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O ÚLTIMO ARTIGO de José Luís Montero

 

No mês em que este jornal comemora 10 anos de existência, releva-se ainda mais o desaparecimento, há um ano, do cronista e nosso camarada de redação, José Luís Montero. A ele a nossa mais que merecida homenagem…

 

JOSÉ LUÍS MONTERO morreu, em Lisboa, dia 06 de janeiro de 2019, tinha 67 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória. Galego, natural de Guillade, província de Pontevedra, José Luís era um poeta, livreiro e armador de pesca tinha diversas obras publicadas, com destaque para o livro de poemas “Começar a Viagem” e colaborava com o “Etc e Tal jornal” há sensivelmente cinco anos.

Destacou-se na rubrica NINHO DA LIBERDADE, com artigos verdadeiramente extraordinários.
Sobre o “Etc e Tal” e a propósito do aniversário que comemoramos no ano passado, infelizmente sem a sua presença, escreveu:

“Entrei para esta maravilha tinha o “Etc e Tal jornal” apena três anos de existência.
Sou o que agora se chama colunista e nos tempos dos meus sonhos chamava cronista.
O “Etc e Tal” é um comboio de Alta Velocidade sem igual nos caminhos-de-ferro do mundo”.

O último artigo de José Luís Montero para o “Etc e Tal jornal”, publicado, precisamente, há um ano…

 

E AQUELE ANO, FOI-SE

 

José Luís Montero

“Brexit. Coletes amarelos. Touradas fora do contexto civilizacional. Broncas e arruaças do submundo no futebol. Marcelo Rebelo de Sousa, fábrica de selfies e desconhece as questões laborais da sua namorada. Cristiano Ronaldo muda de clube. Costa continua no mesmo clube e a geringonça não usa vídeo árbitro. Para mim, o ano salvou-se porque sempre me resta Paço de Arcos para passear. Mas, acabei o ano esgotado; muito esgotado e sem sorrisos. No entanto, cheguei a uma conclusão: Portugal precisa de um António Banderas para fazer filmes do Zorro e lançar algum perfume.

Portugal não precisa de revoltas do género dos coletes amarelos, Portugal revolta-se com um belo fadinho que cante Ó Gente da Minha Terra. Que pode aportar uma revolta de coletes amarelos em Portugal? Nada. Somente mais negócio para as lojas chinesas. E os chineses não se manifestam; nem os portugueses, mas, estes têm um motivo: as manifestações coincidem sempre com os jogos do Benfica. E as pessoas têm critérios; sabem escolher e bem. Eu ultimamente não vejo o Benfica, mas, é por razões destintas. Sou um benfiquista dissidente e no exílio. Não gosto do Luís Felipe Vieira. Aliás, não gosto de nenhum presidente do Benfica desde o tal Fernando Martins. Só gosto do quem ninguém gosta: gosto do treinador, do André Almeida, do Alfa Semedo, Bruno Varela e do treinador-assistente chamado Pietra. E peço por caridade que devolvam o Jonas ao Brasil ou ao Valência.

O Benfica jamais será uma toupeira. O Benfica se um dia deixar de ser águia, será uma bela zebra que atravessa todas as selvas com elegância, cor e charme. Por isso, o Presidente dos selfies não é do Benfica. Não sairia na foto. Teríamos fotos cheias de paisagem ou paisagem e pessoas normais que quando sorriem, não o fazem de forma postiça. Estou convencido se entendermos estas questões, Portugal será outro e a geringonça assumirá a Catarina Martins como líder natural do centro-esquerda.

O sol nasce todos os dias e a dona May parece imitar o sol. Não renasceu, mas, é como se tal tivesse acontecido: tem prorroga de um ano…. Disseram-lhe: querida, entretém-te e cansa esses europeus meios selvagens, meios doutro continente… E Europa, mais uma vez, com respostas tíbias e dúbias. Pobre Europa; pobre continente que pariu cultura sobre cultura e alumiou o mundo para além da piratagem que se exerceu sobre outras partes do mundo. No entanto, que eu saiba, nenhum pirata está num vitral de uma catedral como está o corsário Ferdinand Brake em Bristol ao lado, comodamente acompanhado, pelo Almirante Nelson. Qual dos dois era realmente o pirata com olho de vidro e cara de mau? Não se sabe…

Que fica do ano que se foi? Nada. Talvez algum amor; uma prenda inesperada; um sorriso angelical ou um jantar entre amigos. Bom, também fica esta publicação que me vai permitindo o velho vício de escrever e sonhar com o Porto de Camilo Castelo Branco e com o Porto da efervescência república. E com esse Porto cheio de igrejas para admirar e azulejos de espantar como quem se espanta quando vê uma obra de Dalí ou de Rubens”.

01jan19

Até um dia camarada…

01jan20

 

Foto: pesquisa Google

01jan19

 

 

 

 

 

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