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Aí estão as Festas em honra da Senhora de Campanhã (Porto) que dia 08 de setembro têm o seu ponto alto…

O Vale de Campanhã, Porto, anima-se na primeira semana de Setembro com a festa da Padroeira da Freguesia, na Natividade de Nossa Senhora, dia 8, domingo. A imagem, séc. XIV, está na Matriz e a paróquia de Campanhã organiza a festa, com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, que envolve ainda as paróquias de Azevedo, Senhora do Calvário, e parte das do Bonfim, Antas e Areosa.

Vem do séc. XIII esta festa, mas já em 905 aqui se fazia a veneração de Santa Maria. O programa é marcado pela Missa das Associações de Campanhã (dia 1, hoje), encontro das crianças, adolescentes e idosos da ANC e do Centro Social do Calvário (dia 6), procissão de velas desde Bonjóia até à Matriz (dia 7), Missa da Festa (dia 8, domingo, às 11h) e, às 17h, procissão desde a capela de S. Roque até à igreja matriz.

Uma parte recreativa e cultural alarga os momentos da festa, com o Festival de grupos corais e musicais (dia 5) e, no dia 8, a Banda de Música de Gondomar, encerrando a Festa com fogo-de-artifício e despedida da Banda. No dia 15, às 12h é a chegada do 18.º Passeio de Bicicleta “Volta a Campanhã.

Neste ano centrou-se a festa no Adro da igreja, um templo do séc. XVIII (1714) à espera de restauro. Quase destruída nas invasões francesas e nas guerras liberais, a igreja foi sendo restaurada até 1905 quando lhe acrescentaram a capela-mor e a fachada. As imagens de calcário da Padroeira e da Senhora do Rosário e o teto pintado (1766), bem como o retábulo-mor clamam pela devida conservação. E o povo aguarda que chegue a hora de Campanhã, sabendo que muito tem para oferecer a uma cidade onde os turistas se acotovelam invadindo espaços que não dão para tanto.

A imagem de Maria tem o Menino nos braços, cetro de comando, pé descalço e vestes de rainha. É Mãe que olha para o Filho, sabendo que chegará um Tempo Novo para quem souber viver na esperança. Muitas lendas dos tempos da Reconquista cristã (séc. IX e X) estão ligadas a esta imagem, como às da Senhora de Vandoma e da Batalha.

O povo sente bem a proximidade de Maria e a ela recorre no calvário da vida ou nos momentos felizes. O seu olhar penetrante continua a propor:“Fazei o que Ele vos disser!”. E a devoção prolonga-se por S. Pedro, Monte do Forte, Furamontes e Areias, Cerco do Porto, Cartes, Vila Cova, Monte da Costa, Antas, Monte da “Vela”, Noeda, Bonfim e Formiga até ao Douro. No brasão da Freguesia vêem a Padroeira e Mãe que a cada um pega ao colo para abrace a vida olhando em frente.

As marcas das invasões de bárbaros e mouros, a destruição dos tempos da reconquista (905), a matriz e capelas, as fontes (Igreja, Granja, Gorgulhão e Contumil), os rios Tinto e Torto, os moinhos (Lagarteira), as pontes e as quintas dão originalidade a esta terra.

O povo não vai às grandes concentrações do centro da cidade mas sente-se identificado nestas formas simples de fazer a festa. E o turismo há-de descobrir este Porto-Nascente e aproveitar o que o distingue do resto da cidade: a Matriz, o Palácio do Freixo, as quintas Villar d’Allen, da Revolta, de Bonjóia, da Bela Vista e Parque de S. Roque, a Ponte D. Maria, a linha da Alfândega e as estações de Campanhã e Contumil, o estádio do Dragão, Parque Oriental e o passadiço de Rio Tinto ao Freixo, as velhas ilhas, ruelas e as margens dos rios Tinto e Torto, esteiro de Campanhã, o Matadouro renovado e a Central de Transportes… Campanhã é um mundo que o Porto não conhece, apesar de grande empenho autárquico desde há poucos anos.

Texto: Fernando Milheiro

Foto: Pedro N. Silva (Arquivo EeTj)

01set19

 

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