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“Dia dos Namorados” na China

Weihua Tang

O tempo voa! As minhas férias estavam a acabar rapidamente, por isso, aproveitei para fazer compras antes do meu regresso a Portugal. Ainda não tinha entrado no Shopping, um barulho enorme já me tinha chamado a atenção. Com curiosidade fui ver o que se passava e, surpreendentemente estavam a fazer um espectáculo em direto. A palavra “Qi Xi” do apresentador fez-me lembrar a data de hoje: é o “Sétimo Dia do Sétimo Mês” do calendário chinês lunar. Então, o que é que tem a ver com esta data?

Segundo a lenda, o “Sétimo Dia do Sétimo Mês” é o “Dia do Encontro” de NiuLang e ZhiNu na “Ponte das Pêgas”, todos os anos (as pêgas são aves que, na China, representam a felicidade).  Trata-se de um conto de amor popular, o mais conhecido na história e cultura da China antiga e, acima de tudo, tem a ver com os “astros”. Na minha infância, via quase todos os filmes, incluindo a ópera de HuangMei, sobre esta lenda, que até foi escolhida para constar do manual na escola primária, na China, mesmo que este seja uma edição nova, de 2019. Ou melhor dizendo, quase não existe um cidadão chinês que não saiba este romance amoroso.

Na realidade, NiuLang e ZhiNu surgiu dos nomes da “Estrela Qianniu” e “Estrela ZhiNu”. Conforme a lenda, o imperador do céu tinha uma neta que se chamava ZhiNu que tinha muito jeito para a tecelagem. Todos os dias ela fazia panos de arco-íris para decorar o céu. Como ela já estava saturada da sua vida monótona, decidiu fugir sozinha para a terra.

Por destino, encontrou NiuLang e ficou apaixonada por ele e casaram-se em segredo. Depois de terem nascido dois filhos gémeos, viviam felizes, uma vida normal como qualquer casal, ou seja, o marido fazia agricultura, enquanto ela se dedicava à tecelagem. Contudo, o comportamento dela quebrava os seus verdadeiros princípios, o que irritou profundamente o imperador do céu. Este zangou-se e mandou os soldados para a apanharem e levarem-na de volta ao palácio do céu. Cruelmente, forçou o casal a separar-se. Porém, permitia que os dois tivessem apenas um reencontro no “Sétimo Dia do Sétimo Mês”, todos os anos, na “Ponte das Pêgas”.

O amor sólido e verdadeiro destes dois seres, comovia as pêgas. Havia muitas destas aves que voavam para a ponte e utilizavam os próprios corpos para fazerem uma ponte que passava pelo “Rio do céu” para, assim, NiuLang conseguir levar os dois filhos, nos cestos colocados no ombro podendo, desta forma, encontrar-se com a ZhiNu, em cima do “Rio”.

No decorrer da história, o mito de “NiuLang e ZhiNu” conquistava importância na cultura tradicional chinesa. Iniciou-se antes da Dinastia Qin, embora os detalhes e os conteúdos concretos, mudassem com o tempo. Mas, a lealdade e a fidelidade para com o amado, passava, ao longo dos milénios e continuava a comover  as pessoas.

Mesmo que seja um amor tão difícil e tão complicado, na história de “NiuLang e ZhiNu” consta a parte romântica, dentro da parte clássica. No entanto, apesar de ter sido como uma testemunha do espírito “A vida é mesmo preciosa, enquanto o amor mais valoroso”, também é como uma inspiração e estimulação para os namorados para que possam procurar o amor autêntico com a determinação e com a coragem.

Por essa razão, o “Sétimo Dia do Sétimo Mês” é considerado pelas pessoas  da actualidade como uma edição chinesa do “Dia dos Namorados”, na China!

Foto: pesquisa Google

01out19

 

 

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3 Comments

  1. Anabela Caldevilla

    Que lindo
    Adorei… Obrigada pela partilha.
    Realmente a vida faz mais sentido quando temos um Amor verdadeiro.

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