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Dignificar pedagógica e ambientalmente as árvores em meio Escolar – “Uma experiência de exercício empírico”

Não sendo as comunidades escolares e educativas imunes a influencias da pressão que resulta de campanhas negacionistas sobre os reais efeitos do aquecimento global, a exemplo dos comportamentos surrealistas que chegam de lideres mundiais como, Trump, Putin ou Bolsonaro, cujos discursos populistas e fundamentalistas acabam por encorajar comportamentos e crimes ambientais como os que resultam na trágica afronta ao clima, tais são as consequências ambientais das gigantescas áreas da Amazónia a serem continuadamente consumidas por fogos criminosos, avançando descontroladamente a sua desflorestação e pondo em risco o equilíbrio que vem sendo sustentado entre as populações, agricultores e trabalhadores rurais das regiões mais diretamente afetadas, ou os povos indígenas que preservam este património da biodiversidade em troca de vida que a Amazónia também proporciona ao Planeta.

À escola competirá certamente, num país livre e democrático, nesta Europa fragilizada e ameaçada por vários outros tipos de populismos, contribuir para se criarem competências que contrariem com tolerância, mas com determinação e coerência, o medo que querem impor aos povos, persistindo na sensibilização e promoção da educação ambiental, estimulando o empenhado exercício de cidadania na defesa do Planeta, porque “não há Planeta B”, como nos vêm alertando os jovens e as suas greves às aulas e manifestações pelo Clima, que exige ser resgatado das perigosas ambições de governantes com politicas que anunciam o apocalipse.

Nestes tempos em que os efeitos do aquecimento global, reconheçam ou não os governantes do absurdo, que parecem querer desacreditar a ciência e neste caso os manuais escolares ou o trabalho desenvolvido ao nível da educação ambiental e do projeto “Bandeira Verde” nas escolas, excitando multidões a quem ateiam e alimentam ódios, no caminho do retrocesso civilizacional em nome de estranhos deuses. São cada vez mais previsíveis as inquietantes consequências da subida do nível das águas do mar ou o risco de desertificação extrema.

Sensibilizar e educar para a importância das árvores e a sua relevância nos impactos climáticos é cada vez mais imperioso. Tanto mais, num meio escolar como o da Escola EB (2.º ciclo) António Dias Simões (Agrupamento de Escolas de Ovar), em que a paisagem natural envolvente, proporciona o contato direto (sem efeitos virtuais) com uma surpreendente biodiversidade de espécies de plantas.

Este é um espaço privilegiado para identificar uma significativa variedade de árvores de fruto (macieira, pessegueiro, pereira, marmeleiro, limoeiro, laranjeira, diospireiro, oliveira, nespereira, nogueira, groselha ou medronheiro. Bem como espécies autóctones (carvalho português e francês, azevinho, azinheira ou sobreiro), entre várias outras espécies de arvores que se vão consolidando e enriquecendo ambientalmente a paisagem deste meio escolar.

A esta vasta diversidade arbórea e à vegetação em geral que dá cor natural a umas instalações escolares já sem brilho e sem perspetivas na rede escolar, os assistentes operacionais (AO) não resistiram, ainda que “simbolicamente” e como uma experiencia de “exercício empírico”, considerando os seus conteúdos funcionais, a, assumirem dar um pouco mais de dignidade, nomeadamente às arvores, apesar da dimensão da área verde desta escola que vem beneficiando da disponibilidade e dedicação de um docente à causa do embelezamento verde deste espaço escolar. E que, apesar de tal reconhecido exemplo, exige uma intervenção de serviços mais adequados e regulares à sua manutenção como componente a investir e valorizar também na escola pública.

A ação destes AO procura ainda manter-se “vigilante” na defesa de algum equilíbrio das espécies de árvores ali existentes, através do “controlo” e “monitorização” da espécie invasora “robinia”, considerada mesmo uma praga. Tipo de árvore que teima em se multiplicar no interior do espaço escolar, obrigando a uma inevitável “resistência” à sua progressão, até para defesa e preservação da biodiversidade existente, permitindo que os alunos possam livremente, contemplar e usufruir a qualidade de vida influenciada pelas árvores e vegetação em geral.

Trata-se assim, de uma oportunidade de alunos do 5.º e 6.º ano, partilharem um espaço escolar, em que podem conviver e ser sensibilizados pedagógica e ambientalmente, para o papel extremamente relevante das árvores na qualidade do ar e no combate às alterações climáticas, como um assumido contributo, por mais insignificante que possa ser, num Planeta em que os Polos derretem mais rápido do que se previa, em que as florestas na gelada Sibéria também já ardem e em que os fenómenos naturais intensificam-se de forma cada vez mais violenta e trágica ou em que, a ameaça de desertificação em Portugal é cada vez mais uma futura paisagem subsariana para a qual se tarda a despertar e reagir, enquanto os fogos continuam a colocar em risco populações isoladas por eucalipto em nome do lucro imediato, desvalorizando uma maior aposta nas espécies autóctones. Espécies autóctones que nesta escola, mesmo em terreno arenoso, dominado pelo pinheiro, os alunos podem, observar, analisar, experimentar, estudar a sua diversidade e acompanharem o paciente ritmo de desenvolvimento, num tempo em que nos querem deixar sem tempo de pensar e refletir para agir livre.

Texto e fotos: José Lopes

01out19

 

 

 

 

 

 

 

 

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