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POR LUÍS GIOVANI…

No passado dia 11 de Janeiro organizaram-se várias vigílias nas principais cidades do país, contra o assassinato do jovem cabo-verdiano Luís Giovani Rodrigues. Uma delas no Terreiro Do Paço, em Lisboa.

Juntaram-se cerca de três milhares de pessoas. Na referida vigília fizeram-se 21 minutos de silêncio.

Foram várias as pessoas com t-shirts brancas com a foto de Giovani, vários cartazes e muitas vozes “ Gritavam “ só queremos justiça, “justiça por Giovani”…

Vítor Lagarto

(fotos e lead)

Recordando os factos…

“Na madrugada de 21 de dezembro, Giovani Rodrigues, 21 anos, tinha saído do Bar Lagoa Azul, na Avenida Sá Carneiro, na companhia de três amigos, todos cabo-verdianos, de 19, 20 e 23 anos. Andaram 300 metros até serem atacados.

Momentos antes, ainda dentro do bar, o mais velho do grupo ter-se-á envolvido numa discussão com dois homens de Bragança. A desavença foi serenada prontamente pelos seguranças. Os quatro jovens, todos alunos do IPB, ficaram dentro do bar mais 20 minutos, a pedido dos seguranças, para evitar desacatos no exterior.

Quando saíram, tinham à sua espera um grupo com mais de uma dezena de pessoas munidos de paus e cintos que prontamente os agrediram. O estudante mais velho foi o primeiro a ser agredido. Ao ver o colega ser agredido, Giovani pediu aos agressores para pararem e, nessa altura, bateram-lhe violentamente.

“Ele não reagiu e foi preciso puxá-lo debaixo dos outros que lhe batiam Ele levantou-se a cambalear e a queixar-se de dores, caminhando com auxílio dos colegas”, contou uma fonte próxima.

No meio da confusão, os quatro amigos separaram-se. Dois voltaram para trás à procura de um casaco e de um telemóvel. Giovani terá seguido sozinho. Foi encontrado tombado e inconsciente pelas 3.45 horas naquela avenida por uma patrulha da PSP.

Nessa noite, cerca das 3.15, a PSP havia sido acionada para uma rixa à porta do bar, mas quando chegaram ao local, apenas seis minutos depois, não verificaram “qualquer desordem no exterior do bar”.

“No local, apenas se encontravam dois cidadãos” – a PSP não revela qual a sua nacionalidade -, “um dos quais informou os polícias que teria sido agredido por um grupo de jovens, que já não se encontravam no local, não desejando qualquer tratamento hospitalar, nem procedimento criminal”, lê-se no comunicado da PSP.

Jovem inanimado no chão

A Polícia adianta que, às 3.45 horas, uma outra patrulha se deparou com um jovem caído no chão “inanimado e com forte odor a álcool proveniente do vomitado no seu vestuário”. “Face este cenário, pelas 03h48, foi imediatamente acionada pelos polícias a assistência médica através do INEM, tendo o jovem sido transportado pela ambulância dos bombeiros às urgências da unidade hospitalar de Bragança a qual, cerca das 6.00, contactou a PSP e disse que o jovem que tinha sido encontrado pela PSP e que ali havia dado entrada, teria sido vítima de agressão”, revelou a direção nacional da PSP.

Fonte ligada ao processo adiantou que o estudante apresentava vários hematomas no corpo e um ferimento grave na cabeça. Segundo contou o pai de Giovani, José Rodrigues, à estação de televisão pública de Cabo Verde, esse ferimento terá estado na “origem de um derrame cerebral de grande dimensão” que acabaria por lhe custar a vida, após dez dias em coma”.

Texto: Jornal de Notícias

(com a devida vénia)

Cinco detidos…

Entretanto, a 15 de janeiro último, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção, em Bragança de cinco indivíduos, com idades compreendidas entre os 22 e os 35 anos, indiciados por homicídio qualificado.

Luís Neves, diretor nacional da PJ, adiantou, na altura, que os suspeitos detidos constituem “o núcleo duro que perpetrou as agressões” e estão indiciados por homicídio qualificado.

De acordo com o diretor nacional da PJ, estes suspeitos são “pessoas violentas”, “maioritariamente desempregados”, e “vivem em Bragança”. Luís Neves adiantou ainda que o crime em causa não teve motivações raciais, mas, sim, “motivos fúteis”.

Anteriormente, a PJ informara já, em comunicado, que o Departamento de Investigação Criminal de Vila Real tinha realizado “buscas domiciliárias, inquirições e interrogatórios de várias pessoas, suspeitas de estarem envolvidas nos acontecimentos que determinaram a morte” do jovem estudante.

01fev20

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