Menu Fechar

“DESATIVADA” HÁ 28 ANOS: QUE FUTURO ESTÁ RESERVADO PARA A PONTE MARIA PIA?

O assunto e as perguntas são recorrentes no “Etc e Tal jornal”. E são recorrente porque há quem quer que sejam. Que futuro está reservado para a abandonada Ponte Maria Pia, travessia ferroviária, entre as margens do rio Douro, do Porto e Vila Nova de Gaia, uma obra-prima do engenheiro francês Gustave Eiffel, e que, no passado dia 04 de novembro, fez 142 anos que foi inaugurada?

E, a verdade é que se no passado mês de novembro, a ponte fez quase um século e meio de existência, já a 24 de junho de 2020, fará 29 anos desde a altura em que, oficialmente, decidiram desativa-la, isto no mesmo dia em que foi inaugurada a vizinha ponte de S. João, também ela destinada ao trânsito ferroviário, sendo uma notável obra de engenharia, desta feita do portuense Edgar Cardoso.

Daí para cá, só registamos projetos, e mais projetos, para, no fundo, a “velhinha” travessia continuar desativada, e, ali, sem qualquer tipo de utilidade… só, para “inglês ver”!

José Gonçalves

(apontamento)

 

IDEIAS, ESTUDOS…

Há dois anos, neste jornal, abordamos precisamente este problema, colocando as mesmas perguntas que passado esse tempo, continuamos a colocar, para – por mais estranho que possa parecer – obter as mesmas (evasivas) respostas.

É verdade que muita gente sonha em fazer da Ponte Maria Pia – com o maior arco do mundo feito em ferro fundido e considerada Monumento Nacional, pelo Decreto 28/82 – n.º47 de 26/02/1982, com um comprimento de 352,875 metros e uma altura de 61 metros – algo de útil para as gentes do Porto e de Gaia, assim como para os milhares e milhares de forasteiros que visitam a região.

Todavia, também não deixa de ser verdade, que nada foi feito de concreto até hoje, a não ser (era só o que faltava!) cuidarem da sua manutenção. Agora, quer é saber-se, se todo esse trabalho é feito para a estrutura morrer de pé, ou para a mantê-la semiviva de modo a dar-lhe futura utilidade?!

Há dois anos havia um “estudo”….  Hoje… há um “estudo”…

Há dois anos, aquando das “comemorações” dos 140 anos da ponte “Maria Pia”, Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, referia que continuava “em estudo” um projeto para dar vida à travessia, mas que tudo dependia de “outros organismos e fontes de financiamento”, avançando, mesmo assim, com a ideia de ser criado “um percurso pedonal e de bicicletas”.

O autarca acrescentou, na altura, que o tal projeto de percurso pedonal e de bicicletas era uma das “muitas opções que, num passado mais recente, têm sido pensadas, no sentido de dar uma nova vida a esta infraestrutura, uma importante obra de arte da nossa região”. Ideias corroboradas pelo seu homólogo do Porto, Rui Moreira.

Palavras e (“muitas”) ideias (“opções”) datadas de há dois anos. E, até agora… nada!

Também há dois anos – e porque a data era redonda e 140 anos de existência não se comemoram todos os dias – também o, então recém-formado, Forum Cidadania Porto, enviou ao primeiro-ministro, António Costa, uma carta aberta, apelando à reabertura “daquela infraestrutura para uso de peões e ciclistas”, lembrando que a Ponte Maria Pia era (como é) “ a única obra portuguesa a ser considerada (International Historic Civil Engineering Landmark), um marco da história da engenharia internacional, pela “American Society of Civil Engineers”.

A “ecopista” que não saiu do papel

Ainda antes das reações acima transcritas, em dezembro de 2016, portanto há três anos, a Câmara Municipal do Porto dava a conhecer um projeto para a Ponte Maria Pia, sendo de realçar a construção de uma (neste caso) “ecopista”.

“O estudo prévio deve ficar pronto na Primavera do próximo ano” (2017). “As câmaras municipais (Porto e V.N.Gaia) têm depois de negociar com a Infraestruturas de Portugal, proprietária da ponte, a concessão de utilização. Uma vez que a Ponte Maria Pia está classificada como monumento nacional desde 1982, será preciso o aval da Direção Geral do Património Cultural.”

É certo e sabido que, cabe à Infraestruturas de Portugal (IP) decidir algo de palpável sobre o futuro da Ponte Maria Pia, mas certo e sabido é também o facto de que as duas câmaras municipais terem – como se leu – uma importante palavra a dizer em relação ao seu futuro. Assim sendo, é de estranhar, nos dois últimos anos, um estranho silêncio, de ambas as parte, sobre o assunto.

Infraestruturas de Portugal estuda projeto – já la vai um ano –, ainda sem resultados

Entretanto, a IP há um ano que está a estudar – ainda sem resultados conhecidos – uma proposta com vista ao aproveitamento lúdico do antigo ramal de mercadorias da Alfândega e… da Ponte Maria Pia, que prevê, além de (referida) ecopista “uma série de equipamentos culturais. Desde logo, um museu alusivo à figura de Gustave Eiffel, engenheiro responsável pela travessia ferroviária sobre o Douro”.

O estudo continua a ser estudado neste momento.

Com a nova ponte pronta, a “Maria Pia” será (finalmente?!)… uma ciclovia”

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

Recentemente, as atenções centram-se – e este jornal tem dado o devido destaque – na nova ponte, à cota-baixa, a ser construída entre Porto e Vila Nova de Gaia a unir as margens do rio Douro, praticamente junto à mais antiga das travessias entre as duas cidades (precisamente a de Maria Pia), tendo até, recentemente, se deslocalizado o local onde essa ponte (que será batizada de D. António Francisco dos Santos) e que terá um custo total de 26 milhões de euros.

Ora, na altura da apresentação do projeto da referida infraestrutura (12 de abril de 2018), dizia-se, entre outras coisas, que quando a nova infraestrutura “estiver pronta, já a Ponte Maria Pia será uma ciclovia, conforme previsto nos planos de ambas as cidades” (lê-se no “Porto.”).

Palavras de há um ano e meio, repetindo promessas de há dois e mais anos.

…E HOJE?

Fotomontagem: Pedro N. Silva (Arquivo EeTj=

Rui Moreira relança projeto para a “Maria Pia” e um outro para o Ramal de Alfândega. Só um deles será concretizado!

Depois do resumo histórico de todo o processo relativo ao futuro da Ponte Maria Pia, nos últimos dois anos, como é que a questão está a ser tratada a questão.

A primeira e mais recente novidade surgiu na Assembleia Municipal, realizada na noite do passado dia 11 de novembro, com a apresentação, por parte do presidente do executivo camarário, Rui Moreira, de duas propostas: uma para o antigo ramal ferroviário da encosta do Douro, entre a Alfândega e Campanhã; e outro sobre a reutilização da Ponte Maria Pia, precisamente colocando em prática o projeto já referido neste “apontamento”.

“Linha da Alfândega” (Pedro N. Silva – Arquivo EeTj)

Para o ramal da antiga linha ferroviária, então só destinada ao transporte de mercadorias, Rui Moreira apresentou a utilização de um veículo urbano (qual?), que demoraria “quatro minutos”, a ligar a Alfândega a Campanhã – e vice-versa -, isto depois de técnicos lhe terem assegurado que o principal e mais longo túnel do ramal (o maior da cidade, com 1.300 metros) se encontrava em boas condições. Para o edil, poderá, entrar, assim, em funcionamento um “novo canal de circulação” e tudo com “um pequeno investimento”.

Quanto à Ponte Maria Pia, uma vez mais, Rui Moreira, apresentou o projeto de transformar o seu tabuleiro numa “via pedonal e ciclável”.

Deixando a decisão de um dos dois projetos – porque “ambos não são conjugáveis” – aos deputados municipais.

E por aqui ficamos.

 

Fotos: Pedro N. Silva (Arquivo EeTj)

01dez19

Partilhe:

1 Comment

  1. Anónimo

    Felicito Etc&tal pela sua reportagem e pontos de vista que há mais de 17 anos defendi e hoje considero que uma ciclovia é uma “solução” de mau gosto. Salvem a Ponte Maria Pia para nós “D. Maria”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.