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FURADOURO: SOLUÇÕES “INOVADORAS” DE DEFESA COSTEIRA FRAGILIZADAS

Após várias décadas a privilegiar a pedra, nas obras pesadas para tentar enfrentar o avanço da erosão costeira no litoral do concelho de Ovar, o arranque do primeiro mandato da atual maioria da Câmara Municipal de Ovar, ficou marcado no capitulo da proteção das praias, sistemas dunares e núcleos urbanos (Esmoriz, Cortegaça e Furadouro), com a experiencia dos geotubos e mais tarde geocilindros (sacos de tela gigantes cheios de areia), apresentados como solução “inovadora”, para retenção de areias, que foi testada em finais de 2014 nas praias de Cortegaça e Maceda e em 2018 no Furadouro, em que, o geocilindro colocado na praia ao sul já dá sinais de fragilidade, com a tela a desmembrar-se.

José Lopes

(texto e fotos)

Na praia do Furadouro, as várias intervenções de defesa costeira, através da pedra, dos geocilindros e reconstituição dunar, vão dando sinais de cedência à natural violência do mar no litoral norte. Os esporões e as barreiras de pedra mostram “fendas” profundas, como a que se observa junto dos bares dos concessionários de praia. A reconstituição das dunas a norte e a sul até ao Torrão do Lameiro, continuam à mercê das correntes marítimas, com zonas literalmente lambidas sem qualquer consolidação. Já o geocilindro a norte, continua bem submerso no areal enquanto a sul as conclusões sobre o seu estado de destruição, exigirá certamente estudo sobre as razões de tão curta durabilidade, comparativamente com outras experiencias no concelho.

Neste caso do geocilindro ao sul do Furadouro, é preciso lembrar que a quando da sua colocação na praia, bem junto da muralha de pedra sujeita a grande erosão do mar, ouviram-se vozes locais a questionar a área escolhida para implantar tal “manga” girante, que, ao contrário da que está a norte, esteve quase sempre à superfície, sujeita às várias marés e temporais que se têm feito sentir. Sem se conhecer ainda no concreto, as razões do visível desmembramento deste geocilindro, a verdadeira dimensão da rutura da tela acabará por ser mais percetível caso o mar, na sua natural movimentação de areias, volte a retirar a que ali veio repondo, deixando este sistema “inovador” em grande parte enterrado.

Perante a paisagem de desagregação do geocilindro no sul do Furadouro, que, com a continuada erosão costeira que naquela zona se faz sentir com intensidade. Só poderá resultar na aceleração dos estragos deste sistema de defesa, que ali tem como grande finalidade, atenuar o avanço do mar na ténue língua de areia que separa a praia de uma área dunar, por onde o mar já chegou a entrar, dando origem a um lago próximo de habitações.

Com as várias obras de reforço do cordão dunar concluídas em 2018, promovidas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), através da Administração da Região Hidrográfica do Centro (ARH-C), financiada pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, que incidiram numa extensão total de cinco quilómetros para tentar repor parte do cordão dunar entretanto desaparecido pelas investidas do mar e consequente relação com defesas na base da pedra ao longo de décadas. As fragilidades da costa persistem, e alimentam por parte do executivo camarário, a defesa de um outro projeto de obra pesada, como os quebra-mares destacados na praia do Furadouro e Cortegaça, cuja execução é equacionada pela APA, em conjugação com a Câmara Municipal de Ovar, que, não vê o Orçamento de Estado para 2020 viabilizar tal empreendimento igualmente “inovador” no país, que não tem merecido grande entusiasmo de especialistas das zonas costeiras.

01fev20  

 

 

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