada de um néctar dos deuses o Moscatel de Setúbal que é sol em garrafa. Este é um vinho que tem que ser tomado mais fresco, precisamente para que não se torne
demasiado doce. Não se deve consumir acima dos 20 graus, a temperatura é uma das coisas mais importantes.

A fama e o prestígio do Moscatel de Setúbal vem de longe, no entanto, a sua produção continua limitada.

A história da produção desta bebida licorosa na região está documentada desde o século XIII.

Em 1381, o Rei Ricardo II de Inglaterra mencionava a importação de Moscatel de Setúbal, e no século XVII, Luís XIV – o “Rei Sol”, não o dispensava nas festas no palácio de Versalhes e muitos outros reis da Europa, não o dispensavam.

O vinho Moscatel de Setúbal é considerado um dos melhores do mundo.

Cada doce conventual desperta o paladar e abre o mundo dos sonhos, acompanhado de um néctar.

Venha viver essa doce experiência.

 

Texto: Carmen Navarro

Fotos: Luís Navarro e pesquisa Google

 

                                                                                                   01mar19

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