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Um Estado vegetativo

Miguel Correia

Sentado em frente ao computador recordo que, nestes últimos cinco anos, Portugalinegrado tem vindo a sofrer peripécias capazes de ofuscar qualquer argumentista de filme de ficção ou comédia. Tivessem prestado atenção e teriam obtido ideias fenomenais para utilizar nos seus filmes. Não digo que, por cá, tenhamos o monopólio dos disparates e erros mas, seguramente, somos protagonistas de grande parte deles! E, por muito que me custe admitir, não vejo qualquer mudança comportamental a longo prazo. Por exemplo, quatro décadas depois, as pessoas ainda não perceberam que podem (e devem) exigir contas aos engravatados que elegeram. Contudo – e apesar da insistência dos serviços noticiosos – continuamos a acreditar cegamente! Será obra daqueles bruxos de jornal que garantem que até o tipo mais feio arranja uma namorada?! A justiça ainda decorre para tentar encontrar responsáveis pela tragédia de Pedrógão. O Presidente da Câmara – um dos visados – continua, mesmo depois da reportagem televisiva, a distribuir beijos e abraços à população. Tal como Judas antes de entregar Cristo! Para garantir que o mesmo cenário jamais se repetiria o Governo tomou medidas preventivas…

Mais uma vez a televisão demonstrou que – apesar de tanto dinheiro gasto – a rede “Siresp” está exatamente na mesma! É a chamada coerência: se nunca funcionou condignamente, é deixar estar! Colocou-se em causa a excessiva quantidade de eucaliptos e seus perigos inerentes. A malta percebeu tudo ao contrário, porque pegaram nas sacholas como desalmados e plantaram mais! Os madeireiros e pirómanos agradecem! Tenho certamente mais pontas por onde pegar mas, tendo em conta o tamanho desta crónica, vou avançar para a mais recente trapalhada socialista: as golas de proteção inflamáveis! Ou para os fãs dos western, as máscaras para assaltar bancos! Talvez assim ninguém identificasse os velhinhos quando assaltassem o banco ou posto dos correios para sacar uns euritos e compor a reforma miserável que recebem. Mas não!

Mais uma vez, num ato espalhafatoso de impacto imediato, o governo recorreu ao desenrasque para mostrar serviço! O fabricante (não-especializado) das “golas” – que cobrou o dobro do preço pela urgência exigida na entrega – afirma não saber qual a finalidade do produto. E agora – que mais uma vez a comunicação social entra em campo – descobre-se que um amigo, que tem um amigo, resolveu fazer a encomenda… a um amigo. Já ocorreram demissões. Mas, caros leitores, não esperem mais nada! Neste país em estado vegetativo basta apresentar a demissão para garantir imunidade. Digamos que é a palavra mágica para ocultar irresponsabilidades e evitar chatices judiciais. Atrevo-me a dizer que, por cá, todos são inocentes…

Foto: pesquisa Google

01fev20

 

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