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CARNAVAL DE OVAR – UM ESPETÁCULO QUE SOUBE A POUCO! OS VENCEDORES FORAM: A COSTA DE PRATA (SAMBA), BARULHENTAS (PASSERELLE) E PINGUINS (CARNAVALESCO)

Foi com uma certa amargura e desilusão, que, a comunidade ovarense que durante todo o ano se dedica empenhadamente no sucesso dos principais desfiles do Carnaval de Ovar, viu o mau tempo, com chuva e fortes ventos, impedir a saída do Cortejo na terça-feira de Carnaval, a exemplo, aliás, de muitos outros “carnavais” do país.

José Lopes

(texto e fotos)

Apesar do diversificado programa de Carnaval ter proporcionado um mês de muita folia em diferentes palcos, os espetáculos que representam o ponto alto e final desta grande festa das multidões na cidade de Ovar, como os desfiles das escolas de samba e carnavalescos, acabaram por saber a pouco ao reduzir todo o trabalho pensado, planeado, produzido e concretizado, a um só dia (domingo).

Ainda que ao nível do samba, o seu desfile noturno tenha decorrido no sábado com lotação esgotada, tal como aconteceu no domingo nas bancadas, num espetáculo sempre exuberante em que cada escola de samba mostra o seu samba enredo, composição de letra e melodia, anualmente estudados e programados, naquele que é o seu palco para desfilar com muito ritmo das baterias, e brilho multicolor, com centenas de componentes, como jovens sambistas, baianas, rainhas de bateria, que cada umas das quatro escolas de samba proporcionam perante um público que vai manifestando apoio e simpatia pelas suas preferências sambistas.

No domingo, mesmo com sabor a pouco, o desfile cumpriu os vários objetivos da organização, tanto no cumprimento de horários, como na progressão dos grupos com seus temas carnavalescos e passerelles, assim como o enredo das escolas de samba, numa Avenida a dar sinais de limitada lotação para a extraordinária adesão de público, que, com o Cortejo em andamento e a cumprir as exigências regulamentares do comportamentos dos grupos participantes, ainda se podiam observar longas filas junto das bilheteiras, para adquirir os únicos ingressos disponíveis, só para os lugares de peão, já difíceis de arranjar lugar para poder desfrutar no seu todo, de um tal espetáculo carnavalesco.

Mesmo limitado a um dia de espetáculo, e assumido que foi o cancelamento sem adiamento de novo desfile no fim de semana seguinte, em que o sol raiou mesmo envergonhado, o júri do Carnaval de Ovar encontrou os grandes vencedores de 2019, com a Escola de Samba Costa de Prata a ser pentacampeã. Um título que correspondeu às espectativas do público que se rendeu ao seu enredo “Bharat, o mundo das mil cores”. Seguiram-se: 2.º (lugar) Charanguinha; 3.º Juventude Vareira e 4.º Kan-Kans.

Já em Passerelle, o primeiro lugar foi alcançado pelas Barulhentas, que desfilaram com o tema “Matrioskas” e assim foram campeãs pela primeira vez exatamente no ano em que assinalaram 40 anos de existência. Seguiram-se surpresas espelhadas na classificação que ficou concluída desta forma: 2.º Palhacinhas; 3.º Melindrosas; 4.º Joanas do Arco da Velha; 5.º Levados do Diabo e por fim, 6.º Bailarinas de Válega.

Nos Carnavalescos, os Pinguins, veteranos em títulos e a assinalarem o seu 52.º aniversário, que tiveram como tema “No Mesmo Tom”, foram os grandes vencedores.

Nas classificações conhecidas na terça-feira o momento foi de muita alegria para os vencedores nas diferentes modalidades do desfile e de natural e saudável confraternização entre esta comunidade carnavalesca, que já pensa no Carnaval de 2020. Mas um inesperado erro na utilização do programa de votações, terá inflacionado a votação em dois grupos. Um erro assumido já depois de divulgada a pontuação geral, que acabou corrigida através de retirada de 12 pontos aos Marados e 10 aos Não Precisa. Decisão que implicou reajustar a classificação, ainda que sem qualquer interferência nos três primeiros lugares dos carnavalescos (1.º Pinguins, 2.º Xaxas e 3.º Marados).

Ainda no caso da classificação de Passerelle, uma outra novidade foi uma posição pública assumida pelo grupo “Os Bailarinos de Válega”, que, inconformados com o lugar que lhes foi ditado pelo júri este ano, decidiram criar uma comissão independente para analisar, item por item, a classificação atribuída ao grupo que declarou em comunicado e em nome dos seus associados, elementos, apoiantes e patrocinadores, “não poder ficar indiferente à pontuação atribuída ao nosso grupo”.

Sem a terça-feira para que todos os intervenientes pudessem dar tudo por tudo na exibição dos enredos sambistas ou dos temas carnavalescos, encerrando assim o Programa do Carnaval de Ovar. Este cartaz da folia acabaria por ser antecipado e o encerramento foi mesmo na Noite Mágica, que escapou ao mau tempo e repetiu a onda humana gigante que, vinda de vários pontos do norte e centro do país, particularmente de comboio, invadiu a cidade de Ovar, que, ultimamente sujeita a controle de garrafas de vidro ou objetos impróprios para tal festa, vai garantindo condições para uma massa compacta se movimentar entre espaços com oferta musical durante toda a madrugada.

Com mais ou menos polémicas nas classificações, na venda de ingressos para lugar de peão sem condições de usufruir plenamente do espetáculo durante algumas horas, ou no total de investimentos do Município responsável pelo Carnaval de Ovar cujo objetivo retorno na economia local não é consensual, tais são os contratos com empresas a exemplo da cerveja. A garantia dos seus principais protagonistas, que já trabalham para a próxima edição, é que esta grande festa volta a sair à rua com renovada imaginação, luz, cor e ritmo. Só dependendo mesmo de bom tempo para realizar os dois principais corsos (domingo e terça-feira) como manda a tradição.

01abr19

 

 

 

 

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