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Economicices (08)

Cristóvão Sá TTmenta

 

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO (II)

 

Como tinha referido anteriormente, abordarei nesta peça a outra face do “problema económico”. Seers (1979)[i], apesar da antiguidade do artigo – cuja leitura recomendo vivamente, ajuda-nos neste percurso reflexivo. Diz, de uma forma simples, que a noção de desenvolvimento tem algo de valorativo.

De facto, desenvolvimento tem significado diferente tanto quantas as cabeças que nele pensam. Mas não interessa aqui a falar em termos individuais. Neste sentido, o senso comum daria resposta sem estar a introduzir qualquer carácter científico à expressão. Para a Ciência Económica interessou e interessa estudar e teorizar sobre a realidade a partir da qual, atentos os fenómenos/variáveis determinantes, de forma a encontrar o conceito de desenvolvimento económico.

O desenvolvimento económico tem necessariamente de estabelecer uma comparação entre realidades económicas diferentes. Para melhor explicitar o raciocínio: entre as nações africanas há diferenças de nível de desenvolvimento; e, em geral, poderá dizer-se que os países da União Europeia são todos mais desenvolvidos economicamente que os de África. Então de que nos serviremos para estabelecer uma escala gradativa do desenvolvimento económico das nações?

Parece razoável aceitar-se que, estando aceite a noção das condições mínimas de subsistência, de forma universal, e sendo esta um dos indicadores de desenvolvimento, torna-se possível dizer se o país A está nesse patamar ou mesmo o supera. Ou, se ainda está num processo de aproximação.

Também é verdade quando falamos de taxa de mortalidade infantil. É comummente considerado que quanto maior for o desenvolvimento de um país menor é a sua taxa de mortalidade infantil. Segundo a Pordata, Portugal, em 1960, registava uma taxa (permilagem) de mortalidade infantil de 77.5. Ou seja, em cada mil nascimentos, perto de 78 morriam no primeiro ano de vida. A evolução (decréscimo) em 1970, 1980, 1990, 2000 e 2010 era respetivamente, 55.5, 24.3, 10.9, 5.5 e 2.5.  Pergunta: é este ou não um sinal de desenvolvimento? Também de crescimento económico? Provavelmente sim, pois pode-se em geral considerar que quanto maior o crescimento económico melhores condições estão criadas para uma melhoria dos indicadores de desenvolvimento económico e social.

A introdução da expressão social não é inocente. Pois é expectável que a Sociedade mais se desenvolve quanto melhores forem as condições de crescimento e desenvolvimento económicos.

Para aquele autor, falar do desenvolvimento de um país implica que tenhamos de ponderar qual tem sido o comportamento da pobreza, do desemprego e da distribuição do rendimento. E conclui, que se estes indicadores estão todos em queda, ou seja, mais pobreza, mais desemprego e aumento da desigualdade da distribuição da riqueza não se pode dizer que esse país é desenvolvido economicamente. Mesmo que o seu rendimento por habitante tenha aumentado.

Finalmente uma nota: as riquezas naturais de Angola e do Brasil não têm proporcionado uma situação de desenvolvimento económico das suas populações.

Voltamos ao que anteriormente dissemos: as condições de crescimento desenvolvimento económicos estão associadas, balizadas, pelas políticas aplicadas pelos governantes. Estas são muito determinadas pela filosofia e ideologia que influenciam as escolhas.

 

01set19

[i] SEERS, D. ( Análise Social, vol. XV (60), 1979 – 4.º, 949-968)

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