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O flamingo e o queijo flamengo

Joaquim Castro

(texto)

O narrador de uma reportagem da SIC fez, em 11.10.2019, as delícias dos mais atentos, ao chamar Flamingo, em vez de Flamengo, ao clube brasileiro, treinado pelo português Jorge Jesus.

O narrador salientava o sucesso do treinador português, que tinha levado o Flamengo ao primeiro lugar, ficando acima oito pontos do segundo classificado, depois de ter estado, antes do português chegar, a 10 pontos do topo da tabela.

Ora, isso é bonito, não fora transformar um clube de futebol num pássaro, pelo menos no nome, chamando-lhe flamingo, por três vezes. Mas não tem que enganar, tanto mais que, flamengo também é nome de queijo, que os portugueses muito apreciam.

METER E PÔR

Já tinha reparado na expressão futebolística “meter a bola para fora”, tão comum nos relatos de futebol, assim como, nas transmissões televisivas. No correio da Manhã, jornal que também leio, dei com estas “cenas”: “Mulher mete anel de noivado no lixo por engano” e “Má qualidade do ar continua a meter em risco a saúde das pessoas”. Por este andar, qualquer dia, as galinhas, em vez de pôr ovos, começam a meter ovos cá para fora!

“PIRINÉUS” E “PIRIQUITOS”

Todos os anos, durante a Volta à França em Bicicleta, a famosa cordilheira dos Pirenéus, cujas montanhas formam uma fronteira natural entre a França e a Espanha, sofre uma adulteração do nome, por parte de um comentador português, que foi um famoso ciclista. Aquela é uma zona do “Tour”, sendo, por isso, muitas vezes referidas pelo nosso narrador, designando-a, erradamente, por “Pirinéus”. Pelos vistos, não há quem alerte o ex-ciclista, para a pronúncia incorrecta da palavra. Do mesmo modo, o periquito também sofre com a deformação do seu nome, pois há muita gente que o trata por “piriquito”!

UMAS DAS QUE…

Uma repórter de exteriores da SIC, referiu-se ao mau tempo e às inundações, devido à chuva intensa, em Braga, na noite de18 de outubro de 2019. No meio de uma rua alagada, de botas de água, disse: “esta é uma das ruas que está alagada, na cidade de Braga”. Mas como já anteriormente foi referido nesta rubrica, a expressão utilizada não está correcta. Deveria ter dito: “esta é uma das ruas que estão alagadas, na cidade de Braga”. Mas este é um erro frequente, cometido, também, por jornalistas.

COMPARAÇÕES SEM NEXO

Ouvi esta notícia, sobre o estado do tempo: “as temperaturas de hoje, são melhores do que ontem”. Ou seja, compara-se o valor das temperaturas do dia, com o próprio dia anterior. Mas isso, não pode ser. O que deveria ter sido dito pelo locutor seria: “as temperaturas de hoje, são melhores do que as temperaturas de ontem”. Assim, já não havia confusões.

ENCONTRO

Reparem nesta frase: “a noiva foi ao encontro do noivo, que esperava por ela na igreja”. Agora, reparem nesta: “a noiva foi de encontro ao noivo, que esperava por ela na igreja”. Não são a mesma coisa. Outros dois exemplos: “foste ao encontro das minhas ideias” e “foste de encontro às minhas ideias”. A diferença está no “ir ao encontro de”, que significa estar de acordo, e “ir de encontro a” significa não estar de acordo. No caso de a noiva “ir de encontro ao noivo”, é como se começasse a violência doméstica!

PONTAPÉ NA GEOGRAFIA!

Isto, não é bem um pontapé na Gramática, mas tem a sua graça. A apresentadora Cristina Ferreira, que troca muitas vezes o verbo “estar”, pelo verbo “tar”, há dias, ligou para uma sortuda, que tinha ganhado um prémio de 2500 euros. Claro que, como sempre, lhe perguntou de onde falava. A concorrente respondeu que estava em Andorra. Muito de repente, Cristina Ferreira respondeu-lhe: “ai, está em Espanha”. E a resposta não podia ser melhor: “estou sim”. Mas o Principado de Andorra não pertence à Espanha, é um microestado soberano europeu. É uma diarquia, liderada pelo bispo de Urgell e pelo presidente da França.

VICIOSO

Segundo o canal de televisão SIC, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, teria declarado ao jornal New York Times: “… a recessão cria um ciclo vicioso”. A questão é que deveria ter dito “círculo vicioso”, que é a expressão correcta, e que designa uma sucessão, geralmente ininterrupta, de acontecimentos que se repetem e voltam sempre ao ponto de origem, colidindo sempre com o mesmo obstáculo. Por sua vez, a palavra ciclo designa uma sucessão de fenómenos sistematicamente reproduzidos em períodos regulares, por exemplo, a frequência de uma corrente eléctrica.

Fotos: pesquisa Google

01nov19

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