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Matérias perigosas, ou perigosas greves?

Carla Ribeiro

Durante os últimos meses temos assistido a inúmeras actividades de interesse público na nossa sociedade.

Não quero nem irei imiscuir–me em grandes considerandos sobre a legalidade ou não de alguns temas, contudo irei como sempre o faço insurgir-me com os meus pensamentos.

Temos vindo a assistir a inúmeras ameaças e constrangimentos quanto à reposição dos combustíveis, chegando mesmo a haver racionamento nos abastecimentos.

Mais uma vez, assistimos a faltas de respeito, desrespeito pela cidadania e diria até atentados racionais pelo próximo, na forma como alguns cidadãos tentaram, e conseguiram alguns, armazenar combustíveis, pondo tantas vezes em perigo terceiros.

Poderíamos ir mais longe pois este desrespeito começa nos postos de abastecimento que vendem a qualquer preço, não se importando com algum cumprimento de regras de respeito pelo próximo. Trata-se apenas de princípios de cidadania.

Temos recentemente assistido a comportamentos, diria mesmo que animalesco de sobrevivência, que em nada dignificam o ser humano e a economia do nosso país.

Pensemos então, na nossa economia que tanto poderia ter sido afetada com este diferendo, pois nem de greve poderia ter sido chamada, devido às ilegalidades da mesma.

Há quase sempre interesses políticos e económicos por detrás destes comportamentos, basta para tal pararmos e pensarmos um pouco de forma fria e racional.

A forma de pagamento efetuada a estes trabalhadores foi por eles permitida, pois desta forma também eles ganham mais pois descontam menos. Somos nós enquanto trabalhadores que temos que aceitar e assinar os nossos contratos de trabalho, ora se desde sempre estão errados, porque continuam todos a assinar permitindo desta forma um subterfúgio na lei.

Aliás, de salientar que esta fuga não se aplica apenas a esta classe de trabalhadores, uma pequena parte de tantos outros que transportam outras matérias perigosas ou não. Se todos formos permissivos, nunca as mentalidades podem alterar e claro que os patrões agradecem, pois destas formas legais/ilegais podem continuar a prevaricar fugindo a descontos e pagamentos ao estado de taxas das quais estão a imiscuir–se.

Parece-me que também o estado tem aqui, mais uma vez, não desempenhado da melhor forma a fiscalização necessária.

Faz-se uma greve ilegal, na minha perspetiva, pois como pode um trabalhador reivindicar uma coisa que aceitou que lhe fosse paga mascarada.

Vamos chamar as coisas pelos nomes e deixar de nos enganamos, pois neste processo parece-me existirem demasiados interesses ocultos e manipulados.

Haja assim a devida coragem para dar os nomes certos e chamar corretamente as coisas e não darmos-lhes a conotação e peso de greve que na minha perspetiva de cidadã nunca a deveria ter tido.

Temos que ter a capacidade de olhar a realidade e perceber os interesses financeiros e até políticos de algumas das cabeças que estão por detrás a impulsionar estes comportamentos.

E, só os combustíveis são matérias perigosas?

Acho que sem dúvida se extravasou este tema.

De salientar como muito positiva a medida governamental de fazer uma obrigatoriedade de Requisição Civil, para minimizar estragos na nossa economia e bom funcionamento da nossa cidadania.

Já pararam para pensar, e bastaria para tal termos acompanhado um pouco, a quantidade de estrangeiros que alteraram os seus destinos de férias, não vindo para Portugal, para não terem que conviver com esse constrangimento. E, quantos portugueses teriam ido para fora ou cancelado as suas férias? Pois nem vale a pena fazermos estatísticas sobre isto, pois seria certamente assustador o quanto perdeu a nossa economia.

Ainda mais interessante e assaz relevante, foi que durante estas guerras de transportes de combustíveis, felizmente o nosso país não foi sujeito á deflagração de incêndios, contudo após esta guerrilha, eis que lá deflagraram os incêndios devassando assim a nossa sociedade e tantas vezes colocando em perigo vidas humanas.

Não vou alongar-me mais.

Greves sim, mas com dignidade.

Até breve com novos “sentir”, novos “amar”…

Namasté

Foto: pesquisa Google

01out19

 

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