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XXVI EDIÇÃO DO “FESTOVAR” TEVE ESTE ANO COMO MOTE “VIDAS TECIDAS ATRÁS DO PANO”

O Festival de Teatro Festovar, da Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar CONTACTO, teve mais uma vez como palco principal, acolhedor e familiar, a sua própria Casa da Contacto em que, são de facto muitas as gerações de atores e técnicos ali formados, apaixonados e dedicados à arte de representar, com “Vidas Tecidas Atrás do Pano” como mote desta XXVI edição que decorreu com um vasto programa de espetáculos, entre 12 de outubro e 23 de novembro, em que a CONTACTO encerrou com a estreia da peça Zé do Telhado, de Hélder Costa e encenação de Manuel Ramos Costa, que, igualmente como encenador de A Forja, de Alves Redol, pelo Teatro Experimental de Mortágua, abriu o Festival.

José Lopes

(texto e fotos)

Segundo as palavras do seu diretor, Fernando Rodrigues, o tema do Festovar “transporta-nos para o Universo do Teatro visto da perspetiva de dentro: os bastidores”. Ou seja, “este mote pretende evocar a face menos visível do espetáculo: os técnicos de palco, maquinistas, diretores de cena, cenógrafos, sonoplastas, luminotécnicos, caraterizadores, etc”, porque, como também afirmou, “todos sabemos que a face mais visível de um espetáculo de teatro (para além do próprio espetáculo) é aquela que é vista pelo público: as atrizes e os atores e, às vezes, também, os encenadores ou os produtores”.

Também Teresa Leite, diretora do Boletim (n.º 23) “Água Corrente” editado anualmente durante o Festival, começa por referir no seu editorial, que, “dedicamos este Festovar a todos os companheiros de estrada nestas andanças do teatro amador. Desta vez vamos olhar para dentro da caixinha de magia de onde saem as histórias contadas no teatro”. E são já muitas as histórias contadas, escritas e encenada pelo presidente da Contacto, Manuel Ramos Costa, dramaturgo e encenador, também considerou que o tema do Festovar remete para, um “ambiente carregado de cultura, de vivências e de tantos outros benefícios pessoais. Estou feliz por isso. Feliz também pela Companhia a que presido, feita de pessoas muito dedicadas e primorosas.(…)”

“Vidas tecidas atrás do pano” foi também, como vem sendo habitual neste evento teatral, tema de tertúlia na sessão de abertura que decorreu no dia 11 de outubro, com a participação de autarcas locais e do convidado Victor Sismeiro, que veio partilhar a sua experiencia na área artística e do associativismo. Uma sessão que teve ainda a participação do Rancho Folclórico da Ribeira de Ovar com sua Cantata, trajes e danças representativas da Beira Litoral “Zona Vareira” e em que foi apresentado o troféu Festovar19 da autoria da pintora Elizabeth Leite, uma obra em tela entregue no final de cada espetáculo a cada uma das Companhias participantes.

Salvador Malheiro, presidente da Câmara Municipal de Ovar fez questão de lembrar que, “na casa do Teatro estarão sempre as pessoas. Á frente ou atrás do pano, o contributo de cada um em particular dá grandeza ao trabalho de todos no resultado final”, enquanto o vereador da Cultura, Alexandre Rosas, se referiu ao tema na sua saudação, como que, “revelando desta forma o papel de todos os elementos intervenientes na criação de um espetáculo teatral que não são visíveis, (…) há uma equipa que desenvolve um trabalho meritório e imprescindível que merece ser louvado e reconhecido”. Por sua vez, Bruno Oliveira, presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira, afirmou que, “é bem merecida a homenagem que este ano, o Festovar presta à vasta equipa que, sendo invisível do público, cria, produz e trabalha afincadamente para o sucesso de cada peça de teatro”.

Apenas com um espetáculo do programa do Festovar representado no palco do Centro de Arte de Ovar (CCO), a comédia de Óscar Wilde, “A Importância de se Chamar Ernesto”, pelo Grupo Dramático da Retorta (Valongo), numa adaptação, dramaturgia e encenação de Laura Avelar Ferreira, sobre Portugal nos anos 20 do século XX em que dois jovens amigos aristocratas vivem duas vidas duplas e usam secretamente o mesmo pseudónimo.

Todas as restantes peças se ajustaram ao palco da Casa da Contacto, por onde passaram: Flagrante Delitro, de Agostinho Pinto (TAVE / Teatro do Ave – Vila do Conde); A Bela Princesa do Norte, adaptação de Manuel Ramos Costa a partir de A Lenda das Amendoeiras em Flor (CONTACTO); J.J. & C., a partir de “A menina Júlia” de August Stridberg (Teatro da Academia – Viseu); Retalhos de Um Homem, de Jaime Salazar Sampaio (Teatro Independente de Loures); História Breve da Lua, de António Gedeão (Teatro Independente de Loures); Nióbio, de Ana Felício e Carlos Costa (Ultimacto / Cem Soldos – Tomar); João e Maria, de Felipe Silva e Gabriel Felix a partir de “Hansel & Gretel” dos irmãos Grimm (Procénio / Núcleo de Artes – Brasil). Uma variedade de géneros teatrais, que incluíram drama e drama biográfico, comédia e comédia satírica, infanto-juvenil e teatro do absurdo.

Para encerrar esta XXVI edição do Festovar, como também é tradição, a CONTACTO levou à cena uma estreia, Zé do Telhado, um texto vibrante e tão atual, escrito por Hélder Costa, que Manuel Ramos Costa adaptou e encenou. Um drama biográfico que assinala a 71.ª produção teatral desta Companhia assumido por um elenco que tem representado extraordinariamente os seus mais recentes sucessos, durante a itinerância pelo país, incluindo vários festivais de teatro e galas desta arte.

A peça Zé do Telhado que voltou ao limitado palco da Casa da Contacto no dia 30 e voltará a ser representada já no dia 7 de dezembro. Tal como lembrou o encenador Manuel Ramos Costa, perante o Vereador da Cultura, Alexandre Rosas, precisava de um espaço maior como o CCO para este trabalho ganhar ainda mais dinâmica, que teve de limitar ao reduzido espaço, com todas as exigências de espaço também nos bastidores, para as dezenas de peças que compõem o guarda-roupa e o ritmo estonteante de sucessivas mudas durante o bem conseguido espetáculo, que aborda a vida de José Teixeira da Silva, mais conhecido pelo nome de José do Telhado, nascido em 1818 na freguesia de Castelões de Recezinhos, concelho de Penafiel, e falecido em 1875 com 57 anos, em África.

O texto de Hélder Costa adaptado e encenado por Manuel Ramos Costa, aborda a época politica complexa e conturbada e com a força do hino da Maria da Fonte, em que José do Telhado se tornou num salteador entre muitos outros quadrilheiros. Obra teatral em que se sobressai para uns o “bandido”, para outros o “benfeitor”, segundo a prova da sua generosidade de roubar aos ricos para dar aos pobres.

“Mas o que então mais terá incomodado muitas pessoas reinantes não terá sido tanto os assaltos que José do Telhado fez, mas sim a denúncia das injustiças sociais que destroçavam o povo humilde”, como realça Manuel Ramos Costa em mais este trabalho.

Zé do Telhado tem como elenco: Andreia Lopes, António Ferreira, Dorinda Resende, Fausto Dias, Inês Oliveira, José Ferreira, Juliana Almeida, Luís Ribeiro, Margarida Martins, Miguel Duarte, Palmira Rodrigues, Ricardo Pinho, Teresa Leite e Tiago Amaral.

01dez19

 

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