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Economicices (09)

Cristóvão Sá TTmenta

 

RIQUEZA E DESIGUALDADE

 

O que explica que assistindo-se ao aumento da riqueza mundial aumente ainda mais o número de pobres. Segundo o relatório de 2019 da OXFAM, entre Março de 2017 e Março de 2018, foram registados mais 165 novos bilionários. A riqueza mundial está concentrada em 1.900 bilionários, a qual no seu conjunto cresceu 12%, enquanto decresceu em 11% a parcela do rendimento de metade da população mais pobre do planeta.

O senso comum dirá que se aumenta a riqueza mundial então terá também de aumentar a parte daquela capturada pela população mais pobre. Contribuindo assim decisivamente para a diminuição dos considerados mais desfavorecidos.

Mas de facto assim não é. Quando ouvimos falar de aumento do crescimento económico somos levados a pensar que se proporcionam melhores condições para a redução das desigualdades.

Contudo como se compreenderá que vinte e seis bilionários concentrem metade da riqueza detida pela metade da população mundial que é também a mais pobre. E mais: a riqueza detida pelos bilionários cresce enquanto as classes mais desfavorecidas veem a sua riqueza diminuir em termos agregados.

Há então uma efetiva crise na redistribuição da riqueza que tem como consequência o aumento das desigualdades. Poderá concluir-se que o crescimento económico não resolve os problemas das desigualdades e da pobreza.

Que explicações poderão haver para este estado de coisas:

1-Será que a contínua exploração de matérias-primas – em grande parte concentradas em regiões subdesenvolvidas – aumentando por um lado os lucros dos grupos económicos não agrava ainda mais o estado de pobreza dos seus povos?

2-Será que a reiterada prática de desenvolvimento de políticas fiscais que favorecem os grandes capitais não terá como consequência uma desmedida exportação de lucros, com recurso a paraísos fiscais?

3-Será que a existência de territórios fiscais que incentivam o nomadismo da sedeação de grupos económicos não drenam os rendimentos derivados da produção local, diferente do da sede fiscal?

4-Será que as práticas de solidariedade pontual, como resposta a crises conjunturais, muitas vezes provocadas por grandes desastres naturais, não serão mero paliativo para satisfação momentânea de pobreza, levando ao laxismo de não intervir sobre as questões estruturais?;

5-Será que o acesso às oportunidades de negócio está democratizado?

6-Serão de facto as políticas governamentais decisivas para atenuar as desigualdades sociais? Mas, se sim…

7-Que políticas? Que escolhas? De que atores políticos?

8-Será que uma política que favoreça e incremente o nível cultural, escolar, profissional e científico não será determinante para a tomada de uma forte consciência critica que contribuirá para a diminuição da desigualdade?

 

Fotos: pesquisa Google

01nov19

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