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Atmosfera das Lendárias Cortes de Lamego

Lurdes Pereira

(texto e foto)

Parafraseando Fernando Marado, poeta lamecense…

(…)

Ao som de harpas e liras,

Lamego é um diamante

entre esmeraldas e safiras.

É unânime a forma como todos a apelidamos, mas também temos consciência que para lá do poema que a encanta, Lamego é uma cidade que no tempo de D. Afonso Henriques encheu punhados de história.

Já há alguns anos que por esta altura, o Bairro Histórico do Castelo de Lamego é, durante três dias, palco da Recriação Medieval em memória de D. Afonso Henriques e das Lendárias Cortes de Lamego.

A história alastrou para lá das muralhas do castelo. Adensaram-se os palcos pelas ruelas da Porta dos Figos, (dedicada à Nª Sª da Guia), até às ruas que levam ao jardim da República, (também conhecido por Jardim do Campo) passando pela Praça do Comércio. A cidade recebeu figuras nobres, mestres de ofício e servos da gleba, construíram-se tabernas de rua à moda medieval e, a somar a tantas atividades de sabor histórico, não faltaram arcos e flechas entre vários jogos de destreza e perícia que atraíram sobretudo os mais jovens.

Pelas ruas alguns artesãos trabalharam o ferro, a marcenaria que, entre outros ofícios, trouxeram para o presente memórias que vão ficando esquecidas na diáspora das profissões. Artes esquecidas, anuladas ou substituídas por outras de carácter mais brilhante ou mais apetecível ao gosto da sociedade de consumo, mas que os artesãos de hoje teimam em cuidar. Muito do artesanato comercializado em plena feira eram recriações de artefactos para recriar a história e as lendárias cortes, o mercado medieval, torneios de armas, saltimbancos e bailias com arruadas musicais acompanhados pelos cortejos temáticos.

Durante o dia e a noite foram três dias de festa, de feira e alegria, de teatros de rua e jogos que se perderam no tempo, não faltaram as bruxas nem a leitura de sinas.

Em Lamego foi recriado um clima de metamorfose que nos transportou na máquina do tempo. E para todos os que nela imprimiram o gosto da teatralidade, o certame teve a preocupação de se tornar didático numa linguagem descontraída, onde ecoaram ritmos de outrora, tão diferentes da atualidade.

Se no tempo de D. Afonso Henriques a vida era bárbara, aos olhos do evento a barbaridade caracterizou-se em artes e poesia em nome da história, da estória, da memória e da diversão do povo.

01jul19

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