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A f(ó)rma e a f(ô)rma

Joaquim Castro

Num café do “Continente”, a funcionária perguntou-me se eu queria a torrada, que pedi, com pão de f(ó)rma. Como lidamos diariamente, fiz-lhe notar que era pão de f(ô)rma e não pão de f(ó)rma. Mas ela disse logo, que tinha aprendido assim e que iria continuar a dizer pão de f(ó)rma. Aconselhei-a a informar-se sobre o assunto, mas a funcionária disse-me que não precisava, que estava informada. Fiquei um pouco desapontado, mas sempre lhe fui dizendo que não iria presa, se continuasse a pronunciar mal, e daquela forma

M(Ô)LHOS E M(Ó)LHOS

A propósito do caso anterior, há uns tempos, no mesmo hipermercado, pedi ajuda a um assistente de loja para que me indicasse onde poderia encontrar óleo de palma, para confeccionar um prato típico de Angola, onde vivi 15 anos. Muito solícito, o assistente levou-me a uma secção, apontando e dizendo. “Os m(ó)lhos estão aqui”. Simpaticamente, retorqui: “eu não quero m(ó)lhos, quero m(ô)lhos! Como o jovem se mostrou surpreendido, lá lhe expliquei, com exemplos: M(ó)lhos são, por exemplo, manadas de couves ou de ervas, juntas umas às outras, e que m(ô)lhos são os condimentos que se usam na confecção de alimentos.

COMO SE PERDE UM PRÉMIO!

Num concurso sobre Língua Portuguesa, foi perguntado a um ouvinte, que ligou para a rádio pública, qual das seguintes frases estava correcta: “A Antena1 procura ir ao encontro da preferência dos ouvintes”, ou ”a Antena1 procura ir de encontro à preferência dos ouvintes”. Se o ouvinte acertasse na resposta, teria direito a um prémio, um livro sobre agricultura. Mas a cultura traiu esse ouvinte, que respondeu que a segunda hipótese era a correcta. Mas não era, pois esta, “ir de encontro a”, significava contrariar, ao passo que “ir ao encontro de”, significava concordar. Desta forma, o concorrente perdeu a oportunidade de ganhar um livro sobre agricultura.

PLURAL DE PAI NATAL

A palavra natal pode ser um adjectivo ou um substantivo. No caso da expressão pai natal, a palavra natal funciona como adjectivo. O vocábulo natal flexiona-se em número, tanto seja substantivo como adjectivo. Seguindo esta regra, o plural de pai natal é pais natais. Na época natalícia, é frequente ouvir e ver a forma errada, “pais natal”. Outro exemplo, com a palavra natal: No cruzeiro que fizemos, seguiam os passageiros eram de dez terras natais. Num programa recente da SIC Notícias, apareceu em rodapé, a frase “Pais natal desfilam nas águas da ria de Aveiro”. Claro está, que a frase contém um erro, na formação do plural pai natal; deveria ser “pais natais”, como manda a regra.

QUANTAS ESTRELAS “LÁ TÃO”?

No concurso da RTP1, “Jogo de Todos os Jogos”, a apresentadora Filomena Cautela, muito empenhada em espicaçar um concorrente, queria saber quantas estrelas existem na bandeira de um determinado país, parece-me, que Cuba. Perante a indecisão do participante, a apresentadora atirou: “ó homem, quantas estrelas lá tão”. Por um bocado, até pareceu que disse latão! Este descuido linguístico, com agravante de ser no canal público de Portugal, é verdadeiramente lamentável. Infelizmente, casos como estes são intermináveis e cada vez mais. As televisões e outros órgãos de comunicação social deveriam ter alguém que olhe pela Língua Portuguesa.

RANHO E RONHA

É muito frequente, ouvir pessoas a utilizar a expressão “ovelha ranhosa”, que também pode ser ovelha negra. Contudo, esta é uma deturpação da frase “ovelha ronhosa”. Isto, porque se deve usar a expressão “ovelha ronhosa”, para designar alguém que não é bem aceite por um grupo ou pela família. Ronhosa deriva da palavra “ronha”, uma doença contagiosa, espécie de sarna que ataca alguns animais. O que não quer dizer que não haja ovelhas e pessoas ranhosas, caso estejam constipadas!

UMA PISTOLA SEM CORONHA!

Antigamente, havia uma frase, que toda a gente conhecia, para desvalorizar o sentimento de vergonha. A frase era esta, quando alguém dizia ter vergonha: “vergonha é uma pistola sem coronha”. Nos tempos de agora, a palavra vergonha é das mais utilizadas, por políticos e pela população, em geral. Esta palavra é muito usada no parlamento português, para atacar as posições, uns dos outros. Nos programas de debate de rádios e televisões, os participantes utilizam regularmente a palavra “vergonha”, para classificar os actos e as decisões de políticos. Portanto, a utilização desta palavra, proferida pelo deputado André Ventura, que o presidente da Assembleia da República censurou, seguiu uma prática do povo português.

“PIRINÉUS” VOLTA A ATACAR!

Já aqui tratámos deste assunto, “Pirinéus”, na publicação de novembro de 2019. Na circunstância, escrevemos: “Todos os anos, durante a Volta à França em Bicicleta, a famosa cordilheira dos Pirenéus, cujas montanhas formam uma fronteira natural entre a França e a Espanha, sofre uma adulteração do nome, por parte de um comentador português, que foi um famoso ciclista. Aquela é uma zona do “Tour”, sendo, por isso, muitas vezes referidas pelo nosso narrador, designando-a, erradamente, por “Pirinéus”. Pois bem, no concurso cultural da RTP1, “Joker”, voltou a sair asneira, em que a palavra foi escrita e escrita erradamente: “Pirinéus”, mal; em vez de Pirenéus, bem.

 

Nota: Por vezes, o autor também erra!

 

Fotos: pesquisa internet

01jan20

 

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