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A fobia na loja de shopping

Miguel Correia

Deambular nos vastos corredores de uma loja de vestuário de um shopping pode ser poesia em movimento. Mas, infelizmente passear nem sempre corre conforme o planeado E, às vezes, pode ser muito complicado… Confesso que ainda hoje (quando recordo esta aventura) tenho arrepios! Para os que estão próximos, ou fazem expedições aos shopping’s mais conceituados, a visita à loja da Primark é obrigatória. Quase como os Muçulmanos e a visita a Meca. Tem de acontecer, pelo menos uma vez na vida!

As dificuldades começaram logo à entrada! Com tanta gente a sair da loja senti que, por cada passo que dava em frente, recuava três! Fartei-me de cruzar com o segurança na entrada e acho que até ele começou a duvidar das minhas intenções. Lá consegui atravessar aquele mar de gente para, dentro da loja, encontrar mais pessoas por metro quadrado que na Índia! Desejei ter um pão ou bolachas para deixar um rasto de migalhas. Mesmo assim, orientado pela minha esposa, segui viagem continuando a minha investida rumo ao interior da loja. De facto, compreende-se a elevada afluência de clientes e malta que, por arrasto, os acompanha. Os preços estão em sintonia com a quantidade de dinheiro das carteiras Tugas!

Enquanto procurava na secção de jeans para homem – e de ter chegado à conclusão que é necessário um curso académico para comprar um par de calças – olhei em redor e, num ápice, reparei que estava sozinho! A minha mente deixou de se preocupar com as palavras slim, chino, fit e outras parecidas, para se focar na terrível angústia de ficar preso por ali! Alheios ao meu sentimento de pânico, os restantes transeuntes continuavam a circular a alta velocidade, fazendo mesmo lembrar as imagens de Nova Deli, nos documentários! Será que alguém daria pela minha falta?! Ou teria de esperar pelo encerramento da loja para conseguir encontrar o caminho de regresso?! Num escasso e raro momento de lucidez – e abençoando as novas tecnologias – retirei o telemóvel do bolso para, num gesto de desespero – como se a minha vida dependesse disso – telefonar à minha esposa. Assustado, consegui articular (com alguma dificuldade) uma espécie de pedido de ajuda. Tenho de agradecer o rápido auxílio. Afinal, a minha heroína chegou depressa do corredor ao lado…

Foto: pesquisa Google

01jan20

 

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