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Economicices (11)

Cristóvão Sá TTmenta

 

RIQUEZA E DESIGUALDADE EM PORTUGAL

 

“Número de milionários vai crescer 49% . Com base no “Global Wealth Report 2019” do Credit Suisse, a jornalista Elisabete Tavares sumariza alguns dados. E sobre Portugal: existem 117 mil milionários, projetando-se que dentro de cinco anos sejam 174 mil; o número de milionários crescerá acima da média mundial; cento e dez mil milionários possuem um património avaliado entre um e cinco milhões de euros; e com cinco a dez milhões de euros, há quatro mil seiscentos e vinte portugueses.

O gráfico acima mostra o Coeficiente de Gini dos países europeus em 2015. Relembro que este indicador é uma medida da desigualdade. Sendo que quanto menor for menor é a desigualdade na distribuição da riqueza produzida num país. Naquele ano, Portugal registava um índice de 33,9, enquanto a média da União Europeia a 28 era de 30,8. Sete países europeus revelavam maior desigualdade.

O indicador S80/S20 diz-nos qual o número de vezes os rendimentos dos 20% mais ricos é superior aos dos 20% mais pobres. O Eurostat refere que esse fator foi de 7,4 em 1995 e de 5,7 em 2017. Em 2018 5,22. Acentua-se que quanto menor for este fator menor é a desigualdade entre ricos e pobres. Este indicador tem vindo a apresentar reduções ligeiras, se bem que Portugal continue a apresentar maior desigualdade.

Só políticas estruturais podem alterar esta situação. Naturalmente políticas que assentem numa melhor redistribuição da riqueza produzida no país. Por exemplo na área do trabalho de combate às dinâmicas de precarização do trabalho. Ilustrando a asserção, as altas taxas de rendimento em volume e em valor no sector do turismo aconselhariam medidas que correspondam a menores índices de precarização do trabalho e melhores remunerações É defensável que exista uma correlação direta e no mesmo sentido entre as taxas de crescimento de um sector e a melhoria das práticas que aplica nas relações de trabalho.

Segundo estudos do Observatório das Desigualdades “…um dos principais um dos principais fatores de desigualdades…” é ainda a fraca qualificação escolar da população empregada. Temos níveis de escolarização abaixo da média europeia, segundo a mesma fonte.

As condições de acessos aos bens e serviços é também condicionante das desigualdades. Se a variável rendimento as determinam não se pode negligenciar as redes de transporte e mobilidade. Bem assim o espaço geográfico onde as comunidades estão integradas, as quais em muitas situações são a principal causa de desigualdades. Veja-se as dicotomias de desenvolvimento e crescimento económicos entre litoral e interior. O que é causa e o que é consequência? De novo os políticos e as políticas, as opções e as omissões são decisiva/os para atenuar o fosso entre ricos e pobres. Que sempre haverá mas desejavelmente cada vez mais estreito.

 

Gráficos: pesquisa Google

01dez19

 

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