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Na Barca do Inferno

Miguel Correia

Provavelmente fruto da idade, a verdade é que a memória prega-me partidas e, quando estou em frente ao computador, esqueço algumas coisas que observei durante a semana. Talvez seja uma boa ideia arranjar um auxiliar de memória. Sempre ficará mais barato que investir (o pouco dinheiro que tenho) naqueles comprimidos do Cogumelo do Tempo. Existe uma terceira opção – utilizada por muitos Tugas em altura de desespero e aflição – que é pedir ajuda ao Divino…

Por esta altura, já a grande maioria esqueceu as promessas feitas no período da Páscoa. Alguns ignoraram a razão do final de semana prolongado e rumaram para uns merecidos dias de descanso. Outros, que até aceitaram abrir a porta à Visita Pascal, estavam mais preocupados com a hora de almoço que em receber o Senhor.

Nem Jesus consegue cumprir horários! Talvez, quem sabe, seja o reflexo dos tempos modernos. Os Tugas querem resultados rápidos e nem hesitam em descobrir atalhos para o que querem. Os dias atribulados não permitem perder tempo numa cerimónia religiosa, que não autoriza o telemóvel ou sequer disponibiliza wi-fi: um autêntico sacrilégio! E torna-se mais rápido despachar um envelope (com um valor simbólico) para que se diga, durante a missa, o nome do familiar defunto que perder tempo e dinheiro numa visita ao cemitério. E assim, dito pelo Padre, sempre fica mais perto do criador!

A eucaristia deve acompanhar a evolução dos tempos. Se me permitem a sugestão, talvez reduzir à sua duração e tentar interagir mais com os (poucos) devotos que ainda aparecem. Certamente, não sugiro arranjar um coro de gospel ou transformar o sermão num momento de comédia stand-up. Contudo, converter uma missa num musical ao estilo do Filipe La Féria (onde só o elenco percebe as letras) não me parece ser o caminho a seguir. Por fim, quero recordar que a mensagem deve ser clara, inequívoca e sem qualquer juízo de valor. É estranho ver pessoas com alguma importância, nestas lides religiosas, a mencionar as redes sociais como uma criação maléfica do Demónio (quando têm perfil criado e ativo) e agradecer profundamente a importância dos políticos na comunidade! Como se dizia num conhecido programa de televisão: “num havia nexexidade! Valha-me Deuzzz!”. Somos ovelhas tresmalhadas à procura de absolvição. Porém, umas mais trafulhas que outras. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque com esta crónica, eu vou direitinho para a Barca do Inferno…

Foto: pesquisa Google

01nov19

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