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Um agosto turístico-revolucionário

José Gonçalves

Da pasmaceira do Agosto de outros tempos – em que a maioria das pessoas deixava a cidade, praticamente, deserta -, no passado mês de… Agosto, o Porto teve, e ainda bem, movimento… teve vida, independentemente de se gostar ou não da (em meu entender, positiva) “invasão” de forasteiros; “invasão” essa que não é, exclusivamente, transfronteiriça.
O Porto entrou, definitivamente, na rota do mundo, quando – ainda não vai há muitos anos – era desconhecido de grande parte dos portugueses. Era uma cidade fechada em si, e facilmente controlada pelo centralismo da capital. Ela, Lisboa, que, mesmo assim, não deixa de ser também uma bela cidade.

O Porto é hoje mais alegre, contrariando o cinzentismo de outros tempos. Uma cidade que na altura, e mesmo no Verão, “morria” às nove da noite, não tinha atividade cultural e recreativa “aberta”, já que toda ela se desenvolvia de forma hermética e, em muitos casos, de forma intelectualmente  selecionada.
O Porto democratizou-se!

Podemos falar dos problemas inerentes a esta revolução. Podemos. Mas, qual é a revolução que, em todo o seu processo, não origina ou suscita problemas? Tratando-se ela de uma revolução, está claro!
Se fosse evolução, aí sim, seria mais preocupante não se dar conta dos desequilíbrios por ela originados, fosse dos critérios quanto ao Alojamento Local, fosse do que fosse

O Porto convive agora com milhares e milhares de almas. População flutuante em proporções nunca vista.
E mesmo podendo criticar a “invasão”, os tripeiros não deixam os seus créditos de “bem receber”… por mãos alheias.

Foto de José Alberto Nogueira (in Facebook)

Tudo isto, a propósito de uma paragem que fiz, à espera de um amigo, junto à capela das Almas, na Rua de Santa Catarina, em pleno mês de agosto, e onde senti o pulsar desta nova cidade, e da forma como os tripeiros acolhem quem a visita, até no simples, mas orgulhoso, gesto de indicarem certos destinos.

Antigamente, não vai há muitos, anos, os estrangeiros eram tantos(?!) que bastava um, para a surpresa ser geral. Olha vem aí um… “camone”!
Hoje, os “camones” são tantos que já não há Metro que chegue… para nós. Já sei que o Andante também é mais acessível, e, assim, apetecível para dar umas passeatas (e são muitos – principalmente os idosos – que a fazem). A “Revolução” turística em terras de tripeiros tem de ser “tratada”, como acontecerá com outras questões. Mas, penso que, com o tempo e a aprendizagem, as coisas serão, com certeza, resolvidas.

Aliás, estou convicto que a cidade jamais cairá no cinzentismo de outrora. O Porto abriu-se ao mundo, cresceu, viu o seu edificado renovado – depois de anos e anos a cair aos pedaços -; viu os seus monumentos revitalizados, e está muito bem assim, se bem que o outro Porto, o mais periférico, também precise de uma revolução, a tal que está no papel, mas que, pelos vistos ou pelo Tribunal de Contas, vai mesmo avançar, no que diz respeito à zona Oriental, e a Campanhã mais concretamente.
Gosto deste meu novo Porto. Ou não fosse tripeiro e progressista…
Fica o registo.

01set19

 

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