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“Gralhas nos textos atrasam publicação das leis”

Joaquim Castro

Esta notícia, só confirma o que aqui temos dito, sobre o deficiente conhecimento da língua portuguesa, por parte dos nossos políticos:

Em causa estão dúvidas de redação, como por exemplo, pontuação, uma vírgula fora de sítio ou dúvidas relativas à numeração.

Dos 108 diplomas enviados para Belém desde o início de julho, 38 demoraram mais de 15 dias a ser publicados em “Diário da República”, enquanto outros só precisaram de oito dias. Atrasos estão relacionados com erros nas redações do Governo.

As gralhas nos textos levaram a Casa da Moeda – responsável pela publicação dos diplomas – a pedir correções ao Executivo, avança o “Correio da Manhã”.

Em causa estão dúvidas de redação, como por exemplo, pontuação, uma vírgula fora de sítio ou dúvidas relativas à numeração.

Segundo o jornal, a lei que demorou mais tempo a publicar foi a décima alteração ao Estatuto dos Deputados: foram necessários 32 dias até ver a luz do dia.

O artigo lembra que não existem prazos para a publicação, mas a Lei do Orçamento do Estado tem que ser publicada até 31 de dezembro do ano anterior a que diz respeito”.

(Correio da Manhã – 19.08.2019)

 “RÚBRICA” REAPARECE EM FORÇA, NA SIC

O simpático programa “Olhá Festa”, da SIC, volta a pôr em evidência a falta de conhecimento de jornalistas e acompanhantes, na sua digressão de verão pelo país. Esta gralha linguística já aqui tem sido tratada.

Curiosamente, enquanto escrevo este texto, uma jornalista da SIC notícias, acaba de anunciar, a “rúbrica” que se segue.

A presença de alguém nas redacções, que possa olhar para estes deslizes, começa a ser uma necessidade, tal é o número de pontapés na gramática, que nos agridem todos os dias, números sem conta.

ESCRITOR “ORTELÃO”!

O jornal digital OBSERVADOR noticiou um incêndio, junto ao Hospital Garcia “da” Orta. Mas o nome correcto é Garcia “de” Orta (c. 1501 – 1568) um médico judeu português, que viveu na Índia.

Foi um autor pioneiro sobre botânica, farmacologia, medicina tropical e antropologia. É este judeu convertido que dá o nome ao Hospital Central de Almada. Infelizmente, há muita gente a trocar-lhe o nome, mesmo em meios, em que tal não deveria acontecer.

ISTO E AQUILO

Houve tempo, em que era moda, começar uma frase desta maneira: “Isto é assim…”. São modas que vão aparecendo, não se sabendo bem como se disseminam, sobretudo na comunicação verbal.

Por estes dias, a moda anda pela expressão, “aquilo que é”, ou “aquilo que são”. A ministra da Saúde, Marta Temido, usa muito essas expressões, que não sendo um erro, acaba por ser um chavão, já imitado por outros ministros. Vamos ver, quando é que esta moda acaba, para vir outra!

LOGÓTIPO E LOGOTIPO

Há quem escreva “logótipo” e quem escreva “logotipo”. Mas qual é a forma correcta? O termo refere-se a um conjunto formado por duas ou mais letras fundidas em um só tipo, compondo uma sigla, que identifica ou representa uma entidade. O assunto não é pacífico, havendo dicionários que registam o termo “logótipo”, assim como há outros que registam a forma “logotipo”.

Sobe o ponto de vista etimológico, o termo mais correcto parece ser “logótipo”, do grego “logos”, (palavra) + “typos” (tipo), tal como protótipo (do grego “protótypos”. Mas, uma coisa é a pronúncia etimológica recomendada, outra o hábito linguístico com que determinado termo acaba por se fixar na língua.

Deste modo, “logotipo” passou a ser uma forma legitimada pelo uso. Um caso semelhante refere-se a “termóstato”, dado que o termo se generalizou como “termostato”, havendo muitos falantes que não imaginam a existência das duas formas.

A GREVE E OS “ACORDOS” (Ó)

Qual é o plural de acordo? “acordos” (ô) ou “acordos” (ó)? Cá está uma palavra, que é bem pronunciada por muita gente, mas que é mal pronunciada, talvez, por muito mais gente. E paira sempre a dúvida, se estamos a pronunciar bem ou mal essa palavra.

Durante a greve dos motoristas de matérias perigosas, realizada recentemente, ficou bem patente que cada entidade envolvida no diferendo pronunciava esta palavra, de uma e de outra forma. Mas a forma correcta, é mesmo “acordos” (ô) e não “acordos” (ó).

Mas qual é o plural de “molho” (ô)? É “molhos” (ô), se referido a condimentos líquidos para temperar a comida. Mas é “molhos” (ó), se estivermos a falar de um braçado, como, por exemplo, de palha ou de erva.

CAMIÕES E “CAMIONS”

Durante a greve, anteriormente referida, houve outros atropelos à língua portuguesa. Não foi interessante ouvir o ministro do Ambiente, pronunciar várias vezes, na televisão, a palavra “camions”, em vez de “camiões”, como deve ser.

Os nossos governantes, em particular, e os nossos políticos, em geral, mostram muitas fragilidades no bom uso da língua portuguesa. Seria de considerar a existência de assessores de português, nos gabinetes ministeriais para ir corrigindo as asneiras. Ainda agora, o primeiro-ministro acaba de pronunciar “precaridade”, quando deveria ter dito “precariedade”.

Há outras palavras que têm esta terminação, a respeito das quais é possível estabelecer a mesma relação. Exemplos: contrariedade e contrário, arbitrariedade e arbitrário, impropriedade e impróprio, notoriedade e notório, obrigatoriedade e obrigatório, sobriedade e sóbrio, variedade e vário, solidariedade e solidário, entre outros casos.

UMA FEIRA QUASE RURAL!

A Câmara de Ovar promove uma feira de gado e de maquinaria agrícola, que se realiza, na freguesia de Válega, concelho de Ovar. Contudo, esta feira tem o pomposo e piroso nome de “Ovarural”. Ora, tal forma de escrita não segue as normas gramaticais, pois, para isso, teria de ser Ovar Rural. Como está, até pode ser Ova rural. Uma ova!

Apesar das sucessivas chamadas de atenção, o facto é que esta designação vai-se mantendo, ano após ano, num exercício gratuito de dar pontapés na gramática. Felizmente, ainda há quem repare neste disparate, corrigindo para Ovar Rural, tal com deve ser.

Nota: Por vezes, o autor também erra!

Fotos: pesquisa Google

01set19

 

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