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Vozes invejosas sedentas de servir os poderosos

José Lopes

Quando os comentadores de política ou economia formatados às lógicas neoliberais, parecem mais, vozes invejosas sedentas de servir os poderosos, reclamando do que dizem ser “presentes” e “bónus”, referindo-se ao último relatório do Conselho das Finanças sobre as contas do Estado, para concluir que Mário Centeno teve “presentes” como o resultante do crescimento dos impostos, em que terão sido cobrados mais 2 mil milhões de euros do que o previsto. Ao que acrescentam que por dia entraram nos cofres do Estado quase 6 milhões de euros além do que esperavam os governantes. Juntando ainda como um “bónus”, uma poupança extra em juros da dívida pública, de cerca de 170 milhões de euros. Ou seja, para estas vozes, um bolo extraordinário da atual governação, que não sendo previsível na perspetiva da direita, seria aceitável por estas vozes, caso a distribuição dos milhões “extra” fosse feita, segundo as suas alternativas ideológicas que melhor serviriam os interesses dos poderosos, continuando a deixar à margem as vítimas de sempre.

Os pobres não deixaram de ser pobres e o aumento do salário mínimo não resiste ao aumento do custo de vida. Mas o que mais preocupa estas vozes invejosas, não são a necessidade de mais justiça pela dignificação de quem trabalha no público ou no privado. O que une estas vozes é uma espécie de odio de estimação aos funcionários públicos e aos salários que, depois dos cortes no tempo que antecedeu a troika e durante a governação ao serviço da troika, era expectável beneficiarem do acordo de “recuperação de rendimentos”, mesmo com luta reivindicativa por direitos. Politica que resultou de opções ideológicas diferentes da que só tinham como caminho a austeridade sobre os trabalhadores, mesmo com este Governo a insistir no fundamentalismo do “défice zero” e todas as suas consequências no investimento público deficitário.

Tais vozes invejosas, que não se conseguem libertar dos mandamentos da austeridade deixados pela troika, que baixaram salários e destruíram serviços públicos, como que rejuvenescidos defensores dos serviços públicos de ocasião, contrapõem fanaticamente ao custo dos salários o inegável estado de falta de investimento público, como na Saúde. Mas curiosamente não questionam os sorvedouros de dinheiros públicos em que se tornaram as Parcerias Publico Privadas (PPP) fundamentalmente na Saúde. Opções naturalmente ideológicas destas vozes cujos interesses que representam, o atual quadro politico, por mais limitado que seja, e é, com riscos e ilusões à esquerda, acabou por estimular o debate politico e o enfrentamento dos interesses instalados que não abdicam facilmente do festim de dinheiros públicos de que vêm beneficiando na gestão de serviços públicos com garantia de lucro privado.

Para investir neste caminho, no da desvalorização dos salários e redução de funcionários públicos, fragilizando serviços públicos, as vozes invejosas já veriam com bons olhos “presentes” e “bónus” capazes de arrecadar milhões para sustentar “buracos” nos bancos e distribuir pelas PPP, assegurando ainda que à custa do continuado sacrifício do investimento público o défice zero. A velha e típica receita que continua a espreitar, caso tenham uma oportunidade para impor o seu revanchismo, depois de uma legislatura à revelia da tradição.

Foto: pesquisa Google

01jul19

 

 

 

 

 

 

 

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