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“O Porto” – A estátua que simboliza a cidade

Maximina Girão Ribeiro

Mil vezes fotografada em cada dia, mil vezes admirada por quem passa, mil vezes divulgada por todo o mundo… Eis que falamos de uma estátua que encerra a personificação de uma cidade – o Porto!

Pois, “o Porto” não é mais do que um guerreiro que ostenta uma couraça que lhe cobre o peito e a parte das costas, à cintura tem um gládio (espada de dois gumes), segura na mão direita uma longa lança e a mão esquerda pousa num escudo, colocado ao alto, mostrando as armas do Porto e a inscrição de Portus Cale. Tem a cabeça coberta com um elmo (capacete militar), encimado por um dragão. O guerreiro está envolto numa capa traçada e usa um saiote, acima dos joelhos. É esta a representação da cidade: um guerreiro, um defensor da urbe!

A estátua já permaneceu em vários pontos da cidade mas, desde 2013, encontra-se o mais perto possível do local para onde foi projectada: o frontão triangular sobre o corpo central do palacete Monteiro Moreira, uma residência burguesa, cujo edifício foi adaptado para servir como Paços do Concelho, situado na antiga Praça Nova das Hortas, a denominada Praça da Liberdade, espaço que hoje é ocupado pelo Banco de Portugal. Esta estátua esteve quase cem anos no frontão dos Paços do Concelho, a antiga Câmara Municipal do Porto.

Com a abertura da avenida dos Aliados, o velho edifício dos Paços do Concelho foi demolido e a estátua apeada. Depois, sucessivamente, esta estátua esteve ao lado do Paço Episcopal, enquanto este edifício funcionou como Câmara, entre 1916 e 1935; depois passou para junto da muralha medieval e, mais tarde, foi mudada para os Jardins do Palácio de Cristal, até que o arquitecto Fernando Távora colocou “O Porto”, de costas viradas para a cidade, no Terreiro da Sé, aquando da reconstrução do edifício conhecido como Casa dos 24.

Entre 1916 e 1935, “O Porto” esteve junto da câmara, que funcionava no Paço Episcopal

A estátua “O Porto”, talhada em granito, foi idealizada pelo santeiro João de Sousa Alão e encomendada ao mestre pedreiro João Silva que a esculpiu, em 1818, pelo valor de trezentos e quarenta três mil e duzentos reis (343$200), que lhe foram pagos em três prestações iguais.

Este símbolo da cidade do Porto é, com certeza, o herdeiro de uma outra velha estátua, conhecida como “O Porto primitivo”, uma pedra talhada de forma muito rude e tosca, talvez um alto-relevo, referenciada documentalmente, desde 1293, que esteve na rua das Eiras (próxima da Sé) e, mais tarde, em 1503, citada num documento publicado por Magalhães Basto, em que se indica que essa pedra se encontrava nos Açougues da rua Francisca, no velho e desaparecido quarteirão medieval, que existiu em frente à Sé, onde a estátua foi colocada sobre o portal de entrada dos Açougues (local de abastecimento de carne), demolidos para a abertura da então designada Praça da Penaventosa, hoje Largo Dr. Pedro Vitorino.

Assim, à chamada “pedra velha do Porto”, sucedeu a estátua alegórica de “O Porto” que se deseja que, por muitos anos, permaneça no local onde se encontra e que páre a sua itinerância pela cidade, pois onde se localiza, os seus olhos perscrutantes e a sua postura vigilante, vão tomando conta de nós…

OBS Por vontade da autora, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

Fotos: pesquisa Google

01jun19

 

 

 

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