Menu Fechar

DRAGAGEM DA RIA DE AVEIRO NO CANAL DE OVAR, PODE NÃO GARANTIR MELHOR CENÁRIO PARA O CARREGAL

Sem garantias e sem grandes expectativas de um cenário pós dragagem, que venha a devolver um ambicionado espelho de água, sem depender das marés, para as várias atividades desenvolvidas no topo norte do canal de Ovar da ria, neste caso no Carregal em que se localiza o porto de recreio com as reconhecidas limitações de navegabilidade, incluindo a componente desportiva, nas modalidades da vela e da canoagem. As dificuldades agravam-se igualmente para as embarcações de pesca artesanal na zona do Cais do Carregal em que o assoreamento é ainda mais concentrado, deixando uma das obras da Polis Litoral Ria de Aveiro, no âmbito do reordenamento e qualificação da frente lagunar de Ovar, atolada num cenário deprimente e abandonada com visível degradação da zona envolvente, então intervencionada (2015).

José Lopes

(texto e fotos)

Meia década após as obras da Polis Litoral Ria de Aveiro – Sociedade para a Requalificação e Valorização da Ria de Aveiro, SA, com vista à “proteção e defesa da zona costeira e lagunar da Ria de Aveiro, visando a prevenção do risco”. Projeto que na paisagem do Carregal se dilui por entre os vários tipos de equipamentos em degradação, transparecendo desleixo e pouca atratividade para o lazer, agravado ainda com a imagem pantanosa que domina a área do Carregal na maré baixa em que o cais fica em seco.

Com um tal cenário dependente das marés para manter alguma navegabilidade, nesta zona em que termina o canal da ria em Ovar, não fossem as dúvidas instaladas sobre os resultados da dragagem, nomeadamente na melhoria e estabilidade da navegabilidade no porto de recreio e cais do Carregal, a fase das dragagens que inclui o canal de Ovar, pode não garantir melhor cenário para o Carregal, particularmente o canal deste cais que continua aguardar uma recuperação e qualificação que o dignifique como elemento deste vasto património cultural e natural da região banhada pela ria, com seus cais e canais.

O projeto de desassoreamento em curso da responsabilidade da Polis Litoral Ria de Aveiro, começou por incidir as zonas de dragagem no Canal de Mira, entre a Ponte da Barra e a Ponte da Vagueira e rio Boco / Canal de Ílhavo, a sul da Ponte de Água Fria. Evoluindo para o Canal de Ovar, no acesso ao Cais da Bestida; Canal da Murtosa e a poente da Praia do Bico. As dragas a operarem no Canal de Ovar têm como “meta” a norte, chegarem ao Carregal e a Pardilhó em que os efeitos desta empreitada consignada a 23 de abril e com uma duração prevista de 15 meses, são visíveis através da colocação de contenções nas margens para depósitos de dragados, evitando erros da última dragagem há cerca de duas décadas, em que rapidamente os dragados retornaram aos Canais da ria e a voltaram a assorear. Com esta operação serão dragados ao longo dos 95 quilómetros de canais, cerca de um milhão de metros cúbicos de sedimentos, que irão servir para fazer a recarga de areia da orla marítima e reforçar as margens da Ria, motas em zonas baixas repetidamente ameaçadas pelo avanço das águas e da deriva litoral, prevenindo a minimização de riscos nestas áreas fragilizadas pela erosão.

Ao longo destes 95 quilómetros de extensão da área lagunar em intervenção, as dragagens visam fundamentalmente valorizar a paisagem natural e melhorar condições de navegabilidade dos diversos canais, através desta ação financiada pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, com uma comparticipação de 75%, sendo a comparticipação nacional assegurada pelo capital social proveniente do Estado e ainda Águas do Centro Litoral. Uma obra pública à muito ambicionada pelas populações ribeirinhas que o Governo agora em nova legislatura, através do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, deu resposta, assinando então os contratos da “transposição de sedimentos para otimização do equilíbrio hidrodinâmico na Ria de Aveiro”, um investimento de 17,5 milhões de euros.

No entanto, às dúvidas sobre os reais efeitos das dragagens que pouco entusiasmo parecem transmitir aos autarcas locais, conhecidas que são as limitações da obra, neste caso concreto do Carregal e do seu cais, cuja anterior empreitada da Polis Litoral para a sua recuperação deixou muito a desejar. Situação que se agrava com os naturais e consequentes efeitos das correntes que transformam esta zona limite do canal de Ovar a norte, num depósito de lamas que pode continuar à margem da atual intervenção nos principais canais da ria.

Também se fizeram ouvir vozes criticas à operação de dragagem em curso, como a associação ambientalista Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens (FAPAS), que, mesmo reconhecendo ter sido feito um Estudo de Impacto Ambiental, o mesmo, segundo o FAPAS denunciou no inicio desta obra “esse estudo não prevê que as implicações neste ecossistema poderão não ficar confinadas a alterações na fisionomia da laguna, mas também irão provocar a perda de habitats para a fauna lagunar”, acrescentando ainda, “Queremos respeito pelas Zonas Húmidas, pois Portugal está comprometido com a aplicação da legislação em vigor e que classifica a Ria de Aveiro como Zona de Proteção Especial da Rede Natura 2000”, reclamou então aquela organização ambientalista.

01dez19

 

 

 

 

Partilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.