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MEGAOPERAÇÃO DA PSP CONTRA O TRÁFICO DE ESTUPEFACIENTES, EM QUATRO BAIRROS DA ZONA OCIDENTAL DO PORTO, FOI “LIMPEZA” DE POUCA DURA! MORADORES TEMEM QUE O “LIXO” REGRESSE E COM “MAIS FORÇA”! Para já, os detidos saíram em liberdade……

A Megaoperação realizada pela Divisão de Investigação Criminal do Dispositivo da Polícia de Segurança Pública do Comando Metropolitana do Porto, na manhã do passado dia 27 de agosto, nos bairros da Pasteleira, Pasteleira Nova, Pinheiro Torres, e Aldoar, visando um conjunto alargado de indivíduos, que de forma organizada se dedicavam à prática do crime de tráfico de estupefacientes, suportada em 26 buscas domiciliárias, e que resultou na detenção de nove pessoas, a apreensão de“ uma quantidade muito substancial de estupefaciente (heroína, cocaína, liamba e haxixe)” e ainda 10 mil euros em dinheiro, uma arma de fogo, quatro armas “airsoft” e várias armas brancas”, veio provar os receios da população dos referidos bairros, relevados pelo “Etc e Tal jornal” na edição de agosto, em reportagem efetuada em Lordelo do Ouro, depois de um alerta público para a situação levantado pela CDU.

Entretanto, e dois dias depois desta megaoperação da PSP, o Tribunal de Instrução Criminal do Porto, decidiu deixar em liberdade os nove detidos… (ler mais, no final da reportagem)

Foto: pesquisa Google

Se, na passada edição deste jornal, provava-se aquilo que, praticamente toda a gente sabia, quanto ao tráfico ser feito às claras, que é como quem diz, em plena via pública, a megaoperação policial, realizada com êxito, é consequência também da pressão de partidos com assento na Assembleia Municipal e do executivo da Câmara Municipal do Porto que, muitas vezes, alertou as autoridades, e responsáveis governamentais, para o flagelo que estava a ser vivido naqueles locais, principalmente após a demolição das famosas torres do Bairro do Aleixo.

Câmara Municipal elogia intervenção

Foto: “Correio da Manhã”

Câmara que congratulou-se, através de comunicado, poucas horas depois das ações policiais,  com (lê-se) a “intervenção das forças de segurança” a qual “vem dar resposta aos pedidos, feitos há muito, pela autarquia junto da tutela e da Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública”.

“Em pronta e permanente colaboração com as autoridades, a Câmara do Porto continuará empenhada numa política de firme atuação que passa, nomeadamente, pelo despejo de inquilinos de habitações sociais que venham a ser condenados, em primeira instância, pela prática de tráfico de droga nestas habitações”.

Entretanto, e no próprio dia da ação da PSP, Rui Moreira, na apresentação à comunicação social, de mais uma edição da Feira do Livro, questionado, à margem da iniciativa, sobre a referida megaoperação policial, não quis fazer qualquer tipo de comentário, remetendo, assim, a sua posição para a que foi tornada pública pela edilidade.

CDU quer mais e complementar ação…

Foto: jornal “Sol”

Também a CDU – que, como referimos, tinha denunciado a situação que se vivia, principalmente em Lordelo do Ouro, em conferência de imprensa na qual estivemos presentes e deu mote para confirmarmos o que se estava a passar, em reportagem publicada na edição de agosto passado, deste jornal-, através de uma Nota de Imprensa, se mostrou satisfeita com a ação, mas pediu – como já o tinha feito – um leque mais alargado de intervenções.

“Como a CDU sempre afirmou, a demolição do bairro do Aleixo (decidida pela coligação PSD/CDS com o apoio do PS e implementada, na sua fase final, pelo Movimento de Rui Moreira), não levaria ao fim do flagelo do tráfico de droga, antes o disseminando por outros bairros.

Esta situação, que infelizmente se confirmou, tornou mais evidente que a justificação da demolição do bairro do Aleixo, ao contrário do propagandeado pelos autores da decisão, não era o combate ao tráfico de droga, mas simplesmente uma operação de especulação imobiliária baseada no conceito de que os terrenos com boas vistas devem ser reservados dos cidadãos com maiores posses económicas”, lê-se.

Para a CDU, e ainda de acordo com a referida nota, “a operação policial que agora se desenvolveu, e que indicia o combate ao tráfico de droga, deve ser encarada como positiva. Mas, a CDU considera que esta ação é insuficiente. De facto, também no bairro do Aleixo se fizeram inúmeras ações policiais deste género, sem que o problema tivesse sido resolvido”.

Pesquisa Google

“Deste modo a CDU continua a considerar que é essencial implementar, como defendeu publicamente em 19 de Julho, um verdadeiro Programa de Emergência Social que inclua: informar o governo da gravidade da situação e propor a criação urgente de um programa integrado de intervenção nas zonas de forte concentração de bairros municipais e do IRHU, que inclua a intervenção conjunta da Câmara Municipal do Porto, das Juntas de Freguesia e de vários organismos públicos, designadamente da Segurança Social, da Educação, da Saúde, do IRHU e da PSP.

Formar equipas multidisciplinares e assegurar a sua participação permanente nas zonas com maior concentração populacional para apoiar a integração e inclusão através do diálogo social com as populações e coletividades existentes, com propostas de animação cultural e desportiva, de educação social e cultural, assegurando também a manutenção e as pequenas reparações e um policiamento de proximidade de prevenção e dissuasor da criminalidade, e dar prioridade à reabilitação de equipamentos e ao arranjo urbanístico das zonas mais fragilizadas, onde o medo se está a instalar, para que se recupere a confiança dos moradores e estes não se sintam abandonados nem se ceda o território às atividades ilícitas e aos seus promotores”.

O tiroteio num velório que fez despertar atenções

Foto: pesquisa Google

Tudo aconteceu no passado dia 19 de junho, e foi como que a gota que fez alertar consciências: um tiroteio durante um velório, no bairro da Pasteleira Nova, onde um homem fez seis disparos e fugiu, ação que foi registada em vídeo e colocada nas redes sociais.

Rui Moreira ficou preocupado com a situação, assim, como depois membros do CDS, que chegaram a questionar o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, sobre reforços de meios policiais nos bairros municipais em zonas contíguas à do Aleixo.

Essas imagens terão estado na base do despoletar da megaoperação efetuada a 27 de agosto último.

OUTRAS SITUAÇÕES CRÍTICAS: RAMALDE É “CABEÇA-DE-LISTA”

Mas, o tráfico de estupefacientes está espalhado um pouco por outros bairros da cidade, alguns deles propriedade da Câmara Municipal, sendo de destacar – como este jornal tem feito periodicamente – a freguesia de Ramalde e, mais concretamente, as zonas de Ramalde do Meio, do Viso e de Francos, situações essas tão ou mais complexa que as que se viviam, e vivem – independentemente da intervenção policial – em Lordelo do Ouro, na Pasteleira, ou em Aldoar.

Para não referirmos ao detalhe o que acontece na zona oriental da cidade, com destaque para o Bairro do Lagarteiro, na freguesia de Campanhã, saliente-se que este “verdadeiro flagelo” tem vindo a preocupar não só as autarquias, como também algumas coletividades locais, que convivem de perto com este problema, facto já alertado, há tempos, pela Associação de Moradores do Bairro da Pasteleira, ainda as últimas torres do Aleixo não tinham sido demolidas.

MORADORES CÉTICOS E… COM MEDO!

Foto: pesquisa Google

Se a ação desencadeada no passado dia 27 de agosto foi por todos aplaudida, até porque se transformou num aviso para outras operações, e demonstrou o interesse e a capacidade da PSP em combater esta prática específica de crime, já os moradores contactados pela nossa reportagem, dias depois da Megaoperação (ou seja na passada quinta-feira, (29 de agosto), e em Lordelo do Ouro, foram céticos quanto ao futuro.

Não há maneira de acabarem com isto!

“Façam eles, todos os dias, estas operações para ver se isto acaba de uma vez por todas. Mas têm de fazer, o que fizeram na terça-feira… todos os dias. Isto é mais complicado que o que muita gente pensa”, disse-nos a “dona C”, senhora que teve, e tem, graves problemas na família por causa da droga.

“Não há maneira de acabarem com isto! Um – não interessa quem – da minha família já foi com Deus devido a isto, e os estupores que andam por aí a passar e a vender a coisa, estão como se nada fosse”, desabafou a “dona C” , e fê-lo com muito receio, pois para falar connosco sobre este assunto foi, no mínimo, complicado, devido a possíveis represálias, independentemente da sua já avançada idade. Por isso, o facto de lhe ocultarmos o verdadeiro nome.

“Isto… este espetáculo é até às tantas da madrugada, mas também de manhã e à tarde. Andam sempre por aí. Até vêm para estes lados desgraçados de Campanhã e do Bonfim à procura da droga, isso eu sei, porque de vista conheço alguns, e sei de onde eles são. Vêm e vão no “207”. Ainda um outro dia pegaram-se todos à porrada aqui à beira de casa. Uma desgraça!”

Prenderam nove? Quantos mais nove tinham de prender?

E, disse mais a “dona C”: “Eles sabem que a Polícia tão cedo não volta aqui. Assim esperaram uns diazinhos, e já andam por aí outra vez. Eles sabem como isso funciona. Prenderam nove? Quantos mais nove têm de prender! Bem, a Polícia também não pode fazer mais. Prometeram uma esquadra nova não sei para onde, e nunca mais fazem nada. A Polícia Municipal e já quase ali. Mas esses, então, é que não podem fazer nada!”

O que fizeram em Lordelo e na Pasteleira deviam fazer aqui, mas eles também se queixam que não têm meios

Se a “dona C” vive este problema de perto, também de perto o vive o “senhor W”, mas um pouco mais retirado da zona onde falámos com a nossa primeira entrevistada.

“Vivo ali. E trabalho aqui. E aqui vejo tudo, porque atendo de tudo. O que eles fizeram na Pasteleira e em Lordelo, também o devim fazer aqui, mas só de vez em quando é que por cá passam. Eles também se queixam que não têm meios”.

“Eles” a polícia, subentende-se.

O senhor W reside numa outra zona problemática da cidade, também a Ocidente, mas um pouco distante de Lordelo do Ouro.

“Aqui em Ramalde, isto é impossível de se aguentar, Fico triste ao vê-los por aqui a deambular e a injetarem-se às escondidas. E vêm para aqui de outros lado da cidade, porque de Metro – e como nem sempre andam os fiscais – vêm de borla”.

“Se a Câmara quer, como já ouvi, despejar os inquilinos que estejam metidos na droga, pode ter a certeza que vai ter muita casa vazia por estes sítios. E se assim for, para onde é que eles vão? Para onde eles forem vai também droga. Não é droga, é mais droga! Porque a que aqui está, por aqui vai continuar”.

DETIDOS FICAM EM LIBERDADE! PSP PERPLEXA COM A DECISÃO

Entretanto, na passada quinta-feira (29ago18), soube-se que os nove detidos da megaoperação antidroga ficam em liberdade, depois dos suspeito (seis homens e três mulheres, terem sido ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto durante a tarde e noite do dia 28 de agosto

Oito dos detidos terão de se apresentar periodicamente às autoridades e ao outro foi aplicado o termo de identidade e residência. A libertação dos arguidos causou alguma estupefação por parte dos elementos policiais (estiveram envolvidos 150 operacionais), uma vez que nas buscas foram apreendidos vários quilos de drogas, indiciando assim o crime de tráfico.

Mais uma razão para o medo dos moradores contactados pelo “Etc e Tal”, quase como que adivinhando a decisão do TIC.

Texto e fotos: Repórteres EeTj

01set19

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