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Infante D. Henrique

Foi este o quinto filho do rei D. João I de Portugal, o fundador da Dinastia de Avis e da rainha sua mulher, D. Filipa de Lencastre. Nasceu no Porto a 4 de Março de 1394, uma quarta-feira de Cinzas, dia que, na época, se considerava ser pouco propício, quase um mau presságio, para o nascimento de uma criança.

Entre os historiadores é praticamente consensual, que o Infante tenha nascido no edifício da antiga Alfândega do Porto, hoje a denominada Casa do Infante, onde também funcionou a Casa da Moeda, num amplo recinto, a oriente do edifício principal. Em finais do séc. XIV, o edifício da Alfândega Velha era o maior da cidade e tinha duas altas torres: uma funcionava como Alfândega (“almazém” régio) e a outra como habitação régia, quando algum rei se deslocava à cidade.

Esta segunda torre era ocupada permanentemente como habitação do almoxarife do rei, local onde se pensa que o casal real tenha ficado instalado, quando realizavam a visita à cidade, numa altura em que D. Filipa já estava em adiantado estado de gestação. Contudo, há quem avente a hipótese de que o Infante possa ter nascido em outro lugar, talvez ali bem perto, no convento de S. Francisco…

Ficará a dúvida, dado não existir nenhum documento que confirme o local do nascimento do Infante D. Henrique! Há, no entanto, um registo com o rol das despesas feitas para “[…] o mui faustoso baptizado do Infante […]”, na Sé do Porto, passados quatro dias, após o nascimento de Henrique, nome que recebeu no baptismo, provavelmente em homenagem ao bisavô, Henrique de Grosmont, ou ao tio materno, o rei Henrique IV da Inglaterra.

Cidade de Ceuta

Henrique e seus irmãos (D. Duarte, rei de Portugal; Infante D. Pedro, o “Príncipe das Sete Partidas”; Isabel de Portugal; João, Infante de Portugal; Fernando, o Infante Santo) ficaram conhecidos como a “Ínclita Geração”, expressão usada pelo poeta Luís de Camões em “Os Lusíadas” (Canto IV, estância 50), pelo facto de todos eles serem príncipes cultos e respeitados em toda a Europa, não só pelo seu elevado grau de educação, mas também pelo valor militar e grande predominância na vida pública portuguesa.

O Infante D. Henrique foi, talvez, entre os filhos de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, o que mais se destacou, ficando conhecido na história como, o Navegador, apesar de não ter nunca sulcado as ondas do Oceano, senão para as suas expedições de conquista africana, nomeadamente a conquista da cidade muçulmana de Ceuta, no Norte de África. Quando, em 1414, D. João I resolveu organizar uma expedição para conquistar a tão cobiçada cidade de Ceuta, confiou ao Infante D. Henrique, de apenas 20 anos, a missão de preparar uma armada. Este dirigiu-se à sua cidade natal para pedir naves, carnes e gentes.

A população do Porto mobilizou-se para servir o Infante nas suas pretensões: os estaleiros começaram a trabalhar na construção de embarcações e a população iniciou a angariação da oferta de carne para alimentar as tripulações que faziam parte da expedição, ficando na urbe, apenas, as tripas… Daqui adveio, para a gente do Porto, o honroso epíteto de “tripeiros”!

o Infante Dom Henrique na conquista de Ceuta

Os preparativos para a viagem a Ceuta terminaram em Junho de 1415 e, a 21 de Agosto do mesmo ano, concretizava-se a tomada da cidade – foi o começo da expansão portuguesa. Com o êxito inicial desta conquista, D. João I armou seus filhos, D. Henrique, D. Duarte e D. Pedro, como cavaleiros, numa cerimónia solene e com festas públicas grandiosas.

No ano seguinte, D. João I ainda voltou a recompensar os filhos com dotes e títulos, recebendo o Infante D. Henrique os títulos de Duque de Viseu e Senhor da Covilhã, beneficiando dos respectivos proventos destes cargos.

Em 1420, o Infante foi nomeado pelo papa, a pedido de seu pai, D. João I, como Grão-Mestre da Ordem de Cristo, sucessora da Ordem dos Templários. É com os seus próprios rendimentos que o Infante inicia a grande aventura de “avançar” no mar e, ao mesmo tempo, vai-se debruçando no conhecimento das ciências cosmográficas e na matemática, tendo aplicado o astrolábio à navegação e inventado as cartas planas, assim como o grande avanço que representou a navegação com um novo tipo de navio, a caravela – tudo conseguido com a finalidade de levar a efeito o grandioso projecto dos “descobrimentos”, fenómeno que introduziu profundas e significativas modificações/alterações na História da Humanidade, contribuindo para o progresso civilizacional e para o desenvolvimento do conhecimento do mundo.

A vida do Infante D. Henrique foi marcada por muito estudo e longa permanência em Lagos, junto do promontório de Sagres, para concretizar as muitas viagens de “descoberta”, como é o caso da chegada aos arquipélagos da Madeira, dos Açores, bem como a passagem do Cabo Bojador, por Gil Eanes e, de tantas outras… Em mil quatrocentos e sessenta, ano da morte do Infante, os portugueses tinham navegado ao longo da costa africana, tendo chegado à Serra Leoa.

Túmulo do Infante Dom Henrique no Mosteiro da Batalha

O Infante D. Henrique não se limitou a dirigir as navegações, mas procurou também povoar e desenvolver economicamente os espaços onde iam chegando.

Faleceu em Sagres a 13 de Novembro de 1460, com 66 anos, encontrando-se sepultado no Mosteiro da Batalha.

É uma honra para o Porto ter sido o berço de um português tão ilustre, a figura mais importante do arranque da grande aventura pelos mares, aquele que popularmente é conhecido pelo Infante de Sagres, o que “deu novos mundos ao mundo”.

 

Texto: Maximina Girão Ribeiro

Fotos: pesquisa Google

 

Obs: Por vontade da autora, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.

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