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Surpreendentemente racistas…

José Gonçalves

Os ataques sub-reptícios da extrema-direita à candidata eleita para a Assembleia da República pelo partido “Livre”, Joacine Katar Moreira, usando uma petição pública eletrónica, para impedir a sua tomada de posse, isto pelo facto de ter sido exibida, na altura da festa da sua eleição, uma bandeira da Guiné-Bissau, deixou o país atónito, ou melhor, o país democrático… de boca aberta.

Os extremistas de direita que lançaram essa petição, não a desenvolveram, por mais curioso que possa parecer, pela cor da pela da deputada, nem pela sua tão badalada gaguez, que muitos dizem ser um “embuste”. Não! Os racistas “mascarados” avançaram de forma mais simpática na luta pelos seus ideais de limpeza étnica, racistas, xenófobos e antidemocratas, apontando o dedo, única e simplesmente, para a existência de uma bandeira de um país membro da CPLP. Só que juntamente com ela – e isso eles não quiseram ver -, encontravam-se também as bandeiras de Portugal e da União Europeia.

Dir-me-ão: “mas isso já passou, não batas mais na coisa!”.

Bato! E “bato” porque esta ação levava água no bico. E se a levava, como levou, isso, para quem vos escreve, até foi bom, pois uma vez criticando-a, na minha página do Facebook, tive de pessoas, pelas quais nutria consideração e as achava de um nível intelectual e moral digno de respeito, manifestações de puro racismo, que, em boa verdade, me deixaram estupefacto. Pelo menos, fiquei a saber com quem contar e não contar…

Há, pelos vistos, muitos racistas que o não são na rua, mas, muito provavelmente, dentro de casa; que não dão a cara, porque parece mal, não cai bem e é contra-a-corrente, e, até mesmo dentro dos seus próprios partidos – dos “racistas” que me surpreenderam há quem milite em alguns, e que são publicamente antirracistas -, não conseguem expressar a sua verdadeira ideologia.

Só que, aproveitando a onde de racismo, xenofobia a populismo com a eleição de um deputado de extrema-direita, esses indivíduos lançaram-se ao ataque, despindo-se, pensando que, tinham apoio na retaguarda. Enganaram-se, e hão-de sempre enganar-se, se esperarem por apoio da retaguarda de um grupo extremista, e que o mesmo lhe abra a porta a determinados “tachos”.

A campanha contra o “Livre” e, mais concretamente, contra a sua deputada foi execrável num país democrático. Muitos foram os que não quiseram tomar posição, para, alegadamente, não darem importância a uma petição que atingiu as quase cinquenta mil assinaturas; ou seja, número quase suficiente para eleger um deputado. Mas é perigoso deixar crescer, no nosso País, exemplos de Le Pen e companhia.

Sabe-se de partidos, inicialmente, com um número de votos residuais e que, anos mais tarde, acabam por conquistar maiorias surpreendentes. A História – até mesmo a recente – ensina-nos muito, espero é que, em nenhuma parte do mundo, e muito menos aqui, ela se volte a repetir, ainda que em moldes diferentes, mas com a mesma finalidade.

Foto: pesquisa Google

01nov19

 

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