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Economicices (09)

Cristóvão Sá TTmenta

 

“CAPITALISMO RENOVADO” ?

 

Antes do mais, presto aqui a devida vénia ao jornalista António José Gouveia, de quem li uma interessante nota editorial, cujo título está acima reproduzido.

Para além do título que prendeu a minha atenção, felicito-o pela forma como sintetiza o artigo[i] que lhe subjaz: substituir o princípio que prioriza a obtenção de lucros para os acionistas por um propósito muito mais amplo, incluindo os clientes, trabalhadores, fornecedores, apoio social e proteção do ambiente”.

A partir dos anos 80 e tendo como origem reflexiva os fundamentos da ética e responsabilidade empresarial, os académicos ousaram propor a passagem do paradigma shrareholders para o de stakeholders. A empresa/organização deveria assumir um papel central na realização holistica da sua existência. O escopo da sua atividade não poderia ser mais única e exclusivamente o lucro que os seus proprietários desejam arrecadar. Quanto mais mais.

Como Gouveia salienta (JN-Set2019) “…surgiu neste verão uma lufada de ar fresco nas ideias de mais de 180 presidentes das maiores companhias norte-americanas”, tais como: Ford, Apple, Amazon, Goldman Sachs, JP Morgan dentre outras bem-sonantes. Há claramente um esforço/intenção para a modernização do sistema. Não se põe em causa a sua existência. Há porém que lhe dar uma outra roupagem pois os tempos assim o exigem. Interessante, quase quarenta anos depois, verificar a necessidade de formalizar estas vontades e afirmá-lo solenemente. Dúvidas ficarão: qual a materialização destes princípios bonitos para o dia a dia de todos nós. Pois, em última análise, somos todos stakeholders de todas as empresas/organizações.

Diga-se, em abono da verdade, que a onda de de progresso, de desenvolvimento e crescimento económico que se registou em muitas sociedades no pós-guerra, ocorreram num quadro económico fundado no capitalismo. A sobrevivência do sistema exige inovação na forma como os vários agentes económicos interagem entre si. Hoje em dia, ainda mais com a agravante da degradação das condições climáticas e também da existência de zonas geográficas com uma forte densidade populacional. Mais a proliferação de guerras regionais que servem interesses demoníacos. Onde a indústria do armamento não esconde a sua ganância.

Das empresas citadas inclui, propositadamente, duas representantes do capitalismo financeiro. Pois, apesar da sua permanente e activa acção de rapina, esta indústria também tem de mostrar que é amiga dos clientes, dos seus trabalhadores, fornecedores e assume a melhoria das condições ambientais como acção superior.

A todo este conjunto de organizações estão associadas muitos programas de responsabilidade social o que, para muitas, mais que a assunção de boas práticas, interessa o retorno de amplas coberturas de propaganda que arrastam aumento de captação de receitas. Há assim um processo de retroalimentação do sistema. A bem de todos nós. Ironicamente, escravozinhos sim, mas contentinhos e com muita saudinha fisica e mental. Né!!!

Gráficos: pesquisa Google

01out19

 

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