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Cidália Meireles

A Cidália Meireles que vos apresento hoje não é a jornalista, pintora, poeta e professora brasileira, mas sim a nossa portuense Cidália Meireles, nascida em 9 de Maio de 1925, na rua de Santo Ildefonso, 440 – 1.º andar, aquela que tem uma rua com o seu nome, na cidade do Porto, como homenagem ao seu desempenho, enquanto personalidade ligada ao mundo artístico: cantora. Essa rua situa-se na freguesia do Bonfim, ligando as artérias de Santo Ildefonso com a de Morgado Mateus.

Apresento um breve apontamento sobre a vida desta fadista e cantora de música ligeira que, nos anos 40 do século XX levou bem longe a língua portuguesa, através das suas canções.

Cidália Meireles com as suas duas irmãs, Milita e Rosária demonstraram, desde muito jovens uma grande vocação artística participando, no Porto, em vários recitais poéticos e coreográficos e em emissões infantis – foram estas as primeiras aparições em público das irmãs Meireles.

Com dezasseis anos e vencendo várias dificuldades para se impor no meio artístico, Cidália Meireles começou a cantar, em Lisboa, na Rádio (Emissora Nacional). Em 1943, formou o “Trio Irmãs Meireles”, com as suas irmãs mais novas, Milita e Rosária, apresentando-se juntas, pela primeira vez, em Maio de 1943. Este grupo vocal especializou-se no folclore português, mas interpretava igualmente canções românticas, boleros, foxtrotte e outras músicas norte-americanas. O trio foi ensaiado e dirigido pelo maestro Tavares Belo que, para elas, fez vários arranjos vocais para cantarem com orquestra, ou “à capela”, técnica vocal pouco comum, na época.

O grupo alcançou um enorme êxito popular, tendo obtido, em 1944, o primeiro prémio do concurso de “Conjuntos Vocais”. Este foi o primeiro de muitos outros prémios musicais que venceram. A sua popularidade era já muito grande quando, em 1947, partiram em digressão pela América do Sul, visitando o Brasil e fazendo apresentações na Argentina, Chile e Uruguai. Só regressaram a Portugal, em 1949, a bordo do paquete “Itália” e, nesse mesmo ano, actuaram em Lisboa e Barcelona, regressando ao Brasil, onde iniciaram uma nova temporada, em São Paulo, com um contrato assinado com a Rádio Record.

As três jovens eram sempre acompanhadas por seu pai, José Meireles, que funcionava como empresário de suas filhas, gerindo contratos e dinheiro. Já conhecidas como “Rouxinóis de Portugal” eram ovacionadas e idolatradas em todos os lugares por onde passavam.

Nas suas digressões pelo estrangeiro, faziam questão de se apresentar com trajes típicos portugueses como, por exemplo, os fatos das noivas do Minho, do século XIX e interpretando as músicas populares, características do folclore português.

Foi em Santos, no Brasil, que Cidália conheceu o brasileiro Waldyr Moritz, engenheiro e empresário, com quem viria a casar-se, mesmo contra a vontade de seu pai. Cidália e Waldyr, casaram-se civilmente, no dia 30 de Dezembro de 1950, na cidade de Lima, no Peru, sem a presença dos pais, e, no dia 3 de Janeiro de 1951, na Igreja de Montserrat, também naquele país. Após o casamento, Cidália anunciou a sua saída do grupo, o Trio Vocal das Irmãs Meireles e iniciou uma carreira a solo, em São Paulo, onde passou a residir. Acabou, assim, o trio e iniciou-se a fulgurante carreira a solo de Cidália Meireles. Contudo, este trio ficaria para sempre na memória do público, não só pelo grande êxito alcançado, como pelo importante trabalho que as três artistas desenvolveram, ao longo do tempo de duração do grupo, na recolha de temas folclóricos e de preservação de tradições portuguesas, percorrendo o país para concretizarem o projecto.

Cidália Meireles prosseguiu a sua carreira e, de 1954 a 1964, cantou na Rádio Record, no Brasil. A partir de 1956, Cidália acumulou também a apresentação de programas na televisão brasileira, atingindo um enorme sucesso. Na sua carreira artística contou ainda com a participação em filmes, tendo feito a sua estreia cinematográfica, com grande êxito, em 1947, no filme “Aqui, Portugal”.

Foi galardoada com diversos prémios, nomeadamente o prémio “Roquete Pinto” nas categorias de “Melhor Cantora de música popular internacional” e “Melhor programa de TV” e o troféu “Guarani”, o mais alto prémio na indústria fonográfica, para o melhor álbum de música internacional do ano de 1957, pelo disco “Adega da Cidália”.

Cidália Meireles faleceu aos 47 anos, no dia 25 de Setembro de 1972.

 

Texto: Maximina Girão Ribeiro

Fotos: pesquisa Google

Obs: por vontade da autora, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

 

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