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Um passeio diferente – GUIMARÃES: EXPOSIÇÃO “TERRA DE SONHOS” MOSTROU MUNDO RURAL DA ÍNDIA PELA “LENTE” DE CRISTINA GARCÍA RODERO

Em tempo de férias e de viagens por este país, mesmo ajustadas a cada realidade das famílias e às promoções, como as proporcionadas pela CP, que mais uma vez, disponibilizou durante o mês de agosto, aos fins-de- semana e feriados, no caso dos comboios urbanos do norte, bilhetes de ida e volta por 2 euros para as cidades de Aveiro, Porto, Braga e Guimarães. Uma oportunidade, no caso de Guimarães, para partilhar e vivenciar momentos culturais no âmbito do programa do Município local “Verão com todos” (até 21 setembro), em que se incluíram as “Festas da Cidade e Gualterianas” na linha da tradição das romarias minhotas e toda a sua riqueza do representativo património etnográfico.

José Lopes

(texto e fotos)

Entre o património humano, arquitetónico, cultural e religioso que se vai destacando por cada rua, largo ou praça da cidade, a surpresa para nós, surgiu no Largo do Toural, em que nos deparámos com uma exposição no espaço público, sob o tema “Terra de Sonhos da fotógrafa espanhola Cristina Garcia Rodero, que se apresenta, tal como ali era afirmado, “com um estilo inequivocamente próprio, a fotógrafa desfez as barreiras territoriais promovendo os direitos humanos e dando voz àqueles que outros ignoram”.

A exposição “Terra de Sonhos”, que tinha sido inaugurada no dia 30 de julho, organizada pela Fundação “la Caixa” e pelo BPI, com parceria do Município de Guimarães, que esteve patente até 27 de agosto. Reuniu quatro dezenas de obras fotográficas, em que, Cristina García Rodero mostra o mundo rural da Índia com sua singularidade e assimetria, que ali, em pleno Largo do Toural se apresenta, como um cenário em que o passado se confunde com o presente, o natural com o sobrenatural e mesmo com o fantástico, tal é a forma realista, como a artista autora das imagens capta, neste excelente trabalho fotográfico, a condição humana, que através desta exposição não deixou os transeuntes ou visitantes indiferentes.

O trabalho fotográfico exposto, reflete a vida quotidiana dos habitantes de Anantapur, no Estado de Andhra Pradesh, uma das zonas mais pobres da Índia, em que vivem as comunidades mais desfavorecidas e vulneráveis do país. Trata-se de um evento cultural promovido pela Fundação “la Caixa” no âmbito do seu programa “Arte na rua”, iniciado em Espanha em 2006, que já deu a conhecer artistas contemporâneos, como Manolo Valdés, Igor Mitoraj ou, mais recentemente, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

No caso desta exposição de Cristina Garcia Rodero no Largo do Toural, foram disponibilizadas visitas guiadas para o público em geral, em que os interessados puderam conhecer melhor as histórias de cada foto, de “Terra de Sonhos”, que, nos mostram mulheres no Hospital de Kalyandurg, que após os partos, “cobrem os ouvidos para evitar constipações. Sob o lenço, elas geralmente levam um dente de alho (um antibiótico natural) e algodão para conservá-lo. Algumas pessoas acreditam que isto afugenta os maus espíritos num momento de especial vulnerabilidade”. Vulnerabilidade humana que marca a generalidade das fotos, como, “uma mãe, esgotada, descansa junto do seu filho na Unidade de Pediatria do Hospital de Bathalapalli”, ou uma doente de SIDA no Hospital de Kanekal, “vítima de uma depressão desde que foi abandonada pelo seu marido”. Rostos com nome, como, “Anjineyulu, com paralisia cerebral, nas instalações do centro especializado de Kadiri”.

São assim dezenas de quadros, de realidades sociais, que refletem ainda a atividade de instituições da Fundação Vicente Ferrer, como a Escola Secundária Inclusiva, o Centro de Paralisia Cerebral de Bathalapalli, a Unidade de Pediatria do Hospital de Bathalapalli, Programa de Nutrição e distribuição de alimentos ou “grupos de autoajuda” que, “organizam atos reivindicativos pela igualdade todos os dias 8 de março e 25 de novembro (Dia para a Erradicação da Violência contra as Mulheres)”. Estes e vários outros quadros que não deixaram de surpreender a opinião pública em Guimarães, foram uma arrojada iniciativa de sensibilização social e politica. Como se afirmava na “introdução” à exposição, os objetivos dos seus promotores, foram, “(…) mostrar a influência das imagens sobre a sensibilidade contemporânea e destacar o papel dos grandes criadores visuais do século XXI na nossa forma de ver o mundo”.

Cristina García Rodero, nasceu em Puertollano, Espanha, em 1949, licenciou-se em Belas Artes na Universidade de Madrid e foi a primeira espanhola a ser admitida na prestigiada agência de fotojornalismo Magnum. Obteve inúmeros prémios, como o “World Press Photo” em 1993, o “National Photography Award” em 1996, o “FotoPres la Caixa” em 1997, o “PhotoEspaña” em 2000, o prémio “Godó de Fotojornalismo” em 2000 e o prémio “PhotoEspaña” em 2017. É também a primeira fotógrafa espanhola a ter um museu próprio, na sua cidade natal.

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