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Vieste de “… longe, de muito longe…”

E partiste  “…p’ra longe, p’ra muito longe, onde nos vamos encontrar com o que temos para nos dar.”

Estou certo que nessa outra dimensão onde já navegas, iremos à “…mesa do café…” destilar a nossa “inquietação”. Eu sem nada para te dar, apenas o muito obrigado por tudo que recebi de ti. Dou-te outra coisa ainda. Enquanto andar cá por baixo terás em mim um lutador pela preservação da tua figura ímpar. Com a tua, alimentaste a minha utopia. Ficando-nos sempre um crença que o “…sonho lindo” não se acabou. E não acaba, sempre que te ouço e vejo.

Vi-te triste. Pouco tempo depois da partida do Zeca. Sozinho, num palco do Porto. Já não me lembra onde (Rivoli?). Só com a tua viola. Nesse dia (?) assisti ao vivo, dito por ti mesmo, FMI.

Em 2001, no Teatro Helena Sá e Costa vi-te, no Teatro Helena Sá e Costa, a assistir ao espetáculo Porto – FM Estéreo (2001), pelo Grupo a capella Canto Nono. Espetáculo que dirigiste musicalmente e para o qual compuseste canções. Nesse dia tive a ousadia de te ir cumprimentar e dar-te os parabéns para a magnifica pérola que nos deste. Estavas naturalmente muito contente. Ainda em 2001, antes ou depois do anterior, encheste o Coliseu do Porto com o espetáculo Maio Maduro Maio, baseado no cancioneiro do maior. Com a Amélia Muge e o João Afonso. Bonito. E a Amélia e o João, olhando e adorando-te, embevecidos.

Houve momentos que me inquietavam quando havia anúncio de espetáculos em que eras anunciado e não te via. Foi assim em Guimarães no Vale Flor, em Fevereiro de 2007, na homenagem ao Zeca, Menino d’oiro, que dirigiste.

Em 2009, tu, o Sérgio e o Fausto conseguiram arranjar agenda para um espetáculo conjunto de partilha e troca das vossas canções. O Coliseu do Porto encheu. Estava lá e estarrecido ouvi a forma como tu deste côr e flores às canções dos outros.

Já em Junho de 2014, na Casa da Música, montaram um espetáculo a que deram o nome “…De Certa Maneira, um concerto para José Mário Branco”, baseado nos teus trabalhos. Contava que aparecesses. Da tua presença física, nada. Aí, ouvi, na voz do João Grosso, o teu libelo FMI. Indaguei se estavas bem e receei a resposta. Nada constava de preocupante.

Em Junho do ano passado, na minúscula sala da Associação José Afonso (AJA Norte), celebramos “Mais de 50 anos a cantar a inquietação”. Procurei-te. Voltei a perguntar por ti a quem bem te conhece. Sempre com medo. Disseram-me não haver más notícias. Ótimo.

Finalmente, no ano passado, assisti na Biblioteca Almeida Garrett à sessão num sábado à noite em que encheste o palco, não cantando. Desilusão para quem assistiu. Mas os teus companheiros, sentados ao lado de ti em segundo plano, aguentaram, estoicamente, que tu esgotasses a tua vibrante energia e alegria, para depois cantarem trabalhos teus. Nessa noite ouvi de ti a descrição do teu próprio trabalho – e como o vives intensamente – de forma muito ilustrativa.

Algo como isto: para as minhas canções sirvo-me de dois léxicos. O da música e o das palavras…e continuavas: nós depois armamo-nos em Deus juntamo-los e criamos… uma canção… Simplicidade arrebatadora.

Continuamos a contar contigo Zé Mário, um gajo “…do  Porto, muito mais vivo que morto… para cantar e para o resto”

Cristóvão Sá-TTmenta

01dez19

 

 

 

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