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Gasoil e Zagolina

Miguel Correia

Acabo de cumprir o meu dever cívico numa semana que deveria ser Santa, mas parece gerida pelo Pata Rachada (Diabo). Estacionada, na garagem, encontra-se uma viatura cujo montante investido no depósito de combustível supera, e de que maneira, o seu valor comercial! Aliás, atrevo-me a escrever que gastei num único dia o que vou gastando durante o mês. Olhar para o recibo ainda me causa arrepios! Tudo por culpa da comunicação social, que anuncia que o fim do mundo está próximo e revela-se na forma líquida, em derivados do petróleo…

Os Tugas – que não aderiram à moda ecológica dos carros elétricos – são obrigados a decidir se aguentam o combustível dos depósitos ou arriscam uma corrida frenética (e longos períodos de espera) nos postos de abastecimento. A greve dos camionistas de matérias perigosas colocou o país num impasse. Um dia bastou para que se esgotassem as reservas de algumas gasolineiras. Um fator preocupante e revelador de uma falta de planeamento e soluções em caso de crise mais grave! Houve registos de voos cancelados por falta de combustível e, claro, com estas coisas grandes que rasgam os céus, não convém facilitar…

O Governo – que começa a perder a paciência com tanta greve e gente a reclamar mais dinheiro – decretou o estado de crise energética e ativou a requisição civil. Alguns camiões cisterna conseguiram passar as forças de bloqueio com a intervenção e escolta das forças de autoridade. Espero que se lembrem que as viaturas da autoridade carecem de combustível. Seria irónico vê-los apeados por falta de “gasoil”! O INEM (Instituto Nacional Emergência Médica) também apelou à generosidade dos Tugas, para darem prioridade às suas viaturas aquando do abastecimento. Seria ridículo ver a equipa médica – já de si reduzida – responder às emergências chegando ao local com a viatura ao empurrão, ou com a força de pés, tal como no tempo dos Flinstones. Se bem que, por vezes, isso acontece…

A Terra dos Tugas está a viver um impasse. Não é habitual tamanho estado de preocupação por um líquido que não a vinhaça ou cerveja. Se até agora havia reclamações pelo constante aumento do preço dos combustíveis, agora, até podem vender dez vezes mais caro (atenção, não estou a dar ideias!). Os postos de combustível com maior reserva serão os que mais vão lucrar. Estaremos perante uma luta legítima de um sindicato ou, quem sabe, um plano maquiavélico com vista a outras intenções?! Enquanto pensam nisto, vou à garagem colocar um aloquete no acesso ao depósito. Não vá alguém começar a roubar a tão preciosa “zagolina”…

Foto: pesquisa Google

01mai19

 

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