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“RETRATOS” DE UMA CHEIA ANUNCIADA

A “Elsa” e depois, ainda que de efémera presença, o “Fabien”, deram que falar nas últimas semanas de 2019. Foram duas depressões atmosféricas, com a primeira a provocar inundações um pouco por todo o país, causando a tempestade três mortos e um sem-número de acidentes, e no Porto a fazer reviver, junto das populações ribeirinhas – com especial destaque para Miragaia-, algumas cheias de outrora.

José Gonçalves                      José Lopes

(texto)                                      (fotos)

Habituados por natureza a estas circunstâncias, ainda que não tão habituais como no passado – já não se registavam cheias há 13 anos -, os moradores nas zonas ribeirinhas da cidade do Porto souberam dar conta dos recados difundidos pela Proteção Civil e pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) quanto às inundações anunciadas para os dias 20 e 21 de dezembro último, sem se influenciarem com o alarido e dramatismo de alguns canais televisivos de “informação”.

Independentemente dos avisos, e do respeito que a população teve por eles, verdade se diga que as zonas críticas foram devidamente salvaguardadas pelos serviços de apoio municipal, ajudando a evitar, entre outros potenciais riscos, a perda de materiais.

No que concerne a esse trabalho, a Polícia Municipal contactou, porta a porta, os residentes nas zonas ribeirinhas do Porto para as anunciadas cheias, facto que ajudou ainda mais à prevenção de qualquer tipo de problemas quanto à salvaguarda de vidas e bens, e se bem que, e repetimos, a referida população tem como que por uma questão geracional pronta e eficaz resposta a fenómenos naturais como os que aconteceram em dezembro último.

Houve, na realidade, já cheias que provocaram mortes e até suicídios, mas as mais recentes em nada se comparam com as verificadas na década de 60 do século passado, como prova o gráfico que se segue…

Rui Moreira destacou trabalho da Proteção Civil Municipal

Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, visitou também os locais onde o rio transformou numa “pequena Veneza” a Ribeira e Miragaia, referindo que “estivemos à altura das necessidades da população, principalmente, para que ninguém corresse riscos”.

De destacar que a Câmara do Porto colocou, desde logo, à disposição recursos humanos e veículos para transporte de bens para local seguro, assim como de pessoas em eventual necessidade.

A este propósito Rui Moreira enalteceu o trabalho da Proteção Civil Municipal do Porto que “antecipou-se à Proteção Civil nacional e à Capitania do Porto do Douro, em termos de alertas”, cuja intervenção incluiu megafones para aviso em Miragaia e reboque de veículos para zonas seguras.

Foto: Miguel Nogueira
Foto: Miguel Nogueira (Porto.)

“Cuidámos da população, do seu comércio, fizemos muitos transportes e tivemos cuidados com os automóveis, sendo que nenhum deles ficou danificado”, sublinhou o edil.

“Quem perdeu bens na inundação, ou não é daqui, ou é totó!”

Entre os moradores de Miragaia, o receio de algo extraordinário em relação às previstas inundações era, praticamente, inexistente.

“Para quem nasceu aqui, e viveu ali, no rés-do-chão daquelas casas, só tem de estar habituado a estas coisas. E, hoje em dia, não há razão para ter receio, pois toda a agente foi avisada a tempo e horas, que vinha aí a cheia. Antigamente, tínhamos menos tempo para salvaguardar os nossos bens, pois como não havia barragens, nem as tecnologias que há hoje, era obrigados a recorrer à sabedoria dos mais velhos que, pelo caudal e força do rio, sabiam se vinha ou não inundação. Agora não há que ter medo. E se houve alguém que perdeu bens é porque não é daqui ou é um totó”, referiu Manuel Silva morador em Miragaia.

O relacionamento com o rio estava como que no ADN desta gente tripeira, seja a de Miragaia, ou da Cantareira, ainda que aqui as coisas sejam um pouco diferentes, devido a uma influência mais direta e ativa do mar. Seja como for, e um vez, o galgamento das águas não originou sustos, mas muito trabalho: “para arrumar as coisas e depois limpar a porcaria que o rio trouxe, de resto… tudo bem!” palavras da ribeirense Leninha.

E como não podia deixar de ser, ficaram as imagens vividas durante dois dias de cheias que, como largas centenas de pessoas referiram, inclusive no Facebook, deixaram o Porto diferente, mas sempre bonito e “fotogénico”… como atrás provou o trabalho do nosso camarada José Lopes, e, de Miguel Nogueira, do “Porto.”


A vida na Ribeira, Miragaia e outras zonas ribeirinhas retomaram, pouco tempo depois do caudal das águas do Douro ter diminuído, a sua vida normal, se bem que as limpezas demorassem mais um pouco. Ou seja, o Natal foi, climatericamente, bem passado, com temperaturas (máxima e mínima) acima da média, e alguns dias de sol a convidar a passeios pela Invicta.…

01jan20

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2 Comments

  1. ARLINDO PINTO

    Pessoas avisadas valem muito mais, as novas tecnologias ajudam imenso e, assim há mais tempo para salvarguar os bens e pessoas ?
    Lindas fotos e óptima reportagem

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